Por Agda Helena Vieira (*)

Minas Gerais com o governo Zema segue apreensiva, acompanhando o agravamento da crise sanitária que avança com a Covid 19.Todos os serviços assistenciais estão interrompidos, na atenção primária como na média e alta complexidade. Iniciamos o mês de junho com mais de 10 mil casos confirmados e mais de 300 óbitos pelo novo corona vírus.

Alinhado com a necropolitica do presidente Bolsonaro o governador de Minas Gerais mantém o discurso que o corona vírus precisa viajar. O prefeito da capital Belo Horizonte, seguindo as orientações da OMS quanto ao isolamento social, fechou a capital, trazendo aos municípios uma relativa segurança, porque outras cidades e estradas não seguiram as mesmas orientações, liberando comércios, feiras, transporte agropecuário pelas rodovias estaduais e federais. Alguns municípios seguiram, a princípio, as recomendações, mas hoje estão com o isolamento flexibilizado.

Enquanto a pandemia adentra os municípios mineiros, o governo Zema segue seu plano de privatizações e entrega do patrimônio público de Minas à iniciativa privada. Segue com fechamento de leitos e hospitais da rede pública, segue fechando leitos e hospitais do SUS. Os trabalhadores acumulam sobrecarga de trabalho, retirada de direitos, atraso nos salários, a falta de equipamentos de proteção, a baixa qualidade nos equipamentos de proteção ofertados pelo estado. Os trabalhadores do grupo de risco continuam dentro das unidades trabalhando, os trabalhadores não estão sendo testados — o que aumenta a insegurança, quanto à contaminação e disseminação do vírus nos locais de trabalho — e sendo mais revoltante ainda a desvalorização dos trabalhadores que são linha de frente ao combate, por não terem direito ao abono concedido apenas aos médicos.

A rede Fhemig em BH conta com a referência Covid19 no Hospital Eduardo de Menezes, por ser de infectologia; a retaguarda dele é o Hospital Julia Kubitscheck e o Hospital João XXIII seria a segunda retaguarda. O nível 2 de alarme já foi acionado, pois o HEM atingiu mais de 80% de sua capacidade e assim o HJK já recebe paciente com a suspeita Covid19. O HJXXIII teve seus leitos do espaço Covid19 reaberto para os traumas, pois com a abertura do comércio e quebra do isolamento de contato da população, os leitos do hospital estão totalmente tomados, tanto para os andares, UTI, sala de recuperação do bloco cirúrgico e somente os setores da emergência, os ambulatórios, têm rotatividade em vagas; estes dados foram informados ontem pela manhã no HJXXIII.

Os municípios são agrupados em macro regiões, onde a realidade é assustadora. Regiões com 33 municípios, com 700 mil habitantes, possuem 10 leitos de UTI e pouco mais de 100 leitos clínicos. Seguem as subnotificações, e se não tem testagem, não teremos números reais.

Houve um momento de pânico entre os trabalhadores quando se perceberam totalmente desprotegidos, sem EPIs ou com as EPIs totalmente despadronizadas em relação aos modelos indicados pelas referências em saúde do trabalhador. As EPIs padronizadas seguem em números reduzidos e preferencialmente para alguns grupos de trabalhadores.

A rede de atenção psicossocial conta com dificuldades para receber pacientes desde o início do momento Covid19 , no início da quarentena em março, pois os trabalhadores se mostram receosos com todos, inclusive devido a precária proteção dos trabalhadores.

Há movimento de organização de condutas e protocolos, mas constantemente há mudanças de condutas e orientações, o que promove desorientações e a negação dos protocolos atuais.

Os números de casos de tentativa de suicídio, que haviam diminuído muito no período da quarentena, voltaram a ocupar os leitos hospitalares. A saúde mental segue com o fechamento de mais um hospital psiquiátrico, o Hospital Galba Veloso, mas neste momento houve questionamento sobre as condições de atendimento para o paciente reencaminhado e também para os profissionais realocados em diversas unidades.

Os serviços públicos para encaminhamentos de cidadãos vítimas de violências seguem, neste momento Covid19, com piora de atendimentos. Há dificuldade para encaminhamentos de pacientes vítimas de violências, como mulheres e idosos e deficientes, principalmente nos finais de semana.

Os trabalhadores seguem adoecendo e os testes não são condutas presentes na Saúde de MG, somente quando se apresentam sintomas da doença ou gripais. E cada dia mais colegas adoecem ao nosso redor. Os profissionais que apresentavam restrições por serem dos grupos de risco, conseguiram ser afastados, no início da quarentena; mas hoje, a maioria já foi liberada pela instituição para retornar ao trabalho, alguns com reserva e outros nem tanto. Há profissionais que sendo do grupo de risco, a instituição até hoje não os isolou ou permitiu que fossem para a quarentena e nem todos saíram da assistência.

O certo para todos os trabalhadores é que, estando expostos nos atendimentos assistenciais, cada paciente deveria ser atendido como um suspeito de ter Covid19, mas não há condições institucionais para isto: seja pelas EPIs escassas, seja pela falta de espaço devido de distância entre pacientes, seja pela confusa instituição/ destituição de protocolos, pela descrença nos exames da doença, pela suspeita de subnotificação.

O caso é: Bolsonaro não é o único amigo do Covid19. Zema também é. Por isso, Fora Zema, Fora Bolsonaro!

(*) Agda Helena Vieira é dirigente do PT de Patos de Minas

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