O cantor e compositor baiano Moraes Moreira, de 72 anos, faleceu na madrugada desta segunda-feira (13) no Rio de Janeiro. A causa da morte do músico foi um infarto.

Moraes iniciou sua carreira musical tocando sanfona em bailes e festas de São João. Já adolescente aprendeu a tocar violão e ao se mudar para Salvador conheceu o músico Tom Zé.

Ali, na capital baiana, formou juntamente com Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão o grupo Novos Baianos, ficando com o grupo de 1969 até 1975. Moraes Moreira, juntamente com Luiz Galvão, é autor da maioria das canções do disco Acabou Chorare, de 1972, considerado um dos principais ícones da discografia e da música nacional. Ao todo, Moraes Moreira possui 40 discos gravados.

No dia 17 de março, o cantor escreveu e publicou um cordel chamado “Quarentena”.

Viva Moraes Moreira e a cultura popular brasileira!

“Quarentena 

Eu temo o coronavirus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será minha própria lida

Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mas atenção
O sentimento é profundo

Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito

De quem será esse lucro
Ou mesmo a teoria?
Detesto falar de estrupo
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não a todo dia

Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
As vezes é o que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido

Até aceito a polícia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta

Com tanta coisa inda cismo….
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também a misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia

As coisas já forem postas
Mas prevalecem os relés
Queremos sim ter respostas
Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres

O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo,nem idade

Moraes Moreira

(*) com informações do Brasil 247

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