Por Gilberto Gomes*

Quando no fim da tarde deste domingo o The Intercept divulgou uma série de matérias que apontavam para o que deve se confirmar como o maior escândalo da história do judiciário nacional, observei que por algumas horas ecoou, entre os grupos e lideranças da direita brasileira, um silêncio desesperador.

Este silêncio nos fala mais do que parece.

A lentidão para que a mídia tradicional reproduzisse as informações apresentadas demonstrava o caos que havia tomado o país. As emissoras e as redações dos jornais pareciam esperar algum milagre que pudesse desmentir as acusações. Sabiam que a crise gerada por um escândalo desta dimensão pode desestabilizar não somente o judiciário mas também o governo, e assim atrapalhar o andamento do pacote anti-crime do Moro e, principalmente, a reforma da previdência, único “bote salva-vidas” para uma mídia que se encontra falida e desesperada.

As notícias atingiram em cheio a veia jugular que alimentava e sustentava o que restava de apoio popular à operação lava jato: a questão moral. As figuras de Moro e Dallagnol pareciam completamente ilibadas para muitos setores até então e, ao que tudo indica, e conforme prometido pelo The Intercept, a reviravolta só está começando, o que preocupa ainda mais a farsa de “lawfare” que foi montada em torno da perseguição ao PT.

Não seria ilógico pensar na possibilidade que os próximos conteúdos explosivos prometidos possam revelar a participação yankee no golpe que retirou Dilma do poder e fez refém a maior liderança política do país, uma vez que é pública a cooperação entre o MPF e o departamento de justiça norte-americano para criação de um “fundo” de combate à corrupção, uma grave ameaça à nossa soberania.

O desespero dos algozes de Lula ficou nítido quando, após horas, a primeira alegação de defesa não foi por negar as acusações, mas por reivindicar o direito à privacidade, direito tido como inferior pelo próprio Dallagnol em relação aos temas de grande interesse público.

Afinal, não há aqui claros indícios de interesse público?

Os registros apresentados por Glenn Greenwald revelam um gigantesco esquema para prender e manter Lula na cadeia a fim de silenciar sua imensa capacidade de incidir no rumo das eleições de 2018. Mais que isso, apontam para a formação de uma organização criminosa entre o MPF e a Justiça de Curitiba que, além de prender Lula e fraudar as eleições de 2018, desmontou a indústria nacional e freou o desenvolvimento do Brasil enquanto país soberano.

Uma vez que o argumento do direito à privacidade foi rapidamente exaurido pela própria argumentação de Dallagnol sobre interesse público, surge agora uma clara tentativa de diminuir a importância dos fatos apresentados, resumindo o partidarismo contido nas condenações de Lula a meros “desvios de caráter” ou questões éticas.

Para conter essa tentativa de atenuar os crimes praticados por Moro e Dallagnol só há um caminho: radicalizar a luta pela liberdade de Lula e pela anulação das condenações! Não podemos aceitar nem mais um minuto sequer desta prisão que, agora com as provas reveladas pelo The Intercept, se revelou para todos como arbitrária e com o principal intuito de retirar Lula do jogo eleitoral.

Os conteúdos revelados pelas matérias apontam para o que a maioria de nós, petistas, afirmamos há muito tempo: abandonar a pauta pela liberdade de Lula, como desejavam alguns setores da esquerda, seria nosso maior equívoco.

Estes setores apontavam para uma suposta impopularidade da pauta Lula Livre, que se negou no dia de ontem e encheu o coração de milhões de brasileiros de esperança.

O PT deve assumir o compromisso de convocar sua militância para as ruas, disposta a não abandoná-las até a liberdade do companheiro Lula. Movimentos de massa neste momento precisam apontar para a insatisfação generalizada da população com o resultado das urnas em 2018, num processo fraudulento e que leva o país para um abismo de pauperidade cada vez maior.

O ponto alto destas mobilizações já tem data marcada: dia 14 de junho ganha contornos ainda mais históricos, deverá ser ainda maior que o previsto e se apresenta como o estopim que pode derrubar o governo Bolsonaro.

Está dada uma janela histórica como jamais vista desde a eleição de 2002. Desta vez, se Lula ganha liberdade, ganhamos também um novo ar de esperança para retirar o Brasil das garras do entreguismo e reverter o processo colocado desde o golpe que destituiu a presidente Dilma.

Mais do que nunca: LULA LIVRE!

Anulação imediata das acusações!

Prisão para Moro, Dallagnol e cia!

*Estudante de Administração Pública na UENF e militante da Juventude da Articulação de Esquerda.

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