Por Marilena Pontes (*)

São praticamente mais de 40 anos em que a politicagem impera nos municípios amazonenses, com a compra de votos, o toma lá dá cá, o uso de bebida alcóolica até mesmo para de menores, como é o que se presencia no município de Urucará. Uma disputa ferrenha nestes quarenta anos entre duas famílias: uma de descendentes de turcos e outra de italianos – Felipe e Falabella.

A pior das práticas da política suja que se possa imaginar acontece aqui. Não se promove um debate, não se sabe quais são as propostas de governo dos candidatos a prefeito, enfim, um povo viciado que reclama de prefeitos eleitos e exige a mudança só pra mudar, não porque é o melhor para o município.

A situação da câmara é bem mais escandalosa, com um parlamento assistencialista de vereadores com sete mandatos por manter seu eleitorado assistido, mas o mínimo de suas funções não é exercido, deixando o município a mercê da sorte.

Por aqui não existe esquerda, classe trabalhadora, mas um elitismo religioso-conservador de um povo numa cidade onde tudo é perto, mas as pessoas preferem ir de veículo motorizado, por que o que mais importa é o consumir, e mesmo sendo uma região rica, existem famílias que têm necessidades básicas.

Diante dessa realidade, o Partido dos Trabalhadores – que já andava desgastado – pior ficou, obtendo um pouco mais de 250 votos em seus doze candidatos proporcionais, não elegendo nenhum de sua bancada por não atingir o quociente eleitoral.

Mesmo com esse trágico resultado eleitoral, o lado bom, é que as pessoas passaram a nos conhecer mais, de certa forma ganhamos a confiança das mesmas, observando os aspectos de arrependimento e vergonha quando passam por nós pelas ruas.

Os desafios que já eram grandes, ficaram bem maiores. E o primeiro passo a ser dado é assumir a direção do partido, fazendo formação, filiando pessoas que tenham ou aprendam a ter consciência do que é pertencer à classe trabalhadora, construir a sede, fazendo o partido funcionar efetivamente no seu dia a dia.

Assim, por não se saber em termos práticos o que a vida nos reserva, o presente que se tem nas mãos, é a saída para se sonhar com a firme ideia de dias promissores, iniciando por hoje.

(*) Marilena Pontes é secretária de movimentos sociais do PT de Urucará


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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