Por Valter Pomar (*)

Teoricamente, a candidatura a vice-presidente de Alckmin depende de uma votação que será feita no Encontro Nacional do PT, nos dias 9 e 10 de julho.

Entretanto, na prática, Alckmin já é tratado como vice de fato.

E o motivo é simples: já se sabe qual a posição da esmagadora maioria dos delegados e delegados com direito a voto no referido Encontro.

Delegados e delegadas eleitas, é bom lembrar, no segundo semestre de 2019.

Um dos objetivos visados por quem acatou a aliança com Alckmin foi e segue sendo atrair setores da direita não bolsonarista.

Sendo assim, confesso de público o que já informei no privado: algumas aparições de Alckmin me parecem contradizer este objetivo.

É caso da célebre cantoria da Internacional, no congresso do PSB: pode causar riso na esquerda, mas não ganha um voto na direita.

Crítica similar vale para a declaração feita por Lula na entrevista contida no link abaixo:

https://www.instagram.com/reel/CeOjD7llsgK/?igshid=MDJmNzVkMjY=

Não sei o que Alckmin terá dito a Lula nas conversas entre ambos.

Nem sei se Alckmin tinha algum tipo de reserva a respeito do impeachment.

Em 2005-2006, por exemplo, ele foi contra defender o impeachment: preferiu apostar em deixar Lula “sangrar” até a derrota eleitoral, que como sabemos não aconteceu.

Mas independente disto, o fato – comprovável por uma simples busca nos arquivos jornalísticos da época – é que Alckmin apoiou publicamente, antes, durante e depois, o golpe contra Dilma em 2016.

E não vejo sentido algum em negar isto.

Afinal, se um dos objetivos de colocar Alckmin na vice era atrair um setor da direita, se a esmagadora maioria da direita apoiou o golpe e não se sente nem um pouco constrangida por isto, muito antes pelo contrário, que sentido faz negar a participação de Alckmin no golpe?

Votei no Diretório Nacional do PT contra esta aliança, mas agora que está feita, não vejo utilidade eleitoral alguma em tentar dourar a pílula.

(*) Valter Pomar é professor e membro do diretório nacional do PT

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