Por Alessandro Hipólito (*)

 

Passado a eleição nos cabe juntar os cacos e seguir adiante, o resultado não foi o esperado, acreditávamos na possibilidade de um segundo turno, o que infelizmente, não acontecerá.

O que fica para depois da eleição, além, do gosto amargo da derrota?

O desempenho coletivo foi pífio, sobressaindo àqueles que tiveram uma estratégia diferente, de caminhar solitários, ou não se assumirem dentro de um projeto partidário.

Com o resultado posto, precisamos fazer a nossa autocrítica.

O que fez o Partido dos Trabalhadores de Ribeirão das Neves perder sua base social de modo muito repentino? Visto é claro pós 2012, quando a cidade foi governada por uma Prefeita do Partido dos Trabalhadores.

Quais os motivos de não estarmos conseguindo chegar nas camadas mais pobres de nossa cidade? A título de informação Ribeirão das Neves, fica entre as 10 cidades mineiras com o Pior Índice de Desenvolvimento Humano- IDH, e é a mais pobre do cordão da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Digo por mim, que gastei horas em andanças e visitas, sobretudo, nas Vilas e Favelas do nosso Município, há destacar; Mina, Santa Fé GDF e Facão. Locais que devo ter visitado umas 3 vezes durante o tempo curto qual foi esse período de Campanha, sem contar o bairro onde moro, que trás para nós moradores algumas particularidades, do tipo, a ausência total de equipamentos públicos da saúde, educação e infraestrutura urbana.

Esperava conseguir um bom desempenho no que tange a números de votos, e se revelou um fracasso.

Fiz minha campanha sendo fiel a decisão partidária de construir a frente de esquerda, levei comigo e no material por mim produzido, o candidato a prefeito da coligação “A Receita da Mudança para Ribeirão das Neves”, e as cor e símbolo original do Partido dos Trabalhadores, enquanto outros, pareciam estar candidato por seu nome, e não por pertencimento a uma agremiação partidária.

Quando tive acesso aos resultados, me veio a seguinte reflexão – vale a pena estar num partido, em que o projeto extrapartidário têm maior êxito?

Este é outros questionamentos que estão apresentado neste texto são importantes para serem feitos, até mesmo para que possamos encontrar uma saída que dê ao Partido dos Trabalhadores em Ribeirão das Neves uma sobrevida, ou um lapso de esperança, para que voltemos a ser um Partido da classe trabalhadora dentro de um projeto do socialismo real, e não apenas discursivo.

Somos em “número” o maior partido com membros filiados/as na cidade, chegamos a mais de três mil, esta é, a segunda eleição que participo como morador deste Município, e vejo com tristeza, o afastamento da militância, são pouquíssimo o envolvimento destes em período de campanha, o que não se restringe, somente a este tempo.

Na realidade existe um distanciamento dos membros dirigentes e os “filiados/as” comuns. Essa ausência também é perceptível quando adentramos para outros campos da vida útil de um partido, aqui em Ribeirão das Neves, é gritante a inadimplência para com os deveres partidários, muitos utilizam dos acordos no interesse de participar do PED, e depois o mesmo não é cumprido.

Talvez, o momento seja de rever quem são estes “filiados/as”, muitos deles/as, aposto nem sabem de sua inscrição no partido.

É urgente fazer um pente fino, para que possamos ver com quem podemos contar, quem esta disposto a caminhar conosco.

É preciso renascer das cinzas, perdemos mais uma eleição, mais não podemos jogar fora a ideologia partidária, esta, com certeza nos levará a resgatar nossa história e compromisso junta à classe trabalhadora. É preciso nos organizar internamente, e a partir de hoje, que nossos olhares estejam vislumbrando como queremos chegar em 2024, sabendo que no meio temos uma disputa contra o fascismo/bolsonarista e as forças da direita no ano de 2022.

Porém, não podemos deixar pra janeiro de 2024 para começarmos a pensar a disputa Municipal, temos o quanto antes nos reerguer e começarmos o nosso planejamento a longo prazo, afim de evitar que comentamos os mesmos erros de estratégicos e táticos de 2016 e 2020.

Por fim, precisamos ter claro o papel a ser desempenhado pelo Partido nos próximos 4 anos do governo de Juninho Martins, ou iremos deixar novamente nas mãos dos eleitos, no caso aqui do eleito Messias Verissimo?
Sigamos na luta e na resistência…

(*) Alessandro  Hipólito é militante e membro dirigente do Partido dos Trabalhadores de Ribeirão das Neves e da Articulação de Esquerda-Minas Gerais


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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