Por Lucas Rafael Chianello (*)

Ciro Gomes não era uma alternativa à esquerda diante de Lula/Haddad x Bolsonaro.

Um dos coordenadores de seu programa econômico também propunha a reforma da previdência e a privatização do grosso das estatais.

Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, aprovou a reforma da previdência, propôs a reforma administrativa (a “granada no bolso do servidor público”) e estamos à beira da privatização da Eletrobras e dos Correios.

Nada muito diferente do que propunha Ciro Gomes, o degustador de croissant parisiense que não perde a oportunidade de detratar Lula e o PT em suas entrevistas depois de subir 0,5% de 2002 a 2018.

Pobres de nossos ouvidos.

Durante a semana, João Doria (PSDB), governador de São Paulo, socou a palma de uma das mãos e mandou um rotundo “Toma, Bolsonaro!” após entrevista para a Bloomberg, agência de notícia do mundo dos negócios.

Tucano, Doria não passa de um urubu que se aproveita da queda de popularidade do nazi-presidente para pavimentar seu caminho ao Planalto.

Já recebeu até o apoio de FHC.

E por que o tucano também é um urubu?

Porque num país onde se analisa a política de forma personalista quando na verdade deveria se analisar primeiro o programa, Doria tenta impor uma imagem pessoal diante de uma situação em que as propostas são semelhantes.

Assim como Bolsonaro se gaba de ser um saudosista da ditadura, os governos do Tucanistão exaltam a transformação de sua Polícia Militar em seu cão de guarda.

Assim como FHC vendeu a Vale e a Telebras, o PSDB é base do nazi-governo Bolsonaro: vota com ele em todas as reformas trabalhistas e econômicas por ele propostas.

Assim como Bolsonaro é negacionista, Doria, criticado por diversos cientistas, propagandeia uma inexistente normalidade sanitária em São Paulo diante do aumento de casos pela covid-19 através da variante Delta.

Assim como Moro, o juiz ladrão, tornou-se ministro de Bolsonaro, Doria participou de conferências com o ainda juiz em eventos do Lide, uma subsidiária do seu grupo empresarial.

Se o juiz ladrão não tivesse se tornado consultor de conformidade das empresas que condenou na farsa a jato, Doria declarou publicamente que o abrigaria no primeiro escalão de seu gabinete.

A única diferença de Doria e Ciro para Bolsonaro é, digamos, o escancaramento do caráter militar de seus programas: enquanto esse defende as FFAA como personagem principal de suas realizações,  aqueles a colocam como forças auxiliares de meritocratas mercantis.

Logo, não existe terceira via e sim uma disputa pela liderança do título de carrasco do povo brasileiro.

O mesmo Doria que soca a própria mão para lacrar “Toma, Bolsonaro!” é o mesmo que foi eleito governador em aliança eleitoral com o nazi-presidente no segundo turno das últimas eleições presidenciais.

Uma clara demonstração de quem estará com quem na hora do frigir dos ovos.

De nossa parte, sem ilusões.

(*) Lucas Rafael Chianello é advogado, jornalista e membro da DEAE MG.

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