Por Valter Pomar (*)

Amanhecer do dia 11 de novembro.

Café antes do trabalho.

Leitura das mensagens.

Duas encabeçam a lista.

Uma, enviada por uma petista indignada com a pressão psolista nas redes sociais, traz um divertido card em que o velho Mouro pede que os petistas se unam em torno do melhor aluno de Stanislavski.

Outra, enviada por um esquerdista, que passou seus últimos 18 anos azucrinando dia e noite o PT com uma retórica haikai contra nossas “traições”, mas que agora pede “lucidez” ao Partido.

O fato é que alguns dos apoiadores da campanha Boulos dedicam a maior parte do seu tempo a assediar o voto dos eleitores petistas.

Ou seja: do voto de quem, hoje, já se decidiu a votar em Tatto.

Os argumentos são variados.

Mas a prioridade é, em si mesma, um equívoco total.

Pois o que vai decidir esta eleição, tanto no segundo quanto no primeiro turno, não é o voto dos já convertidos à esquerda.

O que vai decidir esta eleição é o voto dos que ainda não votam na esquerda.

Os que não querem ir votar, os que no momento dizem que vão votar branco, nulo, em nenhuma das candidaturas. E os que votam, por enquanto, nas diferentes candidaturas da direita.

Infelizmente, a atitude de alguns dos apoiadores da campanha Boulos é, do ponto de vista estritamente eleitoral, funcional às candidaturas da direita.

Neste sentido, ao contrário das melhores intenções, esta atitude autofágica não contribui para que tenhamos segundo turno; nem contribui para que tenhamos a esquerda no segundo turno.

Mas, claro, é uma atitude funcional do ponto de vista dos que têm como objetivo real, não o de governar São Paulo, não o de ganhar as eleições, não o de levar a esquerda ao segundo turno, mas sim o de disputar com o PT.

E o PT?

A campanha de Tatto tem como prioridade conquistar os votos do povão.

E, por isso, tem que resistir calada ao bullying diário, tanto de alguns apoiadores de Boulos, quanto de militantes que estão costeando o alambrado.

Alguns, porque no fundo resolveram fazer luta interna, na hora errada e do jeito errado.

Outros, porque se curvaram tanto à lógica institucional, que acham normal sacrificar seu partido, em nome de um suposto resultado eleitoral.

E, claro, há também os “jeniais” estrategistas, que acham que as eleições são como as partidas de xadrez que jogam contra si mesmos.

Na noite de 15 de novembro veremos o que o povão decidiu. Se haverá segundo turno, quem estará no segundo turno, qual a votação efetiva do PT.

Mas qualquer que seja o resultado, ficam duas certezas. Tem gente que vai sair melhor e maior do que entrou. E tem gente que, na ânsia de ser maior, vem se apequenando e se domesticando.

É da vida.

Swift explica.

Dia 15, vamos votar no 13. Em São Paulo, com Tatto.

(*) Valter Pomar é professor da UFABC e membro do Diretório Nacional do PT


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

Este post tem um comentário

  1. Antonio Simas barbosa

    Concordo com o artigo, acho inclusive que a eleição de domingo será o divisor de águas entre o petista raiz e o Nutella. O voto em Tatto passou a ser um ato de resistência e resistir é preciso,

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