Por Valter Pomar (*)

Há os que a exigem por variados propósitos, há os que a dizem já realizada, há os que a negam por diversos motivos. E há os que usam a palavra para provocar.

Polêmicas a parte, fazer ou não autocrítica não altera o passado. Mas pode alterar o futuro.

Pois o que realmente deveria estar em questão – ao menos para quem não confunde fazer autocrítica com busca de perdão – não é o reconhecimento ritual de eventuais erros passados.

O que realmente deveria estar em questão é saber se será mantida ou se será alterada, daqui para frente, a prática e a linha política de quem faz autocrítica.

É corrigindo a prática e a política que se faz a verdadeira autocrítica.

No caso específico do PT, a classe dominante, seus funcionários e mídias, quando exigem que o PT faça autocrítica, querem na verdade que o PT rompa seus vínculos com a luta nacional, democrática, popular e socialista.

Já a esquerda, quando fala da necessidade de uma autocrítica por parte do PT, é com o objetivo de defender a necessidade de uma nova estratégia, que tenha êxito onde a outra falhou: na luta pelo poder e pelo socialismo.

E os que não querem fazer autocrítica, não é porque acham que tudo foi correto, mas porque no essencial não querem mudar de estratégia. Às vezes, muito antes pelo contrário.

(*) Valter Pomar é professor de relações internacionais da UFABC (Universidade Federal do ABC) e candidato à presidência nacional do PT

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