Por Roberto Silva dos Santos (*)

Vivemos um cenário de ataques aos direitos sociais e trabalhistas patrocinado pela coalizão golpista que, no momento, tem a frente o Governo Bolsonaro. Essa coalizão visa conduzir o país para total ausência de direitos com o crescimento do desemprego e subemprego, aumento da pobreza, da fome, da precarização das relações de trabalho, da concentração de renda e das desigualdades sociais.

É nessa realidade que enfrentamos o desmonte da organização sindical e da pulverização de nossas bases. Ao mesmo tempo, enfrentamos uma ofensiva ideológica que promove o ódio e a criminalização do movimento sindical, que nega a identidade e a solidariedade de classe, que naturaliza a discriminação e as desigualdades, ao mesmo tempo que promove o individualismo e valores conservadores.

É nessa conjuntura que o movimento sindical no Brasil precisa organizar, representar e dirigir as lutas da classe trabalhadora no sentido de construir a resistência contra nossos inimigos de classe. É urgente organizar os trabalhadores formais, informais e desempregados, ampliando a filiação à CUT, bem como filiando associações e cooperativas de trabalhadores para constituir sindicatos, conforme deliberação do 13º CONCUT. Temos papel fundamental, enquanto dirigentes sindicais, em colocar os trabalhadores em marcha, mas antes é necessário organizá-los e representá-los sindicalmente.

Entretanto é necessário, também, o esforço político dos dirigentes sindicais em construir a Unidade das Centrais Sindicais de esquerda e das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo no sentido de construir a greve geral da classe trabalhadora, ainda para o primeiro semestre de 2020, bem como implementar lutas e diálogos permanentes com os trabalhadores nos bairros, portas de fábricas, terminais de ônibus e trens para construir a resistência ao desmonte dos direitos em curso no Brasil.

A coalizão golpista que está no poder ganhou força em 2019 com aprovação da Reforma da Previdência e nós precisamos construir uma política de diálogo permanente com os trabalhadores para enfrentá-los. Quando aqui defendemos a unidade da classe trabalhadora temos a consciência que não deixaremos de ter divergências, mas o momento exige de todos os militantes de esquerda a necessidade de nos unirmos contra nossos inimigos, pois estamos em guerra e os trabalhadores de maneira geral precisa compreender em cenário.

O ano de 2020 será, também, ano eleitoral e os trabalhadores precisam construir e apresentar para a sociedade e os candidatos a nossa plataforma da classe trabalhadora com políticas que precisam ser defendidas pelas candidaturas a prefeitura e vereança durante a campanha e implementadas caso ganhem as eleições. Nosso papel é disputar a agenda dos candidatos, inclusive para diferenciá-los daqueles que se alinham com as políticas de Bolsonaro e sua coalisão golpista.

As eleições de 2020 deve ser um momento de fazer oposição global aos nossos inimigos, daí a necessidade de apresentarmos pautas de interesses da classe trabalhadora. Os trabalhadores são a maioria da população e dos eleitores e precisamos apresentar alternativas concretas.

A luta de classe está dada. Viva a CUT, Viva a Classe Trabalhadora.

(*) Roberto Silva dos Santos é presidente da CUT Sergipe

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