Página 13 repercute texto do companheiro Olavo Brandão, dirigente estadual do PT RJ e militante da Articulação de Esquerda, sobre a posição de deputados “progressistas” na votação da concessão da Medalha Tiradentes à Sergio Moro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Sérgio Moro na ALERJ: equívocos de deputados “progressistas”

Nesta quarta-feira 12 de junho, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) votou a concessão da Medalha Tiradentes à Sérgio Moro. É a maior honraria que o parlamento fluminense pode conceder a alguém. Aprovou com 26 favoráveis, 8 contrários e 5 abstenções.
Isto em meio ao escândalo das ilegalidades e conluio para perseguir, prender e tirar Lula das eleições conforme divulgou o The Intercept. Um ativismo judicial que levou o Partido da Lava-Jato a emplacar Sérgio Moro no ministério e sob o acordo de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O resultado em si não surpreende, a maioria conservadora e de direita da ALERJ foi eleita na onda bolsonarista de 2018, com muita fake news no zap via caixa 2 e muito apoio de milicianos. Também não surpreende deputados petistas Waldeck Carneiro e Zeidan e a bancada do PSOL votarem contra.
O que espanta são deputados e deputada de partidos de esquerda votarem sim ou abstenção. Por exemplo, Martha Rocha do PDT e pré-candidata a prefeita votou a favor de Moro. Carlos Minc e Renan Ferreirinha, do PSB, do pré-candidato a prefeito Alessandro Molon, se abstiveram flertando com o reacionarismo e negando história de luta por justiça e minorias. Lamentável oportunismo.
Porém, a maior estranheza, sem dúvida, é um deputado do PT, não só se abster, como garantir a votação na condição de presidente da Casa. É verdade que institucionalmente André Ceciliano tem pautado projetos de todos os setores da Alerj, e normal que o faça. Porém, por que não esperar mais um pouco para esta votação, de modo a averiguar a correção da honraria?
Alguns dirão que a abstenção do presidente faz parte do ritual do cargo, e é verdade. Mas nesta conjuntura e em se tratando do indivíduo que tornou Lula um preso político cabe um absenteísmo? Sabemos que homenagens geralmente não são objeto de maiores embates nos parlamentos.
Estamos falando de Sérgio Moro e de um período de anormalidade institucional no Brasil. Não é época para republicanismos e cretinismo parlamentar. Uma votação que diga respeito à Sergio Moro é um ato político e delimita campos político-ideológicos na sociedade brasileira.
Mais uma vez, André Ceciliano vota na contramão da esquerda, assim como o fez na privatização do Cedae e no pacote de maldados de Pezão antigamente. Não se pode esperar nada da atual maioria da Direção Estadual do PT, da qual ele faz parte. Nos cabe construir uma nova linha política e dinâmica de funcionamento partidário, conforme preconiza o recém lançado manifesto estadual Por um PT Militante e Socialista e a tese nacional Em Tempos de Guerra, A Esperança É Vermelha.

Olavo Brandão Carneiro
Membro do Diretório Estadual PT-RJ

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