Rogério Correia, deputado estadual do PT-MG

Rogério Correia

O Brasil, como se sabe, encontra-se numa crise talvez sem precedentes. Um grupo de larápios tomou o poder por um golpe de Estado e, sem a legitimidade conferida pelo voto do povo, aplica uma política que retira direitos dos trabalhadores e vende o país ao capital estrangeiro. A democracia foi vilipendiada, inicialmente pelo desrespeito à soberania do voto popular, com o golpe contra Dilma Rousseff; posteriormente, pela progressiva ocupação dos espaços políticos pela tecnocracia judiciária e policial. Um país complexo como o Brasil passou a resolver seus conflitos não pela soberania popular, mas pelos interesses da burocracia jurídica e da elite empresarial e financeira.

Um cenário desses exige a radicalização democrática. Impõe, agora mais do que nunca, a mobilização do povo através de seus sindicatos, associações, movimentos de bairro, ou até dos espaços mais espontâneos da luta. Só com mobilização popular superaremos a atual crise e conseguiremos reverter o drama de proporções épicas deixado pelo governo Temer sobre a história brasileira.

O apoio sistemático aos movimentos sociais sempre marcou meu trabalho como parlamentar. Foi assim em meus três mandatos como vereador em Belo Horizonte e nos também quatro mandatos como deputado estadual, sempre pelo PT. Não acomodar-se ou seduzir-se pelo aparato burocrático dos mandatos levou-nos a uma posição hoje reconhecida, a de mandato a serviço da mobilização.

É por isso que resolvemos tentar, este ano, a Câmara Federal. Eu e os movimentos que participam do mandato Sempre na Luta acreditamos que os próximos quatro anos (2019-2022) serão de intensa mobilização, independentemente do cenário eleitoral que se desenhar em outubro deste ano. Esse quadro exigirá sobretudo coragem e posicionamento firme.

Um dos erros, a meu ver, cometidos pelo PT nos últimos anos, e que ajudaram no triunfo do golpe, foi a pouca ênfase no embate político. Em certos momentos, e isso infelizmente às vezes se repete em governos estaduais e municipais do PT, em certos momentos damos a impressão de que basta administrar as demandas diárias da máquina estatal. Não basta, como sabemos.

A elite brasileira, com apoio de sustentáculos financeiros nacionais e sobretudo internacionais, é traiçoeira e está sempre a espera de qualquer momento para dar o bote. Não à toa, a história brasileira é tão repleta de golpes de Estado.

Por isso, nosso mandato Sempre na Luta, na Assembleia Legislativa, não foge ao embate político que a vida exige. Essa confluência entre mobilização popular e embate político devem, a meu ver, marcar um mandato efetivamente de esquerda em um parlamento, sobretudo no Brasil atual.

Por isso meu nome será apresentado ao Partido dos Trabalhadores como sugestão de candidatura a deputado federal nas eleições de 2018. Temos boas chances de sucesso. O trabalho desenvolvido nas últimas legislaturas foi de aproximação com os movimentos, no campo e na cidade. Nosso gabinete, por isso mesmo, foi sempre marcado pela intensa movimentação de trabalhadores. Isso gerou importantes focos de apoio das pessoas que reconheceram nosso trabalho, nas mais diferentes regiões do estado.

Tentei, e creio ter alcançado êxito, marcar o mandato em duas frentes de mobilização e luta: apoiamos, assim, as principais lutas de diversas categorias em Minas Gerais, notadamente a dos professores, dos trabalhadores do campo e da agricultura familiar, para citar apenas dois exemplos. Estar presente na luta diária dos trabalhadores é condição inadiável para qualquer trabalho de um parlamentar de esquerda.

Numa outra frente, mais política, não nos furtamos a sempre “mostrar a cara”. Mostrar a que viemos e o que defendemos. Por isso mesmo, o mandato é hoje reconhecido nacionalmente na luta contra os desmandos do aecismo em Minas Gerais — a política de Aécio Neves é denunciada por mim desde há muito tempo, incluindo aquele infeliz período em que o PT chegou a flertar com o aecismo no Estado (todos vão se recordar da aliança pela prefeitura de BH, por exemplo). Sempre posicionar-me frente aos grandes assuntos do Estado e do país, felizmente, trouxe ao mandato Sempre na Luta o reconhecimento de todos na esquerda.

Nossa saída da Assembleia Legislativa, após três mandatos, será compensada plenamente, pela qualidade das deputadas e deputados de esquerda que prometem chegar ao parlamento mineiro. Em todas as regiões e em diversas categorias de atuação, há praticamente uma dezena de excelentes nomes, entre mulheres e homens petistas, com plena capacidade eleitoral e principalmente de trabalho, caso sejam de fato eleitos. Tenho razões de sobra para estar muito otimista quanto a isso.Quero le

var um pouco do trabalho que desenvolvemos em Minas também para o cenário nacional. Não apenas por que há espaço para isso, o que evidencio a cada dia nas conversas com as trabalhadoras e trabalhadores mineiros — eles querem parlamentares de esquerda e da luta. Mas principalmente por que o Brasil precisa disso. Mais do que nunca necessitamos de forças de esquerda no Congresso Nacional. O Parlamento é apenas uma parte, é claro, da luta que precisamos desenvolver — mas é uma fração importante, como os 12 anos de governo Lula e Dilma nos demonstraram.

Quero ajudar nessa batalha contra os interesses daquela que talvez seja a pior elite do mundo. Estarem sempre na luta!

Rogério Correia é deputado estadual do PT-MG

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