Publicamos, a seguir, editorial do Jornal Página 13 de outubro, que pode ser baixado na íntegra aqui.

Esta edição de Página 13 traz vários textos sobre a conjuntura internacional. Os que tratam de Cuba demonstram que o imperialismo e seus aliados locais estão operando pesado. Algo que é solenemente desconsiderado por muita gente, até mesmo por gente de esquerda. De nossa parte, não temos dúvida sobre de que lado estamos: contra o imperialismo! Por falar em imperialismo, recomendamos a leitura do texto assinado por Giorgio Romano.

Concordando ou não com o que ele diz acerca das intenções de Biden, os fatos citados confirmam que se o plano Biden “der certo”, isto fortaleceria o imperialismo, o que não é bom para o Brasil. Vale lembrar que, a preços de hoje, o plano Biden pode ser substancialmente alterado pela correlação de forças interna aos EUA e interna ao Partido Democrata. Além de textos sobre os EUA e Cuba, a seção internacional também traz textos sobre Peru e China.

Sobre a conjuntura nacional, escolhemos reproduzir a resolução da direção nacional da tendência petista Articulação de Esquerda. A ideia central desta resolução é: vamos continuar nas ruas. E vamos “furar o teto” – ou seja, ampliar a mobilização- de várias formas, entre as quais convocando o companheiro Lula a participar mais da convocatória e a comparecer nos atos. Ou seja: propomos que parte da energia gasta na preparação das campanhas de 2022 seja direcionada para a mobilização. Destacamos que isto contribuirá para a própria disputa eleitoral; como temos insistido sempre, colheremos nas urnas o que plantarmos nas ruas.

Infelizmente, parte da esquerda está noutra “vibe”, operando como se a eleição de 2022 fosse… uma eleição. E não é, nem será. A extrema direita vai fazer de tudo e mais um pouco. E a direita não bolsonarista não quer Lula e o PT de volta à presidência. E nem uns, nem outros, vão respeitar quaisquer limites na luta contra nós, como bem demonstram Dória e Ciro Gomes.

Infelizmente, mesmo diante de um quadro tão difícil, setores da esquerda dão provas diárias de que não aprenderam nada. Um exemplo disto, no terreno da política, é a busca por alianças eleitorais na direita, operada como se estivéssemos em 2002. Outro exemplo disso, no terreno organizativo, é a conduta de um setor do partido na eleição dos chamados setoriais. A esse respeito, recomendamos a leitura dos textos também publicados nesta edição.

Faltam dois meses e alguns dias para o ano de 2021 terminar. A situação mundial, continental e nacional segue tremendamente instável e sempre pode acontecer algum fato novo que altere substancialmente a situação. Mas nem tudo é incerto. Tudo aponta para um 2022 de grandes batalhas políticas. Podemos vencer estas batalhas, à condição de que percebamos que não serão apenas batalhas eleitorais, por mais importantes que certas eleições possam ser.

O lado de lá sabe disso e coloca em pauta nada mais, nada menos, do que a luta contra o socialismo. O lado de cá poderia pegar carona no argumento e responder que se lutar pela soberania nacional, pelo bem estar social, pelas liberdades democráticas e pelo desenvolvimento do Brasil é socialismo, então que sejamos socialistas.

Os editores

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