Por Ana Lídia Aguiar*

 

O estado de São Paulo foi e continua sendo território de onde opera o quartel-general do golpe, da burguesia, da direita neoliberal tucana e da ameaça fascista.

O PT, ao longo de 24 anos de tucanato, não fez o enfrentamento necessário à burguesia, ao empresariado paulista e ao oligopólio da mídia.

As atitudes do PT em São Paulo contribuíram para que esses setores implantassem uma política neoliberal de sucateamento dos serviços públicos e privatizações.

Mesmo após a consolidação do golpe, a maioria do nosso partido continuou seguindo a estratégia equivocada de conciliação de classe, como se viu na aliança com o tucano Cauê Macris na eleição da presidência da Assembleia Legislativa.

Seguindo a mesma lógica, o campo majoritário do partido vinha considerando fato consumado a escolha do ex-prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, como futuro candidato ao governo do estado de São Paulo, prescindindo de qualquer discussão mais ampla sobre a tática eleitoral com o conjunto da militância.

No dia 1 de dezembro de 2017, antes mesmo de qualquer proposta de calendário ser discutida tanto pelo Diretório Nacional, quanto pelo Diretório Estadual de São Paulo, houve um grande ato de lançamento da candidatura do Marinho ao governo.

Acreditando que o fato já estava mesmo consumado, uma maioria do diretório estadual se reuniu em 10 de dezembro para votar um calendário para definição de candidaturas ao governo do estado com prazos exíguos, na tentativa de eliminar qualquer possibilidade de prévias no Estado.

Estabeleceram o prazo do dia 12 de janeiro de 2018 para apresentar as inscrições, sendo que era necessário um total de 5% de assinaturas de filiados e filiadas que votaram no último PED (para São Paulo isto quer dizer pouco mais de 5 mil assinaturas).

Por entender que esse não é o caminho e a política adotada por um partido que foi criado para transformar a vida do povo e estar ao lado da classe trabalhadora, e por entender que Luiz Marinho representa a política esgotada de conciliação de classes e não a transformação necessária e outro modelo de programa ao Estado, alguns setores da esquerda do PT, organizados em tendências (AE, DS e MS), em mandatos (dos deputados Rillo e Neder) e em movimentos sociais (sobretudo LGBTs, feministas, negros e negras, assim como sindicalistas) decidiram buscar uma alternativa ao governo do Estado de São Paulo.

Nesse sentido, o companheiro Elói Pietá, ex-prefeito da cidade de Guarulhos, foi procurado por esses setores para disputar as pré- vias do PT. Elói aceitou a construção que estava sendo proposta e entre as festas de fim de ano e o início de janeiro, foram coletadas dentro do prazo quase 8 mil assinaturas para efetivar a inscrição de sua pré-candidatura.

Acontece que um grupo impediu a realização das prévias. Tanto nas reuniões do diretório estadual, quanto da executiva, aconteceram investidas para que Elói desistisse das prévias em prol de Marinho. Na mesma linha, o Diretório estadual do PT-SP decidiu que a escolha do candidato será feita em um encontro estadual do dia 24 de março – com delegados que já foram eleitos em 2017!!! – e não em prévias. Ou seja, este grupo quer dar continuidade à política do fato consumado.

Infelizmente, o grupo que é majoritário no Diretório não percebe que as bases, ao assinarem em favor das candidaturas de Elói e Marinho, clamam por participar diretamente da construção da disputa, do programa e da tática eleitoral.

Enquanto estamos na luta contra o autoritarismo e na defesa da democracia, pelo direito de Lula sair candidato, é contraditória atitude do grupo que é maioria da direção do PT-SP, ao buscar impor uma candidatura, limando os debates e a participação da militância na tomada de decisão. Não nos iludamos: se assim estão fazendo na escolha da candidatura majoritária, também o farão na definição de programa e de tática eleitoral.

A receptividade da candidatura do Elói na base partidária reacendeu o debate e a vontade de muitas/os militantes que estavam desanimados com os métodos praticados pela maioria da direção do partido, engajaram-se nessa empreitada por entender que o que está em jogo não é apenas uma disputa eleitoral, mas é a oportunidade que temos de construir um projeto para o estado de São Paulo, para os rumos do país e do próprio PT.

Por isso os apoiadores da pré candidatura de Elói Pietá travarão o bom combate no Encontro do PT do dia 24 de março, não se descartando a apresentação de uma proposta ao encontro no sentido de que este convoque a realização das prévias.

 

* Ana Lídia Aguiar é membro do diretório estadual do PT-SP

 

Fonte: Página 13, n. 180, fev. 2018

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