Saiu a edição do Jornal Página 13 de novembro, edição n° 219. Baixe e leia a edição na íntegra aqui. A seguir, o texto editorial deste número.

Boa leitura!

Desiste quem pode!

As eleições municipais de 2020 talvez sejam as mais estranhas que o PT já tenha enfrentado, desde 1982. Eleições em tempos de pandemia e de bolsonarismo, sem coligações proporcionais e com financiamento público. E num ambiente mundial e regional extremamente dinâmico, como ficou comprovado pela vitória de Lucho Arce, na Bolívia, pela convocatória de uma Assembleia Constituinte, no Chile, e pela derrota de Trump, nos Estados Unidos.

Mas talvez o mais estranho nestas eleições seja a pressão, sobre o PT, em favor do voto útil. Dizemos que é uma pressão sobre o PT, porque outros partidos não são objeto de pressão semelhante. E, mesmo onde se dizia que a defesa do voto útil poderia supostamente beneficiar uma candidatura petista, nos últimos dias ficou claro que a destinatária real do discurso do voto útil é outra candidatura, de outro partido.

A bem da verdade, não é a primeira vez que o PT sofre este tipo de pressão. Foi assim no início de nossa trajetória, onde em nome de derrotar a direita, se pedia ao PT que abrisse mão de lançar candidaturas. Ou que as retirasse, em favor de candidaturas supostamente melhor posicionadas. Um caso célebre ocorreu na eleição de 1985, em São Paulo, disputada por Jânio Quadros, FHC e Suplicy.

Como se pode ver pelo exemplo, há diferenças entre a pressão atual e a ocorrida no passado. Mas como demonstra o exemplo do Rio de Janeiro, nas eleições 2020, quem usa o argumento do voto útil uma vez, ganha gosto e muito provavelmente usará outras vezes.

Claro que somos favoráveis a unidade da esquerda, antes do processo começar, como ocorreu em Belém e como ocorreu parcialmente em Porto Alegre e no Rio de Janeiro (em ambos casos, o PSOL não quis participar). Mas, independentemente do que dizem as pesquisas, os cálculos de viabilidade e as apostas neste ou naquele tipo de segundo turno, somos totalmente contrários à lógica que embala a proposta de voto útil. Não vamos cansar os leitores deste editorial, apresentando nossa lista de razões e motivos. Nos limitaremos a um único: um partido de esquerda que, no meio da batalha, desiste da luta por temor da derrota, nunca mais levantará a cabeça. Por isso, desiste quem pode. Quem não pode, luta.

No dia 15 de novembro, vamos cravar 13. E no dia 16 de novembro, começaremos a preparar a próxima edição do Página 13, com o balanço do primeiro turno e as diretrizes para o segundo turno.

Os editores

 

Comente!