Já está disponível a edição de junho do jornal Página 13, de número 242 ( clique aqui ). Além do editorial intitulado “Manter a guarda alta”, o jornal traz artigos sobre as eleições colombianas, as eleições no Rio Grande do Sul, os governos tucanos em São Paulo e o meio ambiente, o racismo e a violência de gênero em Campinas, o caráter de classe e de raça das vítimas da tragédia das chuvas no Pernambuco, o assassinato de Genivaldo e a violência policial, e, ainda, o texto-base para debate no 7º congresso da tendência petista Articulação de Esquerda

A seguir, publicamos o editorial.

BOA LEITURA!

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MANTER A GUARDA ALTA!

Lula segue liderando as pesquisas, Bolsonaro não consegue votos para vencer no primeiro nem no segundo turno, Ciro e a terceira via não decolam. Assim estão as coisas há muitos meses. A pergunta é: vão continuar assim? Ou devemos estar preparados para fatos extraordinários?

Poder, tudo pode acontecer. Mas em nossa opinião, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Neste sentido, nossa prioridade deve ser levar a campanha às ruas, dialogar prioritariamente com os setores populares, reforçar o desempenho das candidaturas parlamentares e majoritárias de esquerda, aprofundar o apoio ao nosso programa alternativo.

Infelizmente, setores do PT e também de outros partidos de esquerda operam noutro sentido. Seguem abrindo mão de aspectos importantes do nosso programa, recuando passo-a-passo em temas cruciais como a revogação da reforma trabalhista, da reforma da previdência e da independência do Banco Central, para ficar apenas nestes três exemplos. E seguem abrindo mão de candidaturas majoritárias do PT nos estados, muitas vezes em favor de candidaturas de centro-direita.

Não é a primeira vez na história do PT que assistimos a este tipo de operação. No curto prazo, as vezes dá certo. Mas sempre chega a hora de pagar a conta. E aí pode ser tarde demais para corrigir os erros e as concessões indevidas.

Um bom exemplo disto são as multas aplicadas pelo TSE contra nosso partido. Na prática, o TSE está tentando sufocar a nossa capacidade de fazer pré-campanha. E um dos mecanismos para isto é exigir do Partido que pague um determinado valor através de recursos oriundos da arrecadação própria. Arrecadação própria da qual temos aberto mão, há vários anos. Primeiro, com o argumento de que era mais fácil arrecadar junto ao empresariado. Depois, com o argumento de que não devíamos cobrar dos filiados. Mais recentemente, naturalizando a lógica de perdoar e dar descontos para quem deveria pagar mas não paga e deixa acumular imensas dívidas. O resultado prático é obrigar o PT a pedir recursos ao empresariado, que obviamente poderá ajudar, com o custo programático e político já conhecido.

Enfim, sem ilusões: a luta contra o bolsonarismo, contra o neoliberalismo e contra o imperialismo não terminará em outubro de 2022. Vai continuar por muito tempo, até porque mesmo se tudo correr bem e Lula for eleito, haverá em nosso governo quem defenda políticas que não tem nada que ver com os interesses da classe trabalhadora.

E não será apenas o vice: tem muito candidato a ministro querendo reviver o espírito de Palloci. Seja como for, é preciso vencer. E para vencer, guarda muito alta: até outubro, muita coisa pode acontecer.

Os editores

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