Por Adriano de Oliveira*

 

O PT-RS tenta posicionar-se na disputa eleitoral em 2018, neste momento, com o centro tático absoluto da denúncia da prisão política de Lula e na organização da campanha #LulaLivre, através da organização de comitês pela sua liberdade e pelo direito a ser candidato, aprofundando a denúncia do Golpe e do chamado a resistência e a luta pelos direitos da classe trabalhadora e do povo brasileiro sob ataque e a necessidade da revisão das medidas golpistas já implementadas por um novo governo Lula.

O esforço prioritário é de mobilização e aprofundar o quadro de polarização política com as forças de direita no RS.

Diversas pesquisas comprovaram que, mesmo no RS, em que há uma direita fascista organizada e Bolsonaro ostenta índices preocupantes de intenção de voto (cerca de 18%), Lula ainda é o preferido dos gaúchos e gaúchas tento cativo ¼ do eleitorado gaúcho e o PT recupera solidamente sua posição de partido preferido do povo gaúcho.

O jogo apenas começou, mas nossa candidatura majoritária a governador, com Miguel Rossetto (foto), já indica possibilidades (a depender, é claro, da evolução de muitos fatores) de polarizar, pelas forças de esquerda, um possível 2º turno. A única vez que um governador foi eleito no 1° turno no RS foi com Tarso Genro em 2010 e o PT-RS polariza a disputa eleitoral no estado desde 1994.

Da mesma forma, Paulo Paim mantém-se com intenção de voto para reeleger-se em uma das duas vagas em disputa.

O PT-RS tem, hoje, uma bancada estadual de 11 deputados estaduais, 07 deputados federais e 01 senador, produto da eleição anterior, onde governávamos o estado com Tarso e perdemos a eleição, no segundo turno, para uma coalisão de centro-direita capitaneada pelo PMDB.

Esta coalisão não existe mais. O atual governador Sartori sofreu derrotas importantes ao longo do ano de 2017, quando tivemos o PT na presidência da Assembleia Legislativa com o nosso companheiro deputado Edegar Pretto e perdeu parte importante de sua base de sustentação. Deve concorrer à reeleição, com o atual vice e, provavelmente o PSB e o PV já consolidados em sua coligação.

O PP tende a consolidar a candidatura a governador do deputado federal Luis Carlos Heinze, aquele latifundiário que foi o deputado federal mais votado do RS e ficou famoso com a afirmação de que negros, índios e quilombolas são “tudo que não presta”. Correndo pela extrema direita, provavelmente como o principal palanque do Bolsonaro no estado, o PP também tem uma candidatura forte ao senado, a atual senadora Ana Amélia Lemos, saída dos quadros da RBS, afiliada da rede globo no RS.

A candidatura do tucano Eduardo Leite, ex-prefeito de Pelotas, perdeu força com a consolidação da candidatura do PP e mesmo o PTB, oscila entre apoiá-lo e/ou largar candidatura própria.

Caso lance candidatura própria, o PTB ensaia o delegado da Polícia Civil Ranolfo Vieira Júnior, embora, há anos a fio o PTB tem uma tática de participar ou não de coalisões, mas sempre participar do governo de plantão. Raras vezes lançou candidato e, se o fizer, será para posiciona-se em uma negociação de segundo turno.

As candidaturas do tucano Eduardo leite, do ultraconservador Luis Carlos Heinze e do atual governador José Ivo Sartori disputam entre si que ocupará o lado direito da polarização que buscamos manter entre esquerda e direita no RS desde 94.

Partidos que também tem alguma relevância na política local, como o PPS, o PR e o PRB, hoje chamados de “noivas”, podem incidir sobre o resultado desta disputa intra corporis na direita.

Jairo Jorge (ex-prefeito de Canoas pelo PT), hoje candidato pelo PDT, aparentemente, não consegue decolar sua candidatura e ostenta baixos índices e dificuldades de romper a polarização entre esquerda e direita e na própria direita.

O PCdoB apresenta candidatura própria, Abgail Pereira, que foi nossa candidata a vice nas eleições anteriores.

O PSOL tende a reeditar Roberto Robaina como candidato. Ele e Luciana Genro são expressões do MES, a corrente interna majoritária no RS, considerada de ultraesquerda e defensora da lava jato.

Pequenos partidos ultraliberais e de direita, com Livres, Novo e DEM, tem bastante espaço na imprensa golpista, principalmente no grupos RBS (Globo), mas pouca expressão real no RS. O DEM ensaia o deputado federal Onyx Lorenzoni e o Novo um “homem do mercado” chamado Mateus Bandeira.

A Direção Estadual da AE-RS definiu por apresentar, para a chapa majoritária, a candidatura da companheira Ana Afonso, ex-deputada estadual e atual vereadora da cidade de São Leopoldo, administrada pelo nosso companheiro Ary Vanazzi, como suplente do companheiro Senador Paulo Paim.

A Direção Estadual da AE-RS definiu por apresentar, para deputado federal, a candidatura do companheiro Marcon à reeleição e as candidaturas de Edegar Pretto, de Dianefer Berté Schendaer e de Nelson Spolaor a deputados estaduais.

Marcon foi deputado estadual por três mandatos e em 2010 elegeu-se deputado federal com 100.553 votos e reelegeu-se em 2014 com 116.178 votos, tendo sido votado em 486 municípios dos 497 existentes no RS, o 5º mais votado de nossa bancada de sete deputados.

Edegar Pretto foi o mais votado de nossa bancada estadual nas duas eleições anteriores, foi líder da bancada do PT e ocupou no último ano de 2017 a presidência da Assembleia Legislativa no RS.

Dianefer Berté Schendaer é assistente social da Mitra Santa Cruz do Sul e dos movimentos sociais e pastorais do campo e da cidade na região. É uma jovem liderança em construção e uma aposta para o presente e o futuro neste desafio de sua primeira candidatura.

Nelson Spolaor foi prefeito de Sapiranga, na região do vale do Sapateiro e atualmente é segundo suplente de deputado na ALRS. Só não é deputado, dentre outros fatores, porque a bancada anterior reduziu de 13 para 11 nas últimas eleições.

 

* Adriano de Oliveira é membro do Diretório Nacional do PT

 

Fonte: Página 13, n. 186, mai. 2018

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