Por Walter Takemoto (*)

O governador Rui Costa determinou que as aulas presenciais devem começar na rede estadual de ensino no dia 26 de julho.

Sim, determinou.

Sem nenhum processo de discussão com a categoria do magistério ou articulação com as prefeituras, o Rui Costa em entrevista para a TV Bahia realizou o “comunicado” do retorno às aulas presenciais.

E Rui completou “precisamos colocar o interesse da educação e da juventude mais pobre em primeiro lugar”.

Quais interesses governador?

É responsabilidade da escola e seus profissionais garantir condições de vida, emprego e renda para a juventude pobre da Bahia, ou é do governo do estado?

E a quais interesses da educação o senhor está querendo garantir determinando o retorno das aulas sem nenhum diálogo?

E o governador ainda anunciou que professoras e professores que não retornarem para as escolas terão desconto nos salários.

E ficou por ai as medidas do governo?

Não!

Para piorar ainda mais a situação, o secretário estadual de educação, Jerônimo Rodrigues também fez o seu “anúncio”: alunos e alunas que não comparecerem as aulas a partir do dia 26/07 perderão a Bolsa Presença de R$ 150,00!

É assim que o Rui Costa diz que está defendendo os interesses da juventude pobre da Bahia? Usando o corte do auxílio de R$ 150,00 como ameaça para obrigar o comparecimento?

O único argumento que o Rui Costa utiliza para justificar essa medida é a queda na ocupação dos leitos de UTIs para Covid, abaixo de 70%.

É preciso lembrar ao governador que em janeiro desse ano a taxa de ocupação de leitos de UTIs Covid também chegou a 70% e nas semanas seguintes o país teve uma explosão de casos, chegando a superar em muito os casos de contaminação e óbitos ocorridos no ano de 2020.

Estabelecer como critério a taxa de ocupação de UTIs significa dizer que o problema da pandemia é apenas se existem ou não leitos para quem se contaminar e ter sintomas graves.

Não existe ninguém que não queira o retorno das aulas presenciais, pois uma escola só justifica sua existência quando profissionais da educação e estudantes estão presentes nela, convivendo, compartilhando conhecimentos, ensinando e aprendendo coletivamente.

No entanto, diante das mais de 500 mil mortes, em grande parte evitáveis se não estivesse na presidência um genocida, da ausência de testagens e vacinação em massa, é uma temeridade que se determine o retorno das aulas presenciais.

É ainda mais temerário quando sabemos que ao longo da pandemia pouco se fez para garantir que todas as escolas tenham condições adequadas para receber estudantes e profissionais da educação. Grande parte dos municípios baianos não possuem até hoje protocolo de biosegurança e muito menos implementaram medidas que garantissem infraestrutura adequada nas escolas.

E sabemos todos que se o governo do estado efetivamente obrigar o retorno das aulas presenciais, será seguido por grande parte dos municípios baianos.

Por tudo isso, cabe ao PT cobrar do governador Rui Costa e de seu secretário de educação que realize imediatamente negociações com os sindicatos do magistério, para que se estabeleça as medidas indispensáveis antes que se retome na rede estadual e municipais o retorno das aulas presenciais.

(*) Walter Takemoto é educador, militante do movimento social, membro da executiva do PT de Salvador.


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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