Por Página 13 (*)

Não é de hoje que a postura e as posições de Washington Quaquá, vice-presidente nacional do PT, causam perplexidade e indignação entre muitos militantes e setores do PT.

Nas eleições municipais de 2020, foi um dos principais articuladores e defensores do apoio do PT de Belford Roxo (RJ) ao prefeito Wagner Carneiro, do PSL, mais conhecido como Waguinho, para sua candidatura à reeleição no município. O prefeito é um notório e reconhecido bolsonarista, bajulador da família Bolsonaro (ver aqui ).  Apesar, dos inúmeros fatos e declarações públicas que comprovam o apoio de Waguinho ao bolsonarismo, Quaquá respondeu que o prefeito “não era um bolsonarista, mas um malandro”.

Em outra situação, quando foi convocado o primeiro ato Fora Bolsonaro de 2021, realizado no dia 29 de maio, Quaquá insultou aqueles e aquelas que se dispunham ir às ruas para lutar contra o governo genocida. A um jornal do Rio de Janeiro, Quaquá disparou:  “não pode ser a esquerda que vai dar de braços a Bolsonaro, para sair as ruas pisoteando o túmulo de mais de 450 mil mortos e abrindo covas para caber mais tantos outros”.  Vale lembrar que o ato também foi convocado pelo PT (mais detalhes, aqui ).

Em agosto deste ano, Quaquá voltou a estreitar seus vínculos com o bolsonarismo. Prestigiou e cobriu de elogios o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do qual o PT é oficialmente oposição. Afirmou que o governador é um exemplo de “capacidade de diálogo e espírito de tolerância, é um ganho imenso” e  “defensor da democracia”. Quaquá esqueceu que o governador Claúdio Castro não somente autorizou a desastrosa ação da polícia civil na favela do Jacarezinho, contrapondo-se inclusive ao STF, como comemorou os resultados da matança e o terror na comunidade. E que se trata de um governador que vem aplicando a política bolsonarista e ultraliberal ( ver aqui).

No episódio mais recente, entre tantos outros que nem mesmo foram citados aqui, Quaquá volta a ofender o Partido dos Trabalhadores. No dia 11 de novembro, o Núcleo Construção, núcleo de base no âmbito da 1ª Zonal do DM na cidade do Rio de Janeiro, promoveu um debate entre o vice-presidente nacional, Quaquá, e um membro da Executiva Estadual do PT. O debate foi realizado e gravado pela plataforma zoom reunindo 100 pessoas e outras tantas que nem mesmo conseguiram acessar.

O debate de ideias é parte da tradição do PT e da esquerda. Através dele, o PT se fortaleceu como instrumento coletivo e fortalece a sua militância de base, produzindo sínteses e construindo unidade na luta. Infelizmente, Quaquá descambou da postura enérgica na defesa de opiniões para o xingamento ao debatedor divergente. Foram diversas e reiteradas ofensas ao companheiro de debate, utilizando-se de palavrões e adjetivos que não cabe nem mesmo citá-las nesta matéria. Importante destacar que essas ofensas foram proferidas por Quaquá na condição de debatedor e na presença de dezenas de militantes petistas, quando sentiu-se contrariado pelos argumentos do outro debatedor, e estão devidamente registradas na gravação do debate.

As ofensas de Quaquá não dizem somente a outro companheiro,  mas são ofensas ao PT, ao debate e à democracia interna. Na história da esquerda brasileira e mundial, há inúmeros exemplos de que a violência física e verbal na luta política interna gera consequências trágicas.  O Estatuto do PT é bem claro, em seu artigo 231, inciso V, que é passível de penalidade, inclusive de expulsão, quando um militante utiliza-se de “ostensiva hostilidade, atitudes desrespeitosas ou ofensas graves e reiteradas a dirigentes, lideranças partidárias, à própria legenda ou a qualquer filiado ou filiada”. Foi exatamente essa a conduta de Quaquá e por isso foi encaminhada uma representação à instância partidária adequada.

A questão que fica é: até quando a maioria do Diretório Nacional irá tolerar as ofensas de Quaquá, não somente a outros militantes, mas à linha política do Partido e a seu estatuto?

(*) redacao@pagina13.org.br

 

 

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