Por Múcio Magalhães (*)

Esta é a principal questão que os diversos setores que compõem o campo democrático, popular e de esquerda no Brasil buscam responder na atual quadra política.

As respostas têm relação direta com o que cada setor defendeu e praticou na história recente, em particular os que são majoritários na esquerda brasileira há mais de vinte anos.

O PT realizou o seu sétimo congresso nacional, e a atual maioria aprovou uma tese que tem como argumento central a reafirmação do caminho das amplas alianças eleitorais para construir a derrota do governo Bolsonaro e dos candidatos do seu campo de sustentação.

No Brasil realmente existente hoje isso significa alargar as fronteiras do arco de alianças para incluir os partidos “de centro”, forma elegante de se referir a partidos golpistas, apoiadores da prisão de Lula, da eleição de Bolsonaro e das aplicação das medidas do programa ultraliberal que vem jogando a classe trabalhadora na miséria.

É o que alguns chamam de “virar a página do golpe”, reaproximar setores da direita brasileira que tenham divergências no interior da coalizão golpista e neofacista que governa o Brasil.

Este debate extrapola as fronteiras do PT, e já existe quem advogue não apenas alianças amplas, mas que o PT abra mão de seu “hegemonismo” e se disponha a apoiar candidaturas de outros partidos.

Uma tese que se baseia em premissas falsas, seja a de que o desgaste do PT tem origem principalmente nos erros do Partido, e não principalmente na pesada campanha de criminalização movida pela direita para ganhar apoio popular para o golpe e para eleger Bolsonaro; seja a defesa de que para afastar o perigo de um governo fascista, seria preciso construir um movimento para além de Bolsonaro, do PT e do PSDB, faltando apontar quais os setores da direita estão dispostos a abrir mão dos enormes ganhos proporcionados pelas medidas ultraneoliberais, em nome da democracia.

Dessa maneira a tese do caminho eleitoral como a única via para a reconquista da democracia e dos direitos da classe trabalhadora brasileira vai ganhando novas nuances, que variam de acordo com os protagonistas.

É de se perguntar: o que de fato move os governadores do PT que trabalham para que o partido não dispute as prefeituras das capitais dos seus estados? Ou quais são os reais interesses dos grupos do PT que não têm dúvidas em apoiar os candidatos dos governadores dos seus estados, em detrimento de candidaturas petistas, mesmo que bem situadas nas pesquisas?

O PT pode fazer nas eleições deste ano um processo de grande acúmulo de forças para se reposicionar nacionalmente e assumir seu lugar na linha de frente do enfrentamento ao governo Bolsonaro e tudo que ele representa. Mas certamente não avançará até este ponto, adotando uma linha política que privilegie acordos eleitorais e no interesse destes não radicalize a oposição ao governo e seu programa, abandone a possibilidade de fazer a sua própria defesa lançando candidaturas petistas e realizando alianças pela esquerda em todas as cidades onde for possível, e não faça uma campanha nacionalizada, integrando o discurso local ao nacional onde a luta pela democracia, pelos direitos tenham lugar destacado.

O PT está chamado a assumir seu lugar na luta da classe trabalhadora, que atravessa um período de enormes dificuldades. E para estar à altura desta tarefa, é fundamental mudar a orientação política, organizar a intervenção do partido nas eleições municipais deste ano com um discurso que rompa com o eleitoralismo, defenda o legado petista e aponte a necessidade de governos que façam sua parte na resistência à implantação das medidas antipopulares patrocinadas pela extrema direita a partir do governo federal.

É assumindo todas as consequências destes embates que o PT ocupará o seu lugar.

(*) Múcio Magalhães é  membro da executiva estadual do PT/PE

 

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