Por Waldemar Azevedo (*)

No dia 23/1/2020 recebi do Pará, do blogue “As Falas da Pólis – Diogenes Brandão”, informação sobre a demissão de um cargo comissionado do irmão do senador Paulo Rocha (PT), o sr. Luiz Gonzaga Galvão da Rocha, publicada no Diário Oficial do Estado de 21/1/2020, e sobre sua nomeação para outro cargo, demonstrando que a relação de setores do PT com o PMDB (Clã dos Barbalho) é carnal.

Em reunião do PT de Mogi das Cruzes (SP), realizada no mesmo dia 23/1, o presidente Alexandre Almeida nos deu a informação de que em Belém o PT havia decidido apoiar a candidatura a prefeito de Edmilson Rodrigues (PSOL),  o que me deixou animado como paraense e militante do PT e da Esquerda há 50 anos.

Essa aliança com PSOL e Edmilson é correta: é uma aliança à esquerda.

Mas o PT do Pará tem como presidente o deputado federal Beto Faro, que é um pragmático, pois negocia o apoio a emendas parlamentares com prefeituras de espectros políticos de direita, alia-se “com Deus e o Diabo”, e foi eleito no PED com ajuda dos Barbalho.

Tenho uma preocupação com essa prática que já nos levou e nos levará ao descrédito junto aos segmentos dos trabalhadores organizados, pois “ter o rabo preso” fez os deputados estaduais do PT votarem favoravelmente à reforma da Previdência do governador Helder Barbalho.

Realizamos o 7° Congresso Nacional do PT e infelizmente pouco se discutiu a política de alianças, que é estratégica para o PT ter um rumo nas eleições e nos movimentos sociais. E a nossa Direção Nacional está tardando nas resoluções a respeito.

Li um artigo sobre o movimento progressista dos “Sardinhas” na Itália (outraspalavras.net/blog/italia-a-esquerda-renasce-nas-sardinhas/), que surgiu em função das ameaças da direita contra a população da Emília Romanha (tradicional reduto da esquerda) nas eleições realizadas em 26/1/2020, e do descrédito dos partidos de esquerda, como o PCI.

Nossa esperança é ver surgir no Brasil “sardinhas”, ou “abelhas”, ou “formigas”, internamente ao PT ou na sociedade, que possam sacudir algumas estruturas do PT e assim combater a atual regressão de direitos, que até agora vem enfrentando respostas pífias. E deixar para trás certas práticas dos segmentos petistas pragmáticos.

(*) Waldemar Azevedo, secretário de Formação do PT de Mogi das Cruzes.

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