Por Valter Pomar (*)

Estamos na reta final do segundo turno.

Há segundo turno em 57 cidades.

Na maioria das cidades, a disputa se trava entre candidaturas de direita; ou entre candidaturas de centro e de direita.

Uma destas cidades é Fortaleza, onde Sarto do PDT enfrenta o bolsonarista Capitão Wagner.

Sarto é representante dos Ferreira Gomes, que consorciados com o governador Camilo (abrigado no PT, mas à serviço dos Gomes) cometeu todo tipo de ataque sórdido contra a candidatura de Luiziane Lins.

Mesmo assim, o PT nacional e o PT local decidiram apoiar Sarto no segundo turno.

Em retribuição, o senhor Cid Gomes nos deu um conselho, que pode ser lido aqui: https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/cid-gomes-ptd-pt-2022/

A bem da verdade, Cid Gomes não é o único aliado de segundo turno que precisa dos votos do PT, mas não esconde que quer muito mais do que isso.

Em 18 cidades, as forças populares estão disputando.

Esta disputa é liderada em Porto Alegre por uma candidatura do PCdoB (Manuela), em Belém e em São Paulo por candidaturas do PSOL (Edmilson e Boulos) e em 15 cidades por candidaturas do PT.

Assim como Edmilson, Manuela é apoiada pelo PT desde o primeiro turno.

Manu vem sendo vítima de ataques brutais, por parte da direita local. Mesmo assim, o PSB gaúcho não se incorporou a campanha. Talvez porque o PSB queira distância do PT, que está na vice de Manu. O PSB é comandado a partir de Pernambuco; e na batalha de Recife, os ataques do PSB contra Marília Arraes do PT estão usando armas retiradas do esgoto da extrema direita. O “curioso” é que a vice-governadora de Pernambuco é Luciana Santos, que vem a ser presidenta nacional do PCdoB, o mesmo partido de Manu, que tem sofrido ataques muito semelhantes aos que vitimam Marilia Arraes…

 Das candidaturas petistas, 2 lutam em solo baiano: Feira de Santana e Vitória da Conquista.

Neste contexto, o senador Jaques Wagner acaba de cometer elogios a um ministro do governo Bolsonaro: https://www.bnews.com.br/noticias/politica/eleicoes/288408,wagner-elogia-ministro-de-bolsonaro-durante-reuniao-com-empresarios-em-conquista.html

Ao mesmo tempo, a presidenta do PSL na Bahia disse o seguinte: https://www.bnews.com.br/noticias/politica/eleicoes/288409,dayane-pimentel-aparece-em-propaganda-do-pt-colbert-martins-nao-tera-meu-voto.html

Como se vê, um cenário que merece muita reflexão.

Uma destas reflexões, que circulou bastante em listas de zap de petistas, afirma que “ser mais bem distribuído nacionalmente é crucial para a competitividade do candidato a presidente em 2022. Os candidatos mais competitivos e os que venceram a eleição presidencial foram sempre aqueles com votações menos regionalizadas e mais nacionalizadas (…) de todos os partidos de esquerda aquele que teve a votação mais bem distribuída foi o PT: ela foi proporcionalmente maior nos lugares certos, isto é, nos cinco maiores colégios eleitorais do Brasil: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul. Enquanto os demais partidos de esquerda foram muito dependentes de poucos estados com colégios eleitorais fora dos cinco maiores do país, além da dependência de candidaturas específicas, o PT teve sua votação proporcional para prefeito distribuída de acordo com o tamanho do eleitorado de cada estado, considerando os cinco maiores”.

A cereja da reflexão está por vir: “Sob esta perspectiva, o único desbalanceamento da votação do PT foi o estado da Bahia no qual o partido obteve mais votos proporcionais do que em Minas Gerais e Rio de Janeiro. De toda maneira, a Bahia é o quarto maior colégio eleitoral do Brasil. Esse resultado reflete o domínio que o partido tem, de 16 anos, sobre o Governo da Bahia. Ademais, ele pode indicar a importância do Estado para a próxima eleição presidencial”.

Claro, a opinião acima é uma… opinião.

Outra opinião pode ser deduzida da tabela que me foi enviada pelo Felipo Bacani (UFOP), tabela que copio e colo abaixo, junto com as fontes.

Votos Prefeituras BA 1o Turno201220162020
BA1.890.288762.3651.087.034
Salvador513.350193.102228.942
Total nacional votos PT17.273.4156.843.5756.845.599

Segundo estes dados, no primeiro turno de 2020 a soma dos votos 13 para prefeitura na Bahia alcançaria 1.087.034, algo como 13,88% dos votos válidos.

E se comparamos 2020 com 2016, sem dúvida houve um belo crescimento, pois naquele ano conseguimos 762.365 votos, cerca de 9,85% dos votos válidos.

O problema é que, quando comparamos com 2012, o que era crescimento viraria queda.

Se observamos o caso de Salvador, os dados são os seguintes:

-em 2012, com uma candidatura petista, obtivemos 513.350 votos

-em 2020, com uma candidatura petista (mas recém-filiada), obtivemos 228.942 votos

Salvo engano nos dados, se os números refletem o “domínio que o partido tem, de 16 anos, sobre o Governo da Bahia”, então a conclusão é que este domínio não provocou apenas avanços.

Deve ser a tal dialética.

Quem quiser checar os dados, pode conferir aqui:

https://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/estatisticas-eleitorais

Dados 2020/2016 (“Cruzamento de dados por partido”):
https://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/estatisticas-eleitorais

Dados 2012:

http://inter04.tse.jus.br/ords/dwtse/f?p=201203:126::::::

Isto posto:

Boulos prefeito!

Marília Arraes prefeita!

Edmilson prefeito!

Manuela prefeita!

Coser prefeito!

Pela vitória do 13, também, em Juiz de Fora, Contagem, Mauá, Guarulhos, Diadema, Anápolis, Santarém, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Cariacica, São Gonçalo, Caxias do Sul e Pelotas.

(*) Valter Pomar é professor e membro do Diretório Nacional do PT


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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