Por Valter Pomar (*)

No dia 7 de setembro escrevi esta análise preliminar:

https://www.pagina13.org.br/analise-preliminar-sobre-a-batalha-do-7s/

Continuo de onde parei.

1/Nos dias que antecederam o 7 de setembro, houve uma divisão na esquerda, com um setor defendendo que a oposição de esquerda não deveria realizar manifestações.

2/Os argumentos eram variados, mas podem ser sintetizados assim: a) nossas manifestações seriam menores; b) nosso povo poderia ser agredido; c) eles poderiam usar nossa presença para forjar pretextos para um golpe; d) Bolsonaro estaria “isolado” e nossa presença faria “o jogo dele”.

3/Fatos: não há notícias de agressões dignas de nota, eles não precisam de pretextos e nossas manifestações foram menores em número de pessoas.

4/Mas era óbvio que seriam, entre outros motivos porque o bolsonarismo concentrou energias e $ em fazer dois grandes atos, enquanto o nosso lado não tinha os mesmos recursos materiais e. além disso, dispersou muita energia no debate sobre “fazer ou não fazer”.

5/Registro que na véspera e mesmo no dia havia gente defendendo estimulando o medo e dizendo que seria um erro comparecer no Grito dos Excluídos.

6/O curioso é que este comportamento – exagerar o perigo – contribui agora para produzir o sentimento oposto: minimizar o perigo.

7/Ontem alguns diziam: eles colocarão milhões armados, vai correr sangue. Como obviamente isto não aconteceria, nem aconteceu, hoje alguns dizem: “a manifestação foi um ato de desespero”, “o governo é um nada, não existe”, “então o presidente age como um golpista”.

8/O fato: se um presidente “age como um golpista” mas segue sendo presidente, então tem algo de errado não apenas na situação, mas também na análise de quem ontem exagerava e hoje subestima o perigo.

9/Neste ponto, estou totalmente de acordo com a Eliane Brum, que disse: “o sentido da manifestação de hoje [dia 7] será dado amanhã [dia 8]. Se Bolsonaro usou a máquina de Estado para fazer terror e declarou, em plena Paulista, que não cumprirá decisão do STF, e nada acontecer com ele, o golpe avança. Se Bolsonaro não for responsabilizado criminalmente e o impeachment não avançar, ele ganha. Esse é o único jogo que Bolsonaro sabe jogar. Essa é a história de Bolsonaro, sempre testando limites e pagando pra ver. Começou planejando ataque terrorista quando ainda era militar e seguiu afrontando a lei contando com a impunidade. Chegou a presidente da República. A Paulista estava cheia. É minoria? É. É bolha? É. Quem pagou? Precisamos saber. Mas daí a dizer que é um fiasco, devagar. Se Bolsonaro fez tudo isso e ficar impune, o golpe avançou”.

10/Portanto, a guerra continua. Bolsonaro não está derrotado, tem capacidade de mobilização e disposição de luta. E se movimenta em vários terrenos simultaneamente.

11/Bolsonaro combina “luta institucional” com “luta de massas”. Talvez por isso confunda um setor da esquerda, que esqueceu como se faz ou não acredita que se deva fazer tal combinação, porque “atentaria contra as instituições”…

12/Nos dois próximos textos falaremos da luta de massas e da ação institucional que Bolsonaro avisou que fará nestes dias 8 e 9 de setembro, em torno do assunto “conselho da República”.

13/Seguem convites para três atividades de balanço do dia 7 e do que virá pela frente.

(*) Valter Pomar é professor e membro do Diretório Nacional do PT

Comente!