“Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa contra a mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade, decepado
Entre os dentes segura a primavera”.

Primavera nos Dentes
Secos e Molhados
Composição de João Apolinario e João Ricardo

QUEM SOMOS NÓS?

A tese Primavera nos Dentes é construída pelas mãos e mentes de secundaristas do Brasil inteiro. Somos estudantes de ensino médio, de escolas técnicas, dos Institutos Federais, de pré-vestibulares, do magistério, do EJA e estamos presentes em Grêmios Estudantis, Uniões Municipais de Estudantes e no cotidiano das escolas e das e dos estudantes secundaristas. Nossa tese é impulsionada pela Juventude da Articulação de Esquerda e nós defendemos a unidade da Juventude do PT na UBES, em defesa do legado dos governos petistas e na luta por mais conquistas para a educação. Acreditamos que a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas deve ser uma importante ferramenta na construção de um projeto democrático e popular de educação para o nosso país, e também na disputa por outro projeto de sociedade.

Queremos edificar uma UBES que esteja presente no dia a dia das instituições de ensino, contribuindo para a construção de uma escola e ensino libertadores e que seja responsável por impulsionar grandes lutas em defesa dos direitos da classe trabalhadora e do socialismo.

Neste 43º CONUBES convocamos as e os estudantes secundaristas a reerguerem a rebeldia consequente desta entidade que é referência histórica na defesa do povo brasileiro. Que o sabor da resistência se mantenha vivo em nossas bocas e seu calor em nossos corações, que não deixemos a ofensiva deste governo desgastar nossa luta. Lembraremos da resistência à ditadura militar, da Primavera Secundarista – quando por nossas consciências plantamos a coragem e a força de saber que existimos e tomamos os espaços que são nossos por direito, em cada uma das mais de mil escolas ocupadas. Lembraremos dos Tsunamis da Educação, quando nós resistimos e impomos nas ruas a vontade do povo de proteger a educação pública brasileira.

A tese Primavera nos Dentes busca uma UBES que tenha consciência da sua trajetória e que saiba aonde podemos avançar, fazendo a luta florescer cada vez mais. Ainda que envoltos em tempestade, decepados, entre os dentes seguraremos a primavera.

VIVEMOS EM TEMPOS DE GUERRA

Vivemos tempos de guerra: guerra de ricos contra pobres, do agronegócio contra as e os camponeses, indígenas e quilombolas, de empresários contra as e os trabalhadores, de latifundiários urbanos contra o povo sem teto e da educação mercantil contra o ensino público e democrático. Guerra dos imperialistas contra as nações periféricas. Guerra do capitalismo contra a humanidade. Guerra da morte contra a vida.

Quando criminalizam o pensamento de esquerda, reprimem os movimentos sociais e as entidades estudantis, sufocam o sindicalismo, matam Marielle, prendem Lula e tentam criminalizar nossos partidos, nossos inimigos buscam inviabilizar a organização da classe trabalhadora. Frente a cada um destes desafios nossa, resposta continuará sendo lutar, lutar e lutar.

E esta luta será mais ou menos longa a depender das divisões dentro do lado de lá e, principalmente, da nossa capacidade de conscientizar, organizar e mobilizar a classe trabalhadora.

Embora o golpe de 2016, a prisão de Lula e a eleição de Bolsonaro tenham sido, fundamentalmente, ataques de uma burguesia exasperada com o avanço de políticas públicas populares, são também resultado de anos de imobilismo de nossas organizações históricas. É preciso, mais do que nunca, quebrar este ciclo. A UBES, enquanto referência histórica do movimento estudantil, deve cumprir o papel de organização e conscientização com cada estudante em cada escola, na periferia, no campo ou no centro da cidade.

Em um cenário de ascensão internacional do fascismo e do ultraliberalismo, é essencial que demos atenção às boas brigas. Nosso carro chefe não deve ser, exclusivamente, a mobilização virtual ou a venda de carteirinhas. É preciso colocar força em pautas que atingem o quotidiano das e dos estudantes e que possuem intrínseca relação ao processo de avanço deste projeto em território nacional. Alguns bons exemplos são a participação em marchas massivas em apoio à greve das e dos petroleiros e em defesa da Petrobrás, contra a implementação da Reforma do Ensino Médio e da Reforma da Previdência e, inclusive, em defesa da liberdade – definitiva – para Lula e anulação imediata de suas penas.

Vale pontuar que o motivo pelo qual a libertação do companheiro Lula não é mera panfletagem eleitoral, é em função da grande carga simbólica que sua condenação e prisão carregam: visam paralisar, amedrontar e desmoralizar a classe trabalhadora, por meio do encarceramento da figura que simboliza o que de mais avançado esta classe produziu desde os anos 1970. É por isso que a luta por Lula Livre segue inseparável do conjunto das lutas do povo brasileiro – inclusive as do movimento estudantil.

Nesse contexto, para entrar em boas brigas e garantir as vitórias necessárias, precisamos de uma entidade potente e que dê respostas à altura dos desafios que nos estão colocados: precisamos de uma UBES que segure entre os dentes a primavera!

Confira a pré-tese completa através do link: http://abre.ai/primaveranosdentes

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