Um povo sem conhecimento de seu passado histórico, origem e cultura, é como uma árvore sem raízes – Marcus Garvey

Por Lucas Bonfim* e Roberto Nery**

A educação no Brasil sempre foi alvo de ataques das elites entreguistas que pretendem adotar como projeto sucateamento da educação para vendê-la. Essa pauta vem sendo intensificada pelo golpe de 2016 e pela eleição de Jair Bolsonaro à Presidência, ambos governos que declaradamente atacam a possibilidade de uma educação mais emancipadora e menos mercadológica. Não foi à toa que uma das primeiras medidas do governo golpista de Temer foi a reforma do ensino médio, que dificulta o acesso e a permanência dos estudantes nas salas de aula.

Acabar com a educação pública, gratuita e de qualidade tem se mostrado estrutural para o governo. A justificativa é a de que os professores – sobretudo os de humanidades – seriam responsáveis por uma suposta decadência dos costumes na sociedade brasileira. Na prática, Bolsonaro e seus ministros mobilizam o chamado “combate ao marxismo cultural” para perseguir a esquerda e naturalizar narrativas autoritárias, em especial pró-ditadura militar.

Nesse início de governo, já estamos assistindo o desmonte proposto: ataque à liberdade de cátedra; demonização do debate político; desmonte da pesquisa; calúnia contra a juventude estudantil e professores; incitação ao ódio e à violência como formas de perseguição intelectual, entre outros. Destaca-se ainda o combate do governo a própria história de nosso país, visto os ataques ao estudo de História da África, de comunidades afro-brasileiras e dos povos indígenas, bem como de suas artes, religiões e literaturas; história dos movimentos sociais e da luta contra a repressão, sobretudo durante a ditadura militar; educação sexual.

Nos últimos dias, foi anunciado corte de 30% (ou mais) nos investimentos para as Universidades e Institutos Federais (IF’s), além de cortes generalizados de milhares de Bolsas da Pós Graduação (como da CAPES). Inúmeras dificuldades foram criadas para os bolsistas do Prouni quando defendeu-se que o mercado decidirá os juros do FIES, impossibilitando o desenvolvimento da educação no país. Várias universidades, inclusive, declararam que não terão recursos para manter seu funcionamento já a partir de junho deste ano, o que comprova o drama que viveremos na educação brasileira no próximo período, enquanto Bolsonaro e seu novo Ministro da Educação, Abraham Weintraub, chacotam com a população.

Os ataques, além de continuarem a rasgar a nossa constituição, negando o direito à educação aos oriundos dos setores populares, visam também diretamente a soberania nacional, através do desmonte da ciência e tecnologia, setor fundamental para o desenvolvimento de uma nação soberana.

O mercado e os detentores do poder, nunca pensaram as escolas e universidades brasileiras como algo dos trabalhadores e de suas e seus filhos, em especial os oriundos das camadas mais populares. Ser resistente a um modelo educacional crítico, democrático e popular sempre foi pauta central daqueles que detém o poder em nosso país. O que recebemos é uma educação mercadológica na lógica dos poderosos, uma educação acrítica e completamente tecnicista, que tem como função primordial criar soldados bem treinados para o famoso “mercado de trabalho” ou em tradução livre “campo de batalha do capitalismo selvagem”.

As escolas e universidades que desejamos, ao contrário da direita retrógrada, são instituições baseadas em uma educação pública, gratuita e de qualidade, baseadas num projeto democrático e popular que abrange por completo a classe trabalhadora. A educação deve ser capaz de proporcionar e incentivar a pluralidade de ideias e concepções de mundo pra dentro da sala de aula, além de promover um amplo debate político.

O projeto de educação que tem como foco tornar o jovem trabalhador um cidadão crítico não é uma utopia e depende da ação do Estado brasileiro para ser efetivada. Apenas com uma perspectiva de soberania nacional e desenvolvimento este projeto é possível. Os governos populares de Lula e Dilma mostraram que é possível democratizar a educação no Brasil, incluir os mais pobres no orçamento, popularizar o ensino e criar uma sociedade mais justa.

Frente a isso é fundamental construir a resistência, nas escolas, nas universidades e nas ruas. O dia 15 de maio, data da Greve Geral da Educação, foi um grande exemplo pra isso. Estudantes e trabalhadores deram as mãos para poder construir um movimento organizado e consequente, que paute política e tenha condições de pressionar os poderosos. Milhares de pessoas foram defender a educação brasileira, defender que não somos mercadoria e que conhecimento é fundamental para a emancipação humana. E que nos dias 30 de maio, no novo ato já convocado pela UNE, e no dia 14 de junho, data da greve geral, os movimentos sejam ainda maiores!

Os tempos de guerra estão postos, e essa guerra é contra nós, visto que Bolsonaro diz claramente que quer nos destruir por aquilo que pensamos. E precisamos estar preparados! Precisamos estar preparados enquanto entidades, enquanto organizações e principalmente enquanto classe trabalhadora! PRECISAMOS DE UMA UNE PARA TEMPOS DE GUERRA!

#UNEparaTemposDeGuerra #RumoAo57CONUNE

*Lucas Bomfim, graduando em Engenharia Química na UFS, Diretor da União Nacional dos Estudantes, da JPT e signatário da tese “UNE para Tempos de Guerra” para o 57° Congresso da UNE

**Roberto Nery, graduando em Ciências do Estado na UFMG, Diretor da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais, da JPT e signatário da tese “UNE para Tempos de Guerra” para o 57º Congresso da UNE

 

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