Por Fausto Antonio (*) 

O 20 de novembro de 2019 , por ser um arquivo, memória e arma da negrada em ação,  é artefato para  a unidade da luta contra o racismo, a violência policial , o genocídio de jovens negros e  a convulsão negro-popular  Lula Livre.

O  20 apresenta, pelas condições históricas do Golpe de Estado de 2016, condições objetivas, na unidade na luta, para um forte movimento antirracismo. O movimento pendular e exusístico tem na encruzilhada o Dia Nacional da Consciência Negra e a Convulsão negro-popular Lula Livre.

Considerando o momento e a força e o significado  do Dia Nacional da Consciência Negra,   o coletivo de negros e negras do PT Campinas organizará, com o conjunto do PT, PCO, PSOL, PCdoB, CUT, Sindicatos, Frente Brasil Popular, Movimentos Negros e de Mulheres Negras, MST e outros movimentos sociais,  um ato articulando a luta contra o racismo e Lula Livre.

O 20 de novembro, Dia  Nacional da Consciência Negra, pela sua história, força e capilaridade na sociedade brasileira, tem presença nas grandes cidades; todas com contingentes negros numérica, espacialmente e culturalmente significativos. Há ainda uma forte rede de organizações negras, entidades culturais, ligas, bandas, clubes, irmandades, quilombos e tantas outras formas de organizações políticas e culturais, que alcançam cidades grandes, medias e pequenas.

Existe no 20 de novembro um movimento articulado, pós 1978,  nos lugares e casado ou encadeado com o território nacional, que se dá com o entrelaçamento dos lugares. O entrelaçamento ou encruzilhamento dos lugares e do nacional, na unidade contra o racismo e Lula Livre, expõe claramente a ordem e produção racista do golpe de Estado realizado  pelas elites brancas brasileiras em 2016, a prisão política do ex-presidente Lula e a eleição fraudulenta de um governo racista e de extrema direita.

O contínuo de violência contra a população negra, núcleo do sistema racista à brasileira,  tem como marcos as mortes de Marielle Franco e de milhares de negros e negras em todo território nacional.

A unidade na luta contra o racismo e Lula Livre traz, além dessas duas bandeiras, os motores centrais para uma convulsão antirracismo e Lula Livre, isto é, o Golpe de Estado que derrubou a presidenta Dilma foi produzido, dirigido e executado por instituições historicamente racializadas e dominadas pelos interesses políticos brancos e de direita.

A operação Lava Jato, reconhecida pelo Juiz Gilmar Mendes (STF) como organização criminosa e partidária,  é apenas a ponta ou a lado escancarado, claro, do funcionamento, como sistema anti-pobre e anti-negro, da justiça brasileira. A operação Lava Jato não chegaria ao ponto a que chegou sem a cumplicidade e coparticipação ardilosa do sistema judiciário, notadamente do  STF; casta de brancos.  Não chegaria também sem o anti-petismo cotidiano, tenaz e persistente das empresas brancas de comunicação.

As empresas brancas de comunicação naturalizam a violência racial e notadamente a violência policial contra jovens negros. A política anti- Lula e a política anti-negro têm nas suas raízes elementos que possibilitam uma unidade conjuntural, tática,  no ato de 20 de novembro, e fundamentalmente estrutural, estratégica, para a superação do racismo e do capitalismo.

(*) Fausto Antonio é professor da Unilab, escritor da Série Cadernos Negros e autor de No Reino da Carapinha e Memória dos meus carvoeiros

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