Por Marcos Jakoby (*)

Certamente que  a nossa resistência foi um fator importante, mas não existia uma mobilização popular que tornasse a prisão algo insustentável. Então, o que foi determinante para que o mesmo STF, que há três anos cometeu uma arbitrariedade, violando uma cláusula constitucional, com o notório intuito de permitir a prisão de Lula, agora mudasse de entendimento e restabelecesse a mesma cláusula que permite Lula ser colocado em liberdade?

 A meu ver, o que pesou mais nessa decisão, pela margem mínima, foi o conflito do lado de lá. Direita “tradicional” x extrema-direita (esta última formada, sobretudo, pelo bolsonarismo e lavajatismo). Os ataques ao congresso e ao STF. E não só os ataques em discursos. Mas também a possibilidades de ações da extrema-direita, usando aparatos do Estado, contra integrantes e setores da direita. Se viram obrigados a dar uma resposta.

 Por outro lado, a Vaza Jato expôs todas as ilegalidades e crimes da Lava Jato ao grande público, inclusive de ações contra integrantes do STF (investigações ilegais), isso os deixou numa situação delicada, levou também a agirem enquanto corporação e criou uma situação em que exigiu algum grau de reação, até para terem alguma “legitimidade”.

 Por fim, creio que contou também o fato de não haver mobilizações de rua da direita que os colocasse com a “faca no pescoço”. 

A luta prossegue pela nulidade dos processos e o restabelecimento dos direitos políticos de  Lula. Mas não há como negar que a sua liberdade, mesmo nessas condições, mexe com a situação política e representa um sopro de esperança ao povo brasileiro.

(*) Marcos Jakoby é professor e militante petista

 

Este post tem um comentário

  1. Penso que é preciso levar em consideração também o contexto político atual da AL de insurgência contra o neoliberalismo em países como o Chile e Equador e as dificuldades do projeto Guedes em apontar saídas efetivas para a crise econômica na qual o Brasil está imerso.

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