Por Nicole Di Domenico Santos (*) e Nátali Di Domenico Santos (**)

O coronavírus trouxe consigo muito mais que uma doença infecciosa, evidenciou as complicações social e econômicas de um sistema econômico falho e precário.

A ampla maioria dos países da Europa tomou medidas de contenção de infecção do vírus logo nas primeiras semanas de março. Países como Itália e Espanha foram inicialmente os mais afetados pelo novo coronavírus. Hoje, nestes países a realidade já é diferente. Mas ainda há medidas restritivas rígidas para quem adentrar as fronteiras da Itália, por exemplo. No Reino Unido, as coisas mudam de figura; com um lockdown mais frouxo desde o início das medidas obrigatórias de isolamento social, a região ainda luta para manter a níveis baixos o número de contágio e controlar uma possível segunda onda de infecção; o “normal” ainda parece uma realidade distante.

Cabe destacar que na Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales foram tomadas medidas mais rígidas que as da Inglaterra, e no presente momento ainda mantém medidas de segurança mais rígidas. Alguns países da Europa conseguiram manter os casos infectados a um nível baixo, a exemplo de Portugal.

Enquanto alguns países ainda lutam para controlar o vírus dentro de suas fronteiras e outros já estão retomando atividades não essenciais em segurança, a roda da economia continua girando e é implacável à classe trabalhadora. A Europa se prepara para adentrar uma grande crise econômica e social pós-pandemia.

Na Europa, aparentemente as quarentenas rígidas estão por acabar e uma grande reabertura inicia-se gradativamente; e com isso surgem muitos questionamentos de como será o pós-pandemia, econômica e socialmente. Os líderes da União Europeia vem se reunindo para tentar construir um plano de recuperação econômica.

Vinha-se comentando que o valor do fundo de ajuda era de 750 bilhões de euros, no entanto há muito impasse e pouco consenso em relação às cláusulas do acordo. A aliança entre França e Alemanha pressiona os países membros da União Europeia para que entrem em consenso e assinem contrato ainda no mês de julho. Cabe destacar que o crédito que se busca no plano de recuperação econômico teria débito conjunto, o que desagrada os países “frugais” (Holanda, Áustria, Dinamarca e Suécia), que são países acima da média em ganhos no mercado interno.

Estes países argumentam em favor de subsídios menores e absoluta rigidez ao aprovar pagamentos, com garantia de que seja efetivamente pago. Países como Itália e Espanha – uma dupla que sofreu bastante economicamente e que tem uma perspectiva não muito auspiciosa para o futuro, não concordam com a rigidez das exigências dos países frugais.

No entanto, na manhã do dia 21 de julho, após longos dias de negociação, os 27 membros da União Europeia chegaram a um acordo. Os 750 bilhões de euros do projeto de reconstrução econômica frente à crise do novo coronavírus serão distribuídos às nações da comunidade, 390 bilhões de euros através de subsídios e 360 bilhões de euros através de empréstimos.

Os países que serão mais beneficiados com essas medidas, Itália e Espanha, são os países que mais sofreram durante a pandemia. Aliás, manchetes e coberturas internacionais sobre a situação na Itália chocaram o Brasil, mas parte dessa sensibilidade e medo instaurado pelo novo coronavírus acabou por ser suprimido ao passo que a propagação do vírus e o aumento da taxa de mortes no Brasil subia. O receio pelo futuro e o respaldo pela vida, diferentemente do vírus, não adentraram as altas esferas do governo da República.

Ainda sobre os trâmites do acordo econômico da União Europeia, algumas concessões tiveram que ser feitas, haja vista o posicionamento do grupo dos quatros países do norte europeu, a saber, Dinamarca, Holanda, Áustria e Suécia, que pontuaram questões referentes a contribuição das nações e da distribuição dos euros, visto que Itália e Espanha não são os expoentes econômicos do grupo e ao mesmo tempo, são os países que mais fortemente necessitam da reconstrução econômica. Em troca do aval, os países frugais vão ter uma diminuição do valor da sua contribuição do orçamento da União Europeia no período de 2021-2027.

Com o acordo constituído, e o novo cenário europeu se desenhando no horizonte próximo, uma certeza que temos é que de tédio não morreremos. E claro, não podemos nos furtar de mencionar no estado da arte, a nova situação do Reino Unido e as falácias improfícuas do Brexit. Mas isso, fica para um próxima pintura dos fatos.

(*) Nicole Di Domenico Santos e  (**) Nátali Di Domenico Santos são militantes do PT.

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