Por Rafael Tomyama (*)

Em diversas partes do mundo, há jovens se levantando, junto com segmentos historicamente oprimidos, marginalizados, ativistas de causas múltiplas, protagonizando movimentos de novo tipo, que questionam a ordem hegemônica, especialmente pela incapacidade de governos em deter o cataclismo climático.

Evidente que não se trata apenas da incompetência de governantes reféns de poderosos interesses econômicos e sim da estrutura de exploração capitalista levada aos estertores da autodestruição.

Mesmo os setores liberais e conservadores são obrigados a reconhecer a gravidade do quadro, decorrente da crescente industrialização, mecanização, automação e restruturação produtiva, agravado por suas políticas de “austeridade”, que capturam inclusive gestões ditas progressistas, e que não representam saídas econômicas para o encalacrado em que nos meteram.

Diante disso, a saída para a classe trabalhadora em movimento, é ir ao encontro de milhares de jovens que vão às ruas protestar diante das cúpulas dos “senhores do mundo” e do teatro das sucessivas rodadas internacionais de negociação inócuas, para apontar soluções que mesclam uma sustentabilidade ecológica radical com a medidas de justiça social, planificação econômica e socialização dos meios de produção.

Mais uma Crítica da Economia Política

A Transição ao Ecossocialismo está na ordem do dia das pautas de lutas, embora esta centralidade escape muitas vezes às organizações tradicionais engessadas e burocratizadas de partidos e sindicatos.

Na verdade, há que se fazer uma crítica política radical aos que estão capturados pela “lógica” do crescimento econômico a qualquer custo. Reproduzem os fetiches da mercadoria e do mercado e se propõem não a ser alternativa de poder popular de fato e sim tão somente gestores da crise permanente do capitalismo.

A perspectiva revolucionária da vanguarda da classe trabalhadora no mundo hoje tem que estar para além dos parâmetros cognitivos e materiais do regime burguês, para regenerar e ampliar os serviços ecossistêmicos, incidir sobre a capacidade de resiliência dos sistemas sócio-ecológicos e da saúde planetária. Com isso, permitir a salvação da Terra e das futuras gerações com um modo de produção de novo tipo: a sua superação dialética pelo Ecossocialismo!

Por um Programa Ecossocialista do PT

Não basta apenas incidir sobre a forma como se dá a distribuição das riquezas e sim atuar no modo como se configuram as organizações humanas, com foco no desenvolvimento sustentável.

Isso envolve a incorporação desde os saberes tradicionais dos povos originários até as modernas técnicas e tecnologias construtivas, em consideração das variáveis ambientais de clima, energias e biodivesidade.

Um projeto de desenvolvimento sustentável sócio-ambiental deve incorporar alternativas de inclusão social, economia circular, reciclagem, comércio justo e solidário, trabalhos verdes e redução da produção de bens e de atividades desnecessárias. Deve propiciar também a implantação progressiva e contínua de fontes de energia renováveis, em substituição aos combustíveis fósseis.

SMAD: Esperança Vermelha Para tempos de Guerra!

Diante destes desafios, precisamos de uma Secretaria Nacional do Meio Ambiente e Desenvolvimento do PT que seja mais do que a extensão da institucionalidade parlamentar. Que tenha a compreensão e disposição para se inserir nas lutas dos povos pela salvação planetária e que consiga incidir com a pauta Ecossocialista sobre a agenda política concreta das lutas sociais em curso no país.

Reconfigurar e descolonizar práticas e mentes significa retomar o sentido original holístico do bem-viver dos saberes ancestrais da Pacha-Mama, aliados ao conhecimento de ponta do século XXI, declarando guerra aos senhores da destruição para fazer as pazes com a Natureza. Lutemos juntos, numa só voz com os povos do mundo e brademos: Fora Bolsonaro, seu governo e suas políticas de morte!

(*) Rafael Tomyama é militante do PT Ceará e candidato a Secretário Nacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento do PT

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