Por Maria Da Fé Ramos Pontes (*), Marx de Jesus Lacerda (**) e Everson de Souza Moraes (***)

O Município de Parintins fica localizado à margem direita do Rio Amazonas, distante 372km da capital Manaus. Segundo o IBGE, Parintins possui uma população de 115.363 habitantes; e 69.583 eleitores, segundo TRE-AM.

O diretório municipal de Parintins aprovou candidatura própria, com flexibilidade, indicando a candidatura de Joselito Pimentel para prefeito. Mas a direção regional impôs a flexibilização: aliança com PSB, que contestamos via recurso. O Diretório Nacional respondeu que o PSB fazia parte do arco de alianças e os demais partidos da coligação não impediam a aliança. E assim foi estabelecido.

Foram aprovadas 15 candidaturas, sendo 10 homens e 5 mulheres, uma delas indígena. Mas, ainda no período das pré-candidaturas, saíram: dois, para se filiarem em um partido de direita (PSC); um, para se filiar ao PDT; e outro por dupla filiação. Acabaram indo para a aliança com a direita, convencidos de que seriam eleitos.

Nosso candidato mais votado teve 390 votos. No total tivemos 1.100 votos. O coeficiente era de 3.500 votos. Flávio Farias foi único eleito de nossa coligação. Era do PT e a direção do DM o apoiou, assim como outros filiados o apoiaram também. Inclusive um dos candidatos deixou sua candidatura para apoiar Flávio Farias.

Os 13 vereadores/as eleitos/as foram todos de partidos que apoiavam o candidato eleito do DEM, com exceção de Flávio Farias (PSD =2, REP=2, DEM=1, MDB=1,PDT=1, PL=1, PP=1, PSC=1,PSDB=1, PSL=1, SD=1).

Entre os eleitores de Parintins, 75% votaram. 25% não votaram. 4,36% anularam ou votaram em branco. Os outros transformaram seus votos em facultativos.

Os candidatos dos PT envolvidos com movimentos sociais, acreditava-se, que seriam bem votados. Mas a falta de organização do diretório e das finanças atrapalhou. Faltou também militância, pessoal trabalha mediante pagamento. Enfim, todos ocupados e/ou com pouco tempo pra fazer campanha.

Ou seja, saímos para o matadouro. E o pessoal com quem contávamos e manifestavam apoio, foi nos últimos três dias, que não se faz mais campanha. Foram nesses dias que os candidatos da direita compraram e trocavam por ranchos seus votos. E nós, sem termos mais a cultura da boca de urna. Ficamos esperando o resultado, contando com a solidariedade dos que nos garantiram votar pra continuar o trabalho social. Mas quando as urnas abriram, muita decepção.

O candidato eleito, do DEM, obteve 32.435 votos para o quarto mandato – quase consecutivo. Nossa coligação, com o PSB, alcançou 16.148 votos. E a terceira candidatura, 881 votos.

Em 2012, com candidatura própria, o PT teve mais de 6.000 votos e elegemos um vereador. Quem sabe agora poderíamos ter conquistado muito mais, se não fosse a negociação para favorecer o PSB. Porque com esta coligação, não tivemos avanço de nada. Apenas retrocessos: tanto político, quanto eleitoral.

Em 2016, também trabalhamos uma candidatura com uma frente de esquerda (PSOL, PCB,PT), mas na convenção os negociadores aprovaram coligação com MDB. Nosso coletivo criou um candidato a vereador, mas foi descartado devido a não constar sua filiação na lista do TSE. Ficamos sem fazer campanha. Nem a candidata a prefeita, nem candidatos do PT foram eleitos.

Estamos, ao que parece, começando do zero, com todo esse pessoal no partido cujo discurso é de “não radicalizar”. Se saíssemos com candidatura própria e radicalizando contra o Bolsonaro e os bolsonaristas, poderíamos ter avançado politicamente. Temos certeza de que os eleitores do PT em Parintins continuam fiéis, justamente por considerarmos os que deixaram de votar.

Viva o Partido dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil!

(*) Maria Da Fé Ramos Pontes é presidenta da Associação do Movimento de Mulheres da Amazônia (MANI) e do Conselho Municipal da Cidade de Parintins (ConCidade/PIN).

(**) Marx de Jesus Lacerda é militante da Juventude da Articulação de Esquerda (JAE-PT) de Parintins.

(***) Everson de Souza Moraes é membro do Conselho Fiscal do Diretório Municipal do PT de Parintins.


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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