Por Gabriel Silva*

Erro na correção de provas. Erro no Sisu. Mais de 41 ações questionando o processo. No mínimo 3 Universidades Federais suspendendo o resultado do processo seletivo. Nem parece que tudo isso está acontecendo no Brasil, o país que durante os governos do PT esteve numa busca incessante pelo aprimoramento da educação, para que ela fosse pública, gratuita e socialmente referenciada.

Foi durante os nossos governos que o orçamento da Educação aumentou de R$ 18,1 bilhões em 2003 para cerca de R$ 100 bilhões em 2016. É também marca dos governos petistas a democratização do Ensino Superior, graças à criação de programas de ingresso às universidades e à interiorização dessas instituições. Mas tudo parece mitigar desde que o golpe foi implantado, e a promoção social das juventudes através da educação evidentemente não está dentre as prerrogativas desse governo nefasto.

O cenário é de um governo inerte às debilidades do processo em curso, mostrando-se totalmente alheio às demandas dos pré-vestibulandos. Além da falta de transparência, a lamentável postura do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, que refez a correção da prova da filha de um apoiador que requereu através do Twitter, é uma ínfima demonstração de que a gestão Bolsonaro age em prol de poucos.

A suspensão do resultado do SiSu, e o consequente adiamento de processos como Prouni e Fies, plantam uma grande incerteza em milhares de estudantes, principalmente nos filhos da classe trabalhadora, aqueles que não possuem outras alternativas para a concretização de seus sonhos de ingresso numa Universidade senão de maneira gratuita, com a garantia de assistência estudantil, ou tendo que trabalhar enquanto pagam por uma universidade privada. Não estamos exigindo o auxílio de uma mão bondosa do governo federal, estamos exigindo um direito que passa a ser negado para muitos por conta da incompetência de poucos que não pensam no desenvolvimento através da educação.

Ademais, a rede do movimento estudantil precisa avançar ao organizar a indignação dos estudantes. Privilegiar a luta jurídica dentro desse processo é insuficiente para o que está em jogo. É preciso compreender que essa confusão não age só, ela está orquestrada em consonância com todos os outros ataques, portanto, é também um processo de ordem política, que fere conquistas históricas. Dessa forma, é preciso tornar política a indignação e a revolta que arraigam-se entre os jovens afetados em todos os rincões do nosso país.

As entidades históricas do movimento estudantil que possuem um compromisso com a democratização da educação têm a tarefa de organizar os milhares de estudantes que hoje correm o risco de não acessar a universidade. É necessário colocar as massas estudantis na rua e denunciar as irregularidades do atual Ministério da Educação através da luta popular. Garantir a lisura do processo e enquadrar o MEC para que ninguém saia prejudicado deve estar na ordem do dia de nossas reivindicações – e isso só será possível através da luta popular.

Contra o projeto de privatização e tecnicização da educação, o único caminho que nos resta é politizar e organizar os estudantes em busca de uma educação democrática e popular, uma educação que garanta o acesso, a permanência e forme os estudantes para a transformação de nossa sociedade. Aquilo que foi conquistado precisa ser preservado, mas devemos ter em mente que o que queremos é maior: uma educação universal e transformadora, e que os filhos e filhas da classe trabalhadora sigam acessando e permanecendo no ensino superior.

*Gabriel Silva é presidente da União Municipal de Estudantes Secundaristas (UMES) de Surubim (PE) e militante da JPT. Foto: Brasil de Fato

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