Por Roberto Nery (*)

Parabéns PT!

Hoje fazemos quarenta anos de muito suor e luta. Nascemos em 80, no auditório do Colégio Nossa Senhora do Sion, fomos forjados no dia a dia do trabalhador, viajamos o país inteiro dando melhores condições de vida a uma classe trabalhadora sempre esquecida nesse país. Como se esquecer das várias históricas plenárias junto aos ‘chão de fábrica’, aos religiosos, aos universitários, enfim. Assim, chegamos às outras capitais, conquistamos associações de bairro, DCEs, sindicatos, governos. Alcançamos o Planalto e transformamos a vida do povo pobre desse país. Construímos lideranças e militantes incríveis por todos esses anos, como síntese das construções que fizemos.

Fomos perseguidos. Já durante o nosso processo de fundação, muitos já haviam passado pela luta armada, pelas trincheiras das guerrilhas, e l, durante cada um desses 40 anos, vários foram caçados por aquilo que acreditamos. E no último período isso se acirrou bastante, né? Quantos foram os condenados e presos injustamente, quantos foram os que tombaram? Muitos foram difamados, como não se lembrar daquele debate de 89 ou da campanha misógina que fizeram contra a primeira presidenta desse país. Mas PT, precisamos entender claramente: o lado de lá, a classe dominante, nos definiu enquanto inimigos e quer nos destruir. E porque ainda em alguns momentos os chamamos de aliados? Precisamos mudar isso! PT, nosso aliado é a classe trabalhadora; e olha só, somos maioria.

Fomos golpeados por nossos erros, mas decidiram nos derrubar por nossos acertos. Infelizmente, por conta da política e da prática de nossas direções nos últimos anos, nos afastamos da nossa base social e não conseguimos nos defender assertivamente quando foi necessário. Vacilamos várias vezes, mas seguimos na luta e precisamos ser – juntos – transformados. Assim, precisamos de uma revolução organizativa intensa, que perpasse por cada um de nós, na condição não somente de filiadas e filiados, mas de militantes ativos; precisamos alterar nossa estratégia e tática efetivamente, e renovar politicamente nossa direção, inclusive na juventude, para ser capaz de representar a nossa classe, e principalmente trazê-la pra dentro do nosso partido – trazendo e dando espaço cada vez mais a jovens, mulheres, negras e negros e LGBTs, para não morrermos de velhice ou caducarmos; precisamos ser cada dia que passa mais PT, mas aquele PT socialista e de massas, que esteja presente no dia a dia; um PT que tenha luta eleitoral, claro, mas que tenha luta ideológica e social também.

Eu, PT, sou um jovem que nasceu com certos privilégios em nosso país – principalmente se comparado com a grande maioria de nossa população – por ter desde cedo direitos mínimos assegurados, como um bom estudo, mas que também teve que se ralar bastante para poder seguir em frente. Desde que me lembro, me coloquei para ajudar a melhorar as condições daqueles que estão próximos e talvez nem tão próximos assim, visando uma sociedade onde todos possam ter o mínimo e sejam menos explorados por aqueles que muito têm – e definitivamente, não querem dividir seus lucros.

Mas não chegaria aonde cheguei até hoje, se não fossem políticas feitas por seus governos; não estaria próximo de me tornar bacharel pela UFMG se não fosse o REUNI, por exemplo. E, assim como eu, milhares de jovens também não teriam as condições que tem hoje se não fosse por toda essa luta que fizemos. Foram milhões de pessoas que saíram do mapa da miséria, milhares que adentraram nas universidades, milhões que tiveram acesso ao básico, como luz e saneamento, enfim. Mudamos mesmo a vida das pessoas.

PT, eu tenho muito orgulho de fazer – ao menos um pouco e timidamente – de parte de sua história e de ter a oportunidade de construir o que se tornou o maior instrumento de luta da classe trabalhadora desse país, um dos maiores da América Latina e de todo o mundo. E sou muito grato por essa nossa construção ter me dado a oportunidade de lutar não somente pra sobreviver, mas lutar para viver dignamente; sou grato por ter tido a chance de conhecer várias ótimas pessoas pelo Brasil inteiro, que acreditam tanto ou mais que eu nessa construção, companheiras e companheiros que hoje chamo de amigos – inclusive os melhores que tenho.

Com isso, me sinto muito a vontade em dizer que esse é o meu partido e o quanto te amo! Mas também sinto a vontade de dizer o quanto te odeio às vezes. Na verdade nem é você, sabe, é aquilo que outros que também te constroem fazem contigo. Infelizmente, temos alguns que impedem de termos um debate franco sobre seu passado, presente e futuro; que deturpam nossa democracia interna na busca da eterna maioria e total controle; que preferem se aliar com o capital que com nossa classe.

Por isso precisamos nos transformar, PT. Precisamos retomar e renovar aquela política ideológica e de trabalho de base que nos inspirou naquele 10 de fevereiro de 1980. Precisamos ser cada vez MAIS PT! Chegamos aos 40 mudando a vida de milhões! E que venham mais 40, mais 80, mais 100! A esperança vai vencer o medo, e tenho certeza, a esperança é vermelha. Viva o Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores!

 (*) Roberto Nery é militante petista, graduando em Ciências do Estado na UFMG e compõe a executiva da JPT MG

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