Em Garanhuns, Marília Arraes fala com lideranças petistas da região. (Foto: Sérgio Bernardo/ JC Imagem)

 

Por Múcio Magalhães*

 

O PT em Pernambuco está prestes a tomar uma das mais importantes decisões da sua história. Após 12 anos sem disputar o governo estadual, o partido vai decidir no encontro estadual marcado para 12 de maio a sua tática eleitoral. A posição que anima amplos setores da base partidária e muita gente fora do PT é o lançamento de candidatura própria e de Marília Arraes, vereadora do PT Recife, como candidata a governadora.

A defesa de uma candidatura do PT para disputar o governo estadual tem suas raízes em dois aspectos. O primeiro está no fato do PSB ter desempenhado um papel destacado na articulação e na aprovação do golpe, e depois, participada da composição do governo Temer. O segundo é a desastrada gestão do governador Paulo Câmara, que detém alto grau de rejeição e baixos índices de aprovação popular.

A fragilidade do governo provocou uma forte dissidência na “nova frente popular”, base da vitória do PSB em 2014. Saiu o PSDB, o DEM, para formar com o PTB de Armando Monteiro um novo bloco oposicionista que já agrega outras siglas menores. Além destes, o MDB foi retirado do controle de Jarbas Vasconcelos e passado para Fernando Bezerra Coelho, um dos principais articuladores deste bloco de oposição de direita. Um significativo prejuízo político, eleitoral, tempo de TV, etc.

A eleição caminharia para uma disputa entre apoiadores do golpe, polarizada por Paulo Câmara apoiado pelos partidos que se mantém no governo estadual e pelo candidato do novo bloco de oposição, ainda a ser definido, com tendência a ser Armando Monteiro. O quadro foi modificado pelo crescimento do apoio a candidatura Marília Arraes, registrado em seguidas pesquisas. Apesar do desgaste a que vem sendo submetido há vários anos, o PT aparece como o portador de uma boa nova, apresentando uma alternativa que rompe com a lógica do mais do mesmo, atrai apoios fora do partido, aponta para uma perspectiva de um bom desempenho eleitoral e um indiscutível fortalecimento político no estado.

Uma situação animadora, que deveria consolidar a unidade partidária que vem sendo reconstruída desde o acordo que envolveu todas as tendências internas após o ultimo PED, restabelecendo o ambiente de debate nas instancias, construção de consensos fundamentais, entre os quais a posição de colocar o PT na oposição ao governo estadual. Mas infelizmente o partido se aproxima do encontro estadual com divisões internas.

Duas outras pré-candidaturas foram inscritas, o que esta dentro da nossa normalidade, mas lideranças e tendências passaram a defender o apoio a Paulo Câmara. Uma divergência que aparece de uma forma bem diferente da tradição do PT, pois não foi debatida publicamente e nem foi oficialmente apresentada, haja vista que encerrado o prazo para inscrição de tese que defenda apoio a candidatos de outro partido ninguém registrou esta defesa para ser debatida no encontro. Nos bastidores se alimentou o temor do isolamento, da falta de apoios, e centralmente, que Lula poderia precisar e defender esta aliança.

Aproxima-se o encontro estadual e Lula nunca fez esta defesa, o PSB nacional acena com o lançamento de candidato próprio a presidente, foi um dos últimos partidos a aderir à frente em defesa da democracia, a sua gestão continua ruim como sempre, e uma pergunta persiste. O que de verdade justifica defender uma aliança com um partido golpista, mesmo que a custo do aumento do desgaste do PT que estaria fazendo acordos incoerentes e que fatalmente o afastaria da base social que tem referencia no partido.

A resposta da Articulação de Esquerda e de todas as forças que apoiam a candidatura própria com Marília Arraes candidata do PT a governadora e apostar no debate interno, lutar para unificar o PT em torno da retomada do protagonismo de um partido que tem a tarefa histórica de fazer sua defesa, combater o golpe, mobilizar pela liberdade de Lula e organizar sua campanha a presidente da republica, e fazer destas eleições de 2018 uma batalha pela democracia e pelos direitos da classe trabalhadora. A unidade do PT com base nestas bandeiras de luta e a garantia de vitorias políticas e eleitorais em Pernambuco e no Brasil.

É a hora da verdade, vamos à luta!

 

* Múcio Magalhães integra a comissão executiva estadual do PT em Pernambuco

 

Fonte: Página 13, n. 186, mai. 2018

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