Por Fepal (Federação Árabe Palestina do Brasil)

Lacombe insinuou que traficantes nas comunidades cariocas fariam “como os palestinos” ao colocar a população inocente na linha de frente dos confrontos.

Leviano e tendencioso o comentário sobre a Palestina proferido pelo jornalista Luís Ernesto Lacombe no programa Aqui na Band de segunda-feira (23). Ao comentar o caso do assassinato da menina Ághata Félix, Lacombe insinuou que os traficantes nas comunidades cariocas, para se defenderem, fariam “como os palestinos”, ao colocar na linha de frente dos confrontos a população inocente.

Como profissional da imprensa e cidadão, por óbvio, o jornalista tem todo o direito de cobrar a apuração do caso, mas é de uma irresponsabilidade tremenda usar um argumento tão falacioso para defender uma posição pessoal eivada de preconceito. O jornalista não apenas insultou os milhares de palestinos da diáspora que vivem no Brasil, como demonstrou profundo desconhecimento da realidade da Palestina.

Com uma das máquinas de guerra mais sofisticadas do mundo, o Estado de Israel há décadas impõe severas restrições discriminatórias à população palestina. Civis inocentes – homens, mulheres, idosos e crianças – têm diariamente seus direitos mais básicos violados, com restrições de acesso às suas terras e a serviços como água, eletricidade e assistência médica. Israel já foi inúmeras vezes acusado pelos organismos internacionais por crimes de guerra e crimes contra a humanidade; os mais recentes pelo extermínio programado de manifestantes em Gaza.

Culpar – genericamente – a população palestina pela morte de inocentes em confrontos armados é quase como dizer que a família de Ágatha é a verdadeira responsável pela morte da menina. Sabemos que áreas de conflito, sejam comunidades no Rio de Janeiro ou na Palestina ocupada – resguardadas especificidades históricas e sociais –, são territórios de violência, marcados pela impunidade. É justamente por isso que nós, da Federação Árabe Palestina do Brasil – FEPAL, sempre nos posicionaremos ao lado do povo e de seu direito de exigir justiça, seja através da pressão aos órgãos competentes ou da resistência.

Em tempos de tamanho descrédito do jornalismo, torna-se ainda maior a responsabilidade dos profissionais de imprensa em relação à apuração dos fatos que noticiam e das opiniões que emitem. O comentário de Lacombe – repetimos – foi leviano e insensato, mas felizmente não representa a posição adotada pela maioria dos veículos brasileiros de comunicação, que tratam com o mínimo de distanciamento, ainda que com algum desequilíbrio, esse tema.

Para nós, é lamentável ter de associar um caso hediondo como o de Ághata Félix para defender a legitimidade da luta palestina, mas não podemos deixar que distorções factuais como essa, com seu imenso potencial de difusão, passem despercebidas por parte da opinião pública. Antes de acusar a população palestina de terrorista, é preciso se informar sobre a realidade do conflito causado pela ocupação israelense da Palestina. Há vasto material disponível na internet, de fontes confiáveis.

Os mais sinceros sentimentos de todos nós da FEPAL aos familiares da menina Ágatha. Sabemos que não há Justiça capaz de trazer de volta os nossos mortos, mas confiamos ao rigor da lei e à sensibilidade das autoridades um futuro mais pacífico para os nossos povos, aqui no Brasil e na Palestina.

Texto publicado originalmente em www.fepal.org.br

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