por Ary Vanazzi*

A atual conjuntura política requer de nós, da esquerda, atitude, consciência da realidade e diálogo verdadeiro com o povo para denunciar com veemência o que esse golpe fez na vida e no bolso dos trabalhadores e trabalhadoras. A Justiça Eleitoral impugnou a candidatura de Lula, o líder que a maioria do povo brasileiro quer livre e queria eleito presidente. Independente do seu resultado, a eleição sem Lula já se configura como uma afronta à soberania popular. Portanto, foi diante de mais esta violência do golpe que Lula orientou o PT a substituir sua candidatura e pediu aos brasileiros e brasileiras que apoiem Fernando Haddad como seu candidato a presidente da República.

A gravidade do momento histórico exige que nossa indignação com esta injustiça seja transformada em muita luta e mobilização nos próximos dias, pela libertação de Lula e pela eleição de Haddad e Manuela. Nossa aliança histórica com a esquerda e os progressistas, com os movimentos populares e com o povo trabalhador é para derrotar o golpe e o programa que está destruindo o país e o nosso futuro. É na casa da família pobre e humilde que está faltando comida, saneamento básico, o mínimo para uma vida digna. Foram esses golpistas que trouxeram o desemprego, que aumentaram o gás de cozinha e a gasolina, que abandonaram a saúde pública, a educação e as políticas sociais.

Devemos sim continuar polarizando as eleições pela esquerda e reafirmando nossa luta pela liberdade de Lula e por uma mudança completa desta política econômica e social nefasta contra os mais pobres.

Nós já somos milhões de Lulas pelo Brasil e pelo mundo. Agora, também seremos milhões de Haddads que lutarão contra a entrega das nossas riquezas naturais, como o pré-sal. Seremos milhões a lutar pela revogação das medidas desse governo, como a reforma trabalhista, o congelamento dos investimentos por 20 anos, a reforma da previdência.

Nossa luta é para voltar a transformar a vida do povo, que precisa de emprego e comida na mesa. Retomar os investimentos em políticas sociais, em moradia, em educação de qualidade, em geração de emprego e renda. Retomar o nível de crescimento econômico e social e a atenção ao povo trabalhador, como no tempo dos governos Lula.

Foi nesse governo golpista do Temer que perdemos a Farmácia Popular, o ProUni, os recursos na área de saúde. Além disso, os recursos para o Bolsa Família foram reduzidos drasticamente, fazendo com que milhões de brasileiros voltassem à miséria.

Não devemos ser pautados pela agenda conservadora da extrema direita. Temer, Bolsonaro, Alckmin, Marina, Meirelles e outras candidaturas da direita estiveram juntos no golpe e na retirada de direitos da classe trabalhadora.

Frente à destruição dos nossos direitos e liberdades, Haddad e Manuela estão comprometidos com uma política externa soberana e com um plano emergencial de retomada do emprego, das políticas sociais e dos investimentos e obras públicas. Nossos municípios, independente dos partidos que estão à frente das prefeituras, não suportam mais a continuidade do congelamento dos gastos públicos imposto pelo governo golpista. Os municípios estão pagando a conta e, pior, deixando de pagar por absoluta falta de recursos.

O golpe veio a galope, como se diz aqui no Rio Grande do Sul. E aqui, a conjuntura política também nos leva a difíceis tarefas de combate e mobilização. No governo estadual, os partidários de Temer e dos golpistas conduzem uma política que só tem agravado a situação econômica e social do nosso estado. E tentam posar de novidade, de preocupados com a classe trabalhadora. Pura hipocrisia, demagogia e oportunismo eleitoral. No Rio Grande do Sul, a candidatura que realmente representa a mudança e a recuperação do Estado é a de Miguel Rossetto.

Ainda temos outros que se reivindicam como “novos”, mas que na realidade são todos aliados da cafajestada do governo Temer, apoiadores do golpe e de tudo de ruim que ele trouxe ao nosso povo pobre. Representam um retrocesso para a vida do povo trabalhador do Rio Grande do Sul. Pelo quarto mês consecutivo, por exemplo, o Rio Grande do Sul demitiu mais do que contratou trabalhadores e trabalhadoras. Segundo os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados em agosto, o RS foi o estado que mais fechou postos de trabalho no Brasil, com perda de 2.657 vagas de emprego com carteira assinada.

Em São Leopoldo, os números mostram o contrário, provando que em uma gestão séria e honesta podemos enfrentar a crise. Aqui, em julho, ficamos com o segundo melhor saldo do Estado, e já estamos em quinto lugar no ano em geração de empregos. Para reverter essa situação caótica no Estado, devemos nos mobilizar com muito entusiasmo em favor das candidaturas de Miguel Rossetto e Ana Affonso ao governo estadual, Paim e Abigail para o Senado e os candidatos e candidatas a deputado estadual e federal da nossa coligação.

Nossos adversários são poderosos e não devemos subestimá-los. As classes dominantes, o imperialismo, a mídia empresarial e os setores do sistema político e de justiça que deram o golpe farão de tudo para continuar destruindo o país e criminalizando a esquerda brasileira. Sem cair em provocação e contra o discurso do ódio e a mentira, ocupemos as ruas e as redes por um Brasil feliz de novo e um Rio Grande justo.

*Ary Vanazzi é prefeito de São Leopoldo

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