Por Valter Pomar (*)

 

Recomendo enfaticamente a leitura de um artigo publicado no dia 9 de agosto, na página eletrônica do jornal Causa Operária.

O artigo chama-se “Tamanho não é documento?” e tem como subtítulo “Os bandeirantes, o progresso e a luta contra o imperialismo”.

Assinado por Eduardo Vasco, a íntegra do artigo pode ser lida aqui:

https://www.causaoperaria.org.br/rede/dco/opiniao/colunistas/os-bandeirantes-o-progresso-e-a-luta-contra-o-imperialismo/

Para facilitar a vida, copiei e colei ao final.

Comprovando algumas semelhanças já apontadas entre o MR8 e o PCO, o título do artigo confirma a adesão do autor ao machismo leninismo.

Mas este aspecto do digamos “problema” deixo para quem é especialista neste tipo de gente que acha que “tamanho” é “documento”.

Deixarei de lado, também, o debate sobre se defumar Borba Gato foi correto ou não, do ponto de vista da luta contra Bolsonaro.

Como já expliquei em outras oportunidades, constatar que alguém é um cavernícola genocida não implica em nenhuma tática específica para combater o referido.

Várias táticas são possíveis e acumulam mais ou menos para o êxito da luta.

Vou me dedicar aqui apenas a um dos temas trazidos pelo texto de Eduardo Vasco: a bizarra tese de que defumar a estátua de Borba Gato seria um ato em defesa do imperialismo, contra “a própria nação brasileira”.

Outros aspectos da polêmica, abordarei noutro momento.

Comecemos pelo começo: qual teria sido o papel “dos bandeirantes na história nacional”?

Em resumo, a tese de Vasco é que os bandeirantes teriam contribuído para expandir nossas fronteiras, o que teria resultado num país grande, o que por sua vez é muito importante na luta contra o imperialismo.

Logo os bandeirantes e sua obra deveriam ser defendidos por quem luta contra o imperialismo.

Esta lógica – como me observou um companheiro a quem preservo o nome, para ele não ser achincalhado como “pequeno burguês” e outros epítetos que o adorável Vasco despeja sobre minha cabeça – deveria conduzir o PCO a defender a construção de estátuas para Medici, que assinou decreto alargando nosso “mar territorial” para 200 milhas marítimas.

Não vou reproduzir aqui frase-a-frase o que diz Vasco em seu texto.

Como estudei em um grupo escolar público exatamente no início dos anos 1970, quando a ditadura adotava uma retórica aparentemente nacionalista para encobrir sua submissão ao imperialismo, consigo reconhecer as digitais intelectuais presentes em frases e raciocínios que nos levam a aplaudir a colonização portuguesa e seus métodos, em nome dos resultados alcançados.

Entretanto, Vasco acha que sua posição é marxista.

E para “provar” isto, cita as posições de Marx e Engels acerca da expansão territorial dos Estados Unidos e conclui que caso a Califórnia “tivesse se mantido sob o poder do México, ela não seria muito diferente do resto do país latino, pobre e atrasado”.

Nem eu, nem Vasco nem ninguém saberia dizer o que teria acontecido se a história tivesse sido diferente.

O que sei é que aceitar o “argumento” de Vasco nos conduz inevitavelmente a defender o “papel civilizatório” do imperialismo e do colonialismo.

Não vou cansar os leitores deste texto com um debate sobre como evoluíram as posições de Marx e Engels acerca deste assunto.

Limito-me a informar que na Segunda Internacional houve confrontos imensos entre defensores e opositores do “colonialismo socialista”.

Os primeiros baseavam-se na “lógica” de Vasco. E terminaram como se sabe.

Lógica que um conhecido camarada russo chamava de “objetivismo”: começava-se reconhecendo o papel progressista do capitalismo e terminava-se fazendo a apologia do capitalismo.

Para explicar a tal “apologia”, vejamos o seguinte trecho do texto de Vasco: “Para a esquerda pequeno-burguesa, como Valter Pomar, assim como para os identitários impulsionados pelo imperialismo, a história do homem não é uma história de progresso, de desenvolvimento das forças produtivas e de constante luta de classes”.

Segundo este raciocínio, o capitalismo é um progresso em relação ao feudalismo.

Isto é verdade?

Sim, é.

Mas daí não decorre que devamos defender, aplaudir, tomar partido de tudo aquilo que os capitalistas fizeram para destruir o feudalismo.

Pois se o fizermos estaremos nos comportando como… capitalistas.

Ao invés de fazer a apologia do passado, é preciso fazer a crítica.

No caso, significa levar a sério a tese segundo a qual a história é “constante luta de classes”, luta entre explorados e exploradores, entre opressores e oprimidos, entre o colonialismo e colonizados etc.

Vasco repete a frase citada acima, mas não a toma a sério, como se vê no seguinte trecho: “Logo, um ataque à cultura e à história do Brasil ─ independentemente se essa história é “boa” ou “má”, afinal, ela é o que é, não o que gostaríamos que fosse ─ é um ataque ao povo brasileiro”.

Ou seja: segundo Vasco, atacar Borba Gato seria “um ataque à cultura e à história do Brasil”.

Por qual motivo? Porque, segundo Vasco, não importaria se essa história é “boa” ou “má”.

De fato, não importa se é “boa” ou se é “má”, termos que aliás não fazem nenhum sentido: o que importa é de que lado estamos, se dos exploradores e opressores, ou se dos explorados e oprimidos.

Por exemplo: na Roma Antiga, Vasco estaria do lado das legiões romanas, não de Spartacus?

Na “Alemanha” medieval, Vasco estaria do lado dos que massacraram a revolução camponesa?

Nos EUA, Vasco estaria do lado de Custer ou dos “Sioux”?

Quero crer que Vasco responderá de maneira “politicamente correta” estas três questões.

Então por qual motivo aqui na América Latina e no Brasil ele fica do lado dos bandeirantes?

Voltaremos ao assunto, na sequência deste texto.


(*) Valter Pomar é professor e membro do Diretório Nacional do PT

SEGUE O TEXTO CRITICADO 

Tamanho não é documento?

Os bandeirantes, o progresso e a luta contra o imperialismo

O alvo não é Borba Gato, mas a própria nação brasileira e sua luta pela emancipação – Foto: Gabriel Schlickmann

Por: Eduardo Vasco

  • Publicado em: 09/08/21 – 00:00
  • Edição nº 6461 – segunda-feira – 09/08/2021

O incêndio da estátua de Borba Gato alimentou a discussão a respeito do papel dos bandeirantes na história nacional. A esquerda pequeno-burguesa e seus pseudoativistas e pseudointelectuais louvaram a ação pseudorradical.

Como enfatizado diversas vezes por este diário e pelos órgão de imprensa do PCO, contudo, tal ação, como todas as ações dos grupos identitários, serve não para impulsionar, mas sim para sabotar a verdadeira luta dos oprimidos.

E parte essencial dessa luta é a luta contra o imperialismo. A luta de classes na época dos grandes monopólios que dominam o mundo se resume à luta entre a classe operária e esses monopólios, que formam o imperialismo. Ganha destaque a luta da classe operária dos países de capitalismo atrasado ou semicoloniais, impedidos de se desenvolverem devido justamente à dominação imperialista.

O imperialismo utiliza os grupos identitários ─ forjados nas universidades norte-americanas e europeias ─ para contribuírem com essa dominação. Os ataques contra estátuas e outros símbolos nacionais nos países atrasados, dizem os identitários, são um ataque contra a opressão. Mas esses mesmos grupos são, via de regra, financiados justamente pelos opressores imperialistas! Ao invés de lutarem contra a opressão atual ─ à qual, na verdade, eles servem ─, inventam uma falsa luta contra os alegados opressores do passado. E, para isso, usam e abusam de um discurso anacrônico.

Segundo eles, os bandeirantes seriam os piores demônios que já pisaram em solo brasileiro. Portanto, é preciso remover seus vestígios da história do Brasil, como suas estátuas. É preciso apagar a história, uma vez que ela é uma história “má”. Mas a quem serve apagar a história, seja ela “boa” ou “má”, de um país oprimido pelo imperialismo, cujo conhecimento de sua própria história é ferramenta importante para a sua libertação? Serve exatamente aos interesses de dominação imperialistas.

Se dependesse da vontade do imperialismo, não apenas a história do Brasil seria apagada (como ele tenta fazer através dos grupos identitários), mas inclusive parte de seu território deveria ser apagada do mapa. É o que o imperialismo sempre tentou fazer com a Amazônia ─ daí a ampla campanha política, diplomática e propagandística supostamente a favor do meio ambiente no Brasil.

Agora, por que os movimentos populares, a esquerda e os oprimidos historicamente sempre defenderam que a Amazônia brasileira é brasileira? Por chauvinismo? Não. Porque ela é fonte de grandes recursos naturais para o desenvolvimento do Brasil, um país pobre e atrasado. E porque, se for retirada do Brasil, irá para as mãos do imperialismo, golpeando ainda mais qualquer possibilidade de desenvolvimento e de soberania de um país oprimido.

Nesse sentido, soa um tanto ingênuo o posicionamento de um desses pseudointelectuais da esquerda pequeno-burguesa, que ignoram a luta de um país oprimido contra o imperialismo, como é o caso de Valter Pomar.

Em artigo recente, tentando refutar o posicionamento do PCO, expresso pelo presidente nacional do Partido, Rui Costa Pimenta, o dirigente da Articulação de Esquerda (corrente oportunista dentro do PT), questiona a noção de progresso e desenvolvimento econômico ─ embora se autointitule marxista!

A tese central de Pomar é que os bandeirantes foram grandes opressores (aqui não se difere dos identitários) e que (agora algo novo!) o seu trabalho para a expansão territorial do Brasil seria algo irrelevante, ou, pior ainda, condenável. Afinal, se foram monstros que não deveriam sequer ter existido, a expansão do Brasil para além do Tratado de Tordesilhas conduzida por eles também seria algo abominável.

Nosso marxista de gabinete busca ridicularizar a ideia de que, para o imperialismo, seria melhor que o Brasil fosse um país pequeno, pois mais fácil de ser dominado. Esse é o pensamento de Pomar que fica implícito quando diz que a “elite de São Paulo” ensina os “lugares comuns” de que os bandeirantes foram instrumentos de progresso e que o progresso consiste em ser grande. Pomar não concorda.

Perguntemos a ele: se o Brasil se resumisse ao Nordeste, Sudeste e metade de Goiás, ele teria o mesmo nível de desenvolvimento que tem atualmente? Por acaso o desenvolvimento não interessa aos oprimidos, mas apenas aos opressores?

Voltemos ao caso da Amazônia. Se ainda vigorasse o Tratado de Tordesilhas ─ acordado entre as coroas portuguesa e espanhola e violado pelos bandeirantes ─, Amazônia, Pantanal e o Aquífero Guarani, por exemplo, não pertenceriam ao Brasil. Talvez nem mesmo os índios brasileiros ─ tão falsamente adorados pelos identitários ─ tivessem sobrevivido, pois teriam ficado a mercê dos espanhóis, que devastaram os impérios Inca, Asteca e Maia ─ muito mais evoluídos do que os brasileiros.

Para a esquerda pequeno-burguesa, como Valter Pomar, assim como para os identitários impulsionados pelo imperialismo, a história do homem não é uma história de progresso, de desenvolvimento das forças produtivas e de constante luta de classes. Ao contrário do que pode pensar o dirigente petista, o posicionamento que apresenta em sua crítica a nossas posições não tem nada a ver com marxismo. Pelo contrário, é antimarxista.

Em artigo publicado em fevereiro de 1850 na Nova Gazeta Renana, Marx e Engels demonstram que viam como um progresso a descoberta de ouro na Califórnia e sua anexação pelos Estados Unidos ─ concretizada sete meses depois.

“Agora, após somente dezoito meses, podemos prever que essa descoberta terá muito maiores consequências do que o descobrimento da própria América. Por trezentos e trinta anos todo o comércio da Europa para o Oceano Pacífico foi conduzido por uma comovente e resignada paciência ao redor do Cabo da Boa Esperança ou do Cabo Horn. Todas as propostas de atravessar o canal do Panamá foram um desastre por causa do ciúme tacanho das nações comerciais. As minas de ouro da Califórnia foram descobertas apenas dezoito meses atrás e os americanos já construíram uma ferrovia, uma grande rota terrestre e um canal a partir do Golfo do México, navios a vapor já estão navegando regularmente de Nova Iorque ao Chagres, do Panamá a São Francisco, o comércio do Pacífico já está se concentrando no Panamá e a jornada pelo Cabo Horn já se tornou obsoleta. Um litoral que se estende por trinta graus de latitude, um dos mais bonitos e férteis do mundo e até agora pouco povoado está visivelmente se transformando em uma terra rica, civilizada e densamente povoada por homens de todas as raças, dos ianques aos chineses, dos negros aos indianos e malaios, dos criolos e mestiços aos europeus. O ouro da Califórnia está derramando em torrentes sobre a América e a costa asiática do Pacífico e está arrastando os relutantes povos bárbaros para o comércio mundial, para o mundo civilizado. Pela segunda vez o comércio mundial encontra uma nova direção. O que Tiro, Cartago e Alexandria foram na antiguidade, o que Gênova e Veneza foram na Idade Média, o que Londres e Liverpool têm sido até agora, o empório do comércio mundial ─ isso é o que Nova Iorque, São Francisco, San Juan del Norte, León, Chagres e o Panamá vão se tornar a partir de agora. O ponto focal do tráfico internacional ─ na Idade Média, a Itália; nos tempos modernos, a Inglaterra ─ é agora o sul da península norte-americana: a indústria e a riqueza de outros, que demandaram e ainda demandam uma distribuição de propriedade diferente ─ na verdade, a total abolição da propriedade privada.”

Sim, para o horror da esquerda pequeno-burguesa pseudomarxista, Marx e Engels concluíram que era uma etapa fundamental do desenvolvimento da sociedade a expansão territorial dos Estados Unidos, abocanhando parcela significativa do atrasado e miserável México. Estava-se levando o capitalismo, em sua época progressista, para além das antigas fronteiras norte-americanas. E, hoje, mesmo os identitários mais histéricos não podem negar que foi um progresso: a Califórnia é o estado mais industrializado dos EUA e se fosse um país ela teria o 5° PIB do mundo todo. Caso, no entanto, tivesse se mantido sob o poder do México, ela não seria muito diferente do resto do país latino, pobre e atrasado.

Os Estados Unidos só são a maior potência que o mundo já viu devido à sua expansão territorial. A Inglaterra só alcançou esse status por causa do império ultramarino que construiu durante séculos. O mesmo vale para os mais desenvolvidos dos países atrasados, como o próprio Brasil, a Rússia, a China ou a Índia ─ todos países territorialmente grandes e muito populosos.

A Revolução Russa abalou o mundo não apenas porque foi a primeira revolução proletária da história, mas também porque ocorreu no maior país do planeta. Graças ao seu tamanho, a Rússia (e depois a URSS) se transformou em uma ameaça para o imperialismo, influenciando diretamente as lutas operárias na Europa e na Ásia (com quem faz fronteira) e indiretamente os povos do mundo todo. Algo semelhante aconteceu com a China ─ qual a revolução mais importante, a chinesa ou a vietnamita?

Se Cuba, uma ilha de 11 milhões de habitantes, pobre e isolada, conseguiu influenciar com sua revolução os movimentos populares de todos os países oprimidos e mesmo dos países ricos, então o que poderíamos dizer caso o Brasil tivesse uma revolução parecida? O continente viria abaixo e a dominação imperialista, a nível continental e mundial, viria-se fatalmente abalada. É famosa a posição preocupada do governo dos EUA sobre a possibilidade de o Brasil se transformar “em uma nova Cuba”, o que levou o imperialismo a executar o golpe de 1964. Os EUA nunca esconderam que o País é o mais importante do continente para os próprios interesses norte-americanos. Não é o Uruguai, não é o Paraguai, não é São Cristóvão e Neves. É o gigantesco Brasil, maior e mais populoso país da América Latina.

Por outro lado, não há como ignorar os esforços do imperialismo para desmembrar os grandes países, como as já citadas Rússia e China. A desintegração da União Soviética em 15 países, da Iugoslávia em seis países, a divisão da Checoslováquia ─ bem como da Alemanha, ao final da II Guerra Mundial ─ foi uma política do imperialismo. Mesmo sem a URSS, a Rússia continua sendo um entrave para a dominação imperialista, por isso a política açougueira continua (tentativas de separar a Chechênia já levaram a guerras). A Sérvia, como coração da ex-Iugoslávia, perdeu ainda Montenegro e o Cossovo. Até 20 anos atrás, a China esteve separada de Hong Kong e Macau e ainda hoje não recuperou Taiwan.

Os imperialistas dividiram o Vietnã em dois e a luta pela reunificação foi uma das forças propulsoras da luta pela independência e pela revolução naquele país. Caso semelhante é o da Coreia, que ainda hoje permanece dividida devido à intervenção imperialista. A Guerra da Coreia foi travada pela Coreia do Norte com o objetivo de livrar o sul da invasão norte-americana e reunificar o país e até os dias atuais o estado operário norte-coreano tem como uma de suas principais bandeiras a reunificação.

Para o imperialismo, é muito mais fácil dominar um país pequeno do que um país grande. É a velha política de dividir para conquistar.

Por sua vez, os países imperialistas impedem de todas as maneiras a divisão de seus territórios. Catalunha, País Basco e Galícia na Espanha; Irlanda do Norte, País de Gales e Escócia na Grã-Bretanha ou Córsega na França e Flandres na Bélgica são conhecidos exemplos de movimentos independentistas que até hoje nunca conseguiram grandes resultados, porque esses países, todos imperialistas, não largam o osso. Sabem que a unidade territorial é peça chave para a sobrevivência da sua condição de potência imperialista. Sua desintegração territorial poderia inclusive agilizar a decomposição de todo o sistema imperialista mundial.

Mas Pomar ignora a importância da luta pela unidade nacional como parte da luta geral da classe operária nos países atrasados por sua emancipação do imperialismo e pela revolução socialista. E no caso dos países oprimidos a unidade nacional não tem o mesmo significado da “unidade nacional” apregoada por essa mesma esquerda ─ isto é, a união com a direita, com a burguesia, deixando a classe trabalhadora a reboque de seus opressores. Para os povos oprimidos, a verdadeira unidade nacional é produto da luta histórica das classes exploradas e do desenvolvimento das forças produtivas ─ em determinados períodos, produzido pelas classes exploradoras e seus representantes. A unidade nacional, aqui, é a unidade territorial do Brasil, a unidade da população que aqui vive em um território único. É uma das mais fundamentais maneiras de se resistir ao assédio incessante das potências e dos monopólios imperialistas.

Em uma época de total desintegração do regime imperialista, na qual as contradições se acentuam de maneira acelerada, fica cada vez mais aguda a polarização política entre as duas classes antagônicas: o proletariado e a burguesia. Nos países oprimidos essa polarização se torna evidente quando percebemos que essa luta é expressa pelos trabalhadores de um lado ─ que carregam atrás de si os interesses da nação, seja da pequena burguesia ou mesmo de setores da burguesia ─ e pelo imperialismo de outro lado.

Portanto, os trabalhadores, ou seja, a classe revolucionária da época imperialista, são os que tomam para si os interesses da nação oprimida, são os únicos que podem levar às últimas consequências a luta pela independência e a libertação nacional dos países atrasados. A nação brasileira, assim, pertence cada vez mais ao povo brasileiro, aos trabalhadores e demais setores oprimidos. Da mesma forma lhes pertence a cultura e a história nacionais. Logo, um ataque à cultura e à história do Brasil ─ independentemente se essa história é “boa” ou “má”, afinal, ela é o que é, não o que gostaríamos que fosse ─ é um ataque ao povo brasileiro. E, novamente, um ataque ao povo brasileiro, como um povo oprimido, um ataque ao Brasil como um país oprimido, serve única e exclusivamente aos interesses de dominação, submissão e espoliação imperialistas.

Este post tem um comentário

  1. Companheiro

    Valter, ainda esperando a explicação do porquê o PCO seria semelhante ao MR8.

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