Por Marcel Franco Araújo Farah*

 

Aproxima-se a eleição presidencial e as pessoas começam a se perguntar: em quem votar?

A maioria vota em Lula, não só pela pessoa Lula, mas pelo que ele fez e pelo que ele defende: “um país de todos”, nas palavras de seus próprios governos.

Mas há quem diga que ele não será candidato. E agora?

Percebendo esta “oportunidade” surgem vários candidatos se intitulando herdeiros de Lula. Um deles é Ciro Gomes.

Aproxima-se de Lula querendo dizer que defende as mesmas ideias, que seria um candidato de esquerda em oposição à Alckmin e Bolsonaro, da direita, elitistas, autoritários e no caso do último, fascista.

E como um camaleão que é, Ciro busca aproximações com a esquerda e seu eleitorado, pois já percebeu em suas várias tentativas eleitorais que não é bem vindo nos círculos sociais da elite pasteurizada (“à la” Judge Murow[1] e João Dória, na foto em novaiorque). Talvez pela origem cearense, que sofre enorme preconceito da elite paulista, ou por ser falastrão demais e pouco confiável em termos de acordos.

Mas Ciro não sustenta sua imagem de progressista, ou candidato de um país para todos. Uma rápida retomada de sua biografia dá a certeza de seu oportunismo. É um defensor exacerbado das privatizações, da reforma da previdência e da “flexibilização” da valorização do salário mínimo. Em 2010 era entusiasta da pré-candidatura de Aécio Neves, além de já ter sido do PSDB, PMDB, PPS e PROS (partido apoiador de Bolsonaro), antes de chegar ao PDT. Ciro é candidato da direita.

Não adianta falar que seu governo no Ceará foi bom, o que mantém sua dominação no estado até hoje, dando-lhe ares coronelistas, se nacionalmente é financiado pelo setor bancário, não se envolve com as principais lutas da esquerda (como as reformas estruturais e a própria denúncia do golpe), além de estar atuando, inclusive com vários militantes virtuais, como um abutre sobre a candidatura de Lula. Ciro não é confiável.

Mas para ter chances de receber os votos de Lula duas coisas são necessárias: Lula não ser candidato e Lula apoiá-lo como seu candidato. Mas Ciro, além de não ter sido mencionado por Lula, nem mesmo considera a prisão do petista uma fraude às eleições.

Quanto às chances de candidatura, pela jurisprudência eleitoral do país, muito dificilmente Lula não estará na urna eletrônica em outubro de 2018, a não ser que o golpismo consiga alterar esta jurisprudência, explicitando ainda mais o golpe, e exigindo maior vigor na sua denúncia. Afinal, o pior “isolamento suicida” é possibilitar a convivência com a fraude.

E o que fazer, então? A única opção para quem quer um país para todos e todas, é continuar denunciando a ilegalidade da prisão de Lula, afinal ele não cometeu crime, não é um corrupto. Não tem patrimônio incompatível com sua renda, como os corruptos Temer, Jucá, Moreira Franco, Cunha, Aécio, Collor, Cabral etc. Lula também não recebe auxílio moradia, mesmo tendo casa própria, como o Judge Murow.

Por outro lado, é cada vez mais nítido que a orquestração das elites – que nem por isso é uma conspiração – tem como objetivo obstruir qualquer chance de continuidade de um programa de esquerda como o que eles tiveram que conviver de 2003 a 2016. Neste sentido um dos objetivos do que chamamos de golpismo é impedir que Lula seja candidato, mesmo que isso custe a credibilidade, já combalida, da Justiça e da imprensa brasileira.

Mas enquanto Lula estiver encarcerado, o Brasil estará encarcerado, e somente a busca pela liberdade é saída. Logo, não há dúvidas: eleição sem Lula é fraude.

 

* Marcel Franco Araújo Farah é educador popular

 

Nota:

[1] Tradução dos termos Juiz Moro feita livremente para o inglês ver, emprestado de Paulo Henrique Amorim.

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