Por Dionilso Marcon (*)

O povo brasileiro não aguenta mais tantas mortes, fome, desemprego e desrespeito aos direitos conquistados a duras penas. O Brasil não aguenta mais tanta desfaçatez, Fake News, mentiras anunciadas e a adoção de uma política anti-povo.

Chegamos a triste realidade de 610 mil brasileiros que perderam a vida para o coronavírus, resultado de uma política de um governo negacionista, anticiência, que demorou muito para reconhecer a existência e gravidade da pandemia, que demorou muito para começar a adquirir e realizar a vacinação pelo país e que ainda permitiu que fossem feitos negócios, como revelou a CPI, durante tragédia que se abateu sobre o mundo e o país.

O Brasil não aguenta mais a disparada dos preços. Só neste ano, a gasolina já teve aumento de mais de 73% e o diesel mais de 65%, o gás de cozinha já superou os 40% de aumento e chega em alguns lugares a custar R$ 120,00. Tudo isto resultado de uma política em que a Petrobrás deve agir de acordo com os parâmetros internacionais, obter extraordinários lucros, no caso do terceiro trimestre de 2021 foi de 31 bilhões de reais. Ou seja, vale o resultado da empresa e o povo que vá “comer bolo”.

O Brasil não aguenta mais a escalada de miséria. Apenas em Porto Alegre, para citar um exemplo, já são mais de 5.700 pessoas em situação de rua, que dependem da caridade e assistência de outros para atender as suas necessidades básicas. Enquanto isto, em Brasília, o cavernícola encaminha a PEC do Calote, com o único objetivo de viabilizar um programa eleitoral para 2022, o Auxilio Brasil, substituto do Bolsa Família que exclui mais de 20 milhões do programa e desassiste quem mais precisa. E o pior de tudo isto: custou R$ 60 bilhões dos cofres públicos, liberados aos deputados aliados para aprovar a PEC do Calote.

O Brasil não aguenta mais o desmonte do serviço público. O gravíssimo erro da venda de todo o setor elétrico e, agora, da Eletrobrás, empresa que foi fundamental para a existência do Programa Luz para Todos. Junto às privatizações, a PEC 32 que acaba com a estrutura pública do serviço público no país. Cabe lembrar a profunda contradição, pois se não existisse o SUS que foi demonizado pelo genocida. A consequência da pandemia seria muito maior e o total de óbitos poderia ter ultrapassado a casa de 1 milhão de Brasileiros.

O Brasil não aguenta mais os vexames nas agendas internacionais, onde o atual mandatário é impedido de frequentar lugares, pelo simples fato de ser negacionista e não ter tomado a vacina. Alguém que nenhuma liderança internacional da bola e propõe um diálogo sério.

O Brasil precisa e está reagindo, como fez nas grandes manifestações do Fora Bolsonaro, onde centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de todo o país. Mobilizações que que devem continuar. O Brasil reage quando a justiça é refeita sistematicamente e o presidente Lula é absolvido e inocentado de todos os processos, que antes foram manipulados por Sérgio Moro e pela quadrilha de Curitiba. O Brasil reage quando o MST e a Via Campesina comemoram os 36 anos da Ocupação da Fazenda Annoni e homenageia Paulo Freire e José Alberto Siqueira, o saudoso Zecão.

O Brasil precisa levantar-se, ir para as praças e ruas, precisa construir 2021, 2022. Com um programa que volte a ganhar os corações e as mentes e que as pessoas enxerguem a esperança, pois sem ela ninguém terá futuro.

(*) Dionilso Marcon é Deputado Federal (PT/RS)

 

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