Por Natália Sena (*)

À militância da AE

Como sabem, a reunião da executiva nacional do PT não aprovou nenhuma resolução. Contudo, no dia de hoje (28/03) fui surpreendida com a divulgação de uma “nota da CEN”.

Falei no grupo do DN que a CEN não aprovou documento e que a nota deveria ser uma proposta, e o secretário-geral afirmou que tratava-se de uma “tradição do partido” divulgar notas com a síntese dos debates da CEN, sem votação.

A isso, respondi que na última reunião da executiva aprovamos uma resolução e que basta olhar o site do Partido para ver que, pelo menos desde 2012, se aprovam resoluções da executiva.

Além disso, a nota divulgada não é a síntese do debate, pois uma síntese implicaria em incluir as posições diferentes, pelo menos descrevendo que existem.

A nota proposta é a expressão de uma posição que, no debate, teve maioria, mas não foi a voto. Ou seja, passa a impressão que é algo aprovado pela instância, e não é.

Registro o imenso equívoco do método, que obviamente tem implicações políticas: não se leva uma proposta escrita para ser debatida e emendada, o debate é feito e as divergências não são levadas a voto, não se aprova um documento na reunião, e depois um atropelo desses é feito, como se houvesse um consenso na instância que permitisse a divulgação de uma nota sem prévio debate e aprovação. Sendo que não há.

O que há é uma profunda divergência, basicamente entre os que defendem que o PT diga Fora Bolsonaro e os que defendem que o PT não diga Fora Bolsonaro.

(*) Natália Sena é integrante da executiva nacional do PT

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