Por Rodrigo Poletto (*)

Foto: Lucas Leffa

É nítido o processo de desarticulação e desacumulo da Juventude do Partido dos Trabalhadores, a frente que deveria ser de massas e de organização da juventude da classe trabalhadora brasileira. Passamos por duros processos desde 2015: o pré-golpe; o golpe que retirou a presidenta Dilma Rousseff; o sucateamento dos serviços públicos, em especial da saúde e da educação com a PEC da Morte; a prisão política e injusta do companheiro Lula; a polarização política no país; a eleição de Jair Bolsonaro e seu projeto; e o avanço da política neoliberal, fascista e genocida em curso no país. Diante disso tudo, onde esteve a Juventude do PT?

A resposta é óbvia, mas indigesta: não esteve protagonizando a resistência e, ainda hoje, não está. Para entender as raízes do que nos levam ao atual cenário, é preciso resgatar o processo de desgaste da JPT enquanto frente de massas. Inicia-se esse processo com um projeto de hegemonização das direções nacional, estaduais e municipais da JPT pelo campo majoritário, o que enfraquece o debate democrático e reduz a JPT a um espaço institucionalizado, burocrático e carguista. Continua com uma secundarização da importância dada às forças – ressalto que, em especial, do campo majoritário da JPT – para essa ferramenta como espaço de debate, mobilização e organização da juventude trabalhadora brasileira. E, por fim, lembro da não realização de espaços qualificados de debate político e reorganização das direções da JPT em todos os níveis.

É nesse cenário que o campo majoritário – ressalta-se que em conflitos internos – apresenta uma proposta de 5º Congresso da Juventude do PT. Esse cenário é acrescido pela pandemia, que ceifa mais de 480 mil vidas, que nos induz a um espaço de discussão virtual, pouco mobilizador, restrito e esvaziado de debate político. A proposta, ainda mais absurda, apresenta como metodologia o whatsapp como centro da discussão e votação, reduzindo o espaço congressual a um espaço formal, onde a fraude vira regra e não a exceção.

A hipótese de realização do Congresso da JPT virtual, por si só, já é excludente. Nossa realidade social é excludente e o acesso à internet é restrito a poucos jovens do nosso país. Porém, torna-se ainda mais inconcebível tendo em vista as consequências imediatas da pandemia do coronavírus, chegando a marca de 500 mil vidas ceifadas em nosso território, e aprofundadas pela política genocida do governo Bolsonaro.

A destruição do estado brasileiro deveria ser o centro do nosso debate. A fome. O desemprego. O genocídio. A destruição dos direitos da classe trabalhadora. As formas de enfrentamento ao governo e seus aliados deveria ser o centro do nosso debate.

 

Então, qual é a proposta para superarmos esses desafios?

Nossa tônica, enquanto Juventude da Articulação de Esquerda e forças compromissadas com a história e papel da JPT, deve ser de adiamento do Congresso, para que ele aconteça de forma presencial e com a capacidade necessária para ecoar o tamanho dos nossos sonhos, dos sonhos da juventude trabalhadora.

Com isso, é importante lembrar que o calendário de vacinação acelera e prevê a população vacinada com a primeira dose até setembro e com a imunização completa até novembro. Esse fato muda a conjuntura que encontramos hoje e nos devolve a capacidade de mobilização necessária para reorganizar a frente de massas que é a JPT.

O calendário que será aprovado pelo Conselho Político da JPT deve representar a nossa capacidade de mobilização, a nossa capacidade de organização e a nossa capacidade de debate. Um calendário que se propõe a fazer isso tende a iniciar com a vacinação mais avançada, o que deve ser por meados de outubro e deve seguir até o final de 2021, nos levando às etapas estaduais e janeiro e a nacional em fevereiro. Só assim teremos a capacidade de reorganizar a JPT à altura dos desafios impostos pela conjuntura.

Defendemos um processo congressual que seja capaz de mobilizar nossa juventude para as lutas contra a fome, contra o desemprego, contra a morte e pelo Fora Bolsonaro, que impulsione a organização da Frente Brasil Popular, os Comitês Lula 2022 e os núcleos da juventude petista e, por óbvio, que aglutine e reacenda a chama da esperança para os jovens brasileiros entorno do projeto popular defendido pelo PT e encabeçado pelo companheiro Lula em 2022. Precisamos de um Congresso que nos reaproxime, nos unifique e supere o aprisionamento virtual imposto pela pandemia que vivemos. Precisamos de um Congresso que seja do tamanho dos nossos sonhos, e nossos sonhos não cabem em telas!

(*) Rodrigo Poletto é Secretário Estadual da Juventude do PT – RS e militante da JAE


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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