Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Por Roberta Calixto*

 

Passado o carnaval, agora que, como dizemos popularmente, o ano começou de verdade, o golpista Michel Temer volta a seu plano de reprimir cada vez mais a classe trabalhadora visando aumentar ainda mais os lucros das classes mais abastadas no Brasil, além, é claro, de atender a interesses internacionais e nos devolver a condição de economia subalterna.

O “Vampiro Neoliberalista” Temer, muito bem representado pela escola de samba Paraíso da Tuiuti em seu enredo deste ano, segue fazendo do Rio de Janeiro seu laboratório do golpe e seus comparsas, principalmente a mídia, seguem cumprindo papel fundamental de apoio às medidas repressivas do governo federal, na disputa pelas narrativas que justificam as medidas impopulares de Temer.

Ligar a TV durante 2 minutos é o suficiente para perceber que a narrativa midiática que está sendo construída, mais do que nunca, é a do medo. Desde o carnaval, enquanto prefeito e governador viajavam durante o maior evento do calendário na capital, o que se vê na TV, numa tentativa de desviar o foco do carnaval mais crítico dos últimos tempos, são grandes arrastões, cenas de assalto e violência generalizada, closes que a qualquer pessoa pareceria uma verdadeira praça de guerra no meio da cidade, a fim de instaurar o desespero na população. Afinal, o medo nos faz mais facilmente aceitar quaisquer medidas que possam nos proteger desse suposto pandemônio que teria se tornado a cidade do Rio de Janeiro.

Há algum tempo a situação é grave, certamente. Mas contrariando as matérias na TV, as estatísticas da polícia militar mostram que os números da violência fizeram deste um carnaval tão comum em termos de violência quanto qualquer outro, nada fora das estatísticas produzidas nos últimos anos. A quem interessa então esse cenário tão alarmante agora?

Às voltas com a aprovação da Reforma da Previdência que está sendo exigida pelos patrocinadores do golpe, Michel Temer se vê encurralado com a falta de votos favoráveis à medida na Câmara Federal, graças às movimentações da esquerda brasileira que vem ameaçando a reeleição dos deputados que aprovarem a deforma.

Entra em cena então a intervenção federal promovida por Michel Temer: colocar o exército nas ruas para parar a “onda de violência” que se abateu sobre o Rio de Janeiro.

Produções como Cidade de Deus, Tropa de Elite e, recentemente, as invasões no morro do Alemão, na Maré e na Rocinha provam que a segurança no Rio de Janeiro e no Brasil não passa de um espetáculo midiático que serve para transmitir à população uma falsa sensação de segurança que não vai à raiz dos problemas. Afinal, em que outro país no mundo existem incursões policiais televisionadas em tempo real?

Como bem disse em uma entrevista desconcertante para a Globo News a especialista em segurança pública Jaqueline Muniz, a eficiência da polícia investigativa, aquela que realmente resolve os problemas da violência e do tráfico não interessam a estes governos, afinal, não rendem votos, e, se formos de fato à raiz dos problemas, corre-se o risco de encontrarmos muitos helicópteros de cocaína e muitos filhos de juízas por aí. É mais cômodo continuar assassinando a juventude negra…

O exército, treinado pra guerra, vai pra rua fazer o trabalho de polícia que não sabe fazer, os assassinatos de civis cometidos por militares serão respondidos na justiça militar, todos justificados pela restauração da “lei e da ordem”. Cada vez mais jovens mortos e nenhuma solução real para os problemas reais: direito à educação segue sendo retirado, empregos vão sendo  precarizados, saúde vive dias de caos absoluto e os reais promotores do tráfico continuam soltos e legislando…

Os problemas no Rio de Janeiro seguem cada vez mais agudos, os servidores sofrendo com atrasos de salário, a população de rua cresce a números alarmantes e os governantes continuam se comportando como se a violência não fosse a ponta de um problema social muito mais complexo que a guerra às drogas.

E enquanto a falsa sensação segurança segue, Michel Temer colhe a popularidade das matérias jornalísticas e acumula votos para aprovar sua Deforma da Previdência.

 

* Roberta Calixto compõe a executiva estadual da Juventude do PT-RJ  e a direção estadual da tendência petista Articulação de Esquerda.

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