Por Patrick Mateus (*)

Eu não vou bater panela! Não mesmo! Eu estou cansado! Cheio de ver panelaço e ciranda servir de válvula de escape para justificar a inércia da esquerda diante da barbárie que está sendo promovida por esse governo nazifascista.

Estou cheio de ver lives ensinando a usar pronome neutro, a dizer “elu/delu/todes” e inutilidades equivalentes. Farto de ler frases de efeito, fotos com punho cerrado, ou então, militante bajulando parlamentar de esquerda e tratando político marmanjo como celebridade, servindo de vedete de deputado.

Crianças estão passando fome, pessoas estão morrendo asfixiadas por falta de oxigênio, idosos estão desnutridos, queimaduras com álcool e carvão aumentam diariamente, falta tudo no interior no país. A fome e a miséria só faz aumentar. Vivemos a iminência de uma crise humanitária sem precedentes.

A esquerda perdeu o trem da história! O povo pobre que vive nas beiradas das pilhas de lixo nos aterros sanitários não consegue mais nem engolir, pois já perdeu os dentes, que dirá falar, e nós aqui querendo ensinar pronome neutro?

Tem que falar de comida! De farinha de trigo, óleo, pé de galinha, moela, flocão de milho, de botijão de gás, do preço da energia, do arroz, do porque os miúdos de frango e gado sumiram dos mercados, do porque não tem mais osso pra vender, das terras abandonadas e improdutivas enquanto tem gente querendo um lugar pra plantar. Tem que falar dos prédios vazios nos centros das grandes cidades enquanto famílias moram em palafitas precárias sem saneamento.

O povo que pode salvar esse país da desgraça e do fascismo não tem panela pra bater não.

É lindo ver assessor de político tirando foto com punho cerrado e panela na mão, quando sabe que final do mês o salário tá garantido na conta, enquanto o povo se lasca nas mãos de bandidos como Bolsonaro e seus asseclas.

Hoje eu vou rezar e dormir. Rezar pelos meus colegas do Amazonas que estão vivendo um filme de terror, assistindo seus pacientes morrerem agonizantes em sua frente sem nada poderem fazer. Vou rezar para que eles possam viver depois disso. E vou dormir, pra ter um pouco de paz nesse inferno de pais.

(*) Patrick Mateus é enfermeiro.


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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