Por Célia Maria Vilela Tavares (*)

No dia 8 de março queremos muito mais do que felicitações, queremos equidade na representação política.

Para que isto ocorra é preciso que as mulheres participem da vida política. Sim, porque a luta pelos direitos passa pela arena das disputas eleitorais, obviamente que não somente. Mas é necessário ocupar os espaços de poder, onde predomina com muita força o poder patriarcal. Poder este que não suportou a presença de Marielle Franco; que afronta as Marias do Rosário, Fátimas, Natálias, Verônicas, Isas, Camilas, Karlas, Irinys e tantas outras que sofrem violência política de gênero. E o que fizeram com a presidenta Dilma, a primeira mulher a ocupar o principal posto de poder do país, foi um golpe político organizado pela elite brasileira com apoio do capital internacional, mas tem relação também com a cultura misógina que impera no país que visa manter a mulher numa condição de subalternidade.

Participar da vida política é uma das lutas que travo na minha vida, porque sei que é essencial para a emancipação das mulheres. E nestes tempos de ataques ultraliberais e ultraconservadores em que vivemos, é preciso reafirmar a importância do papel do Estado na garantia de políticas públicas para salvar a vida das mulheres, em particular as que mais sofrem por conta das clivagens que marcam a marginalização no Brasil. Estamos nos referindo às mulheres pobres, negras, quilombolas, indígenas, transexuais e lésbicas. Só a justiça social é capaz de derrubar as estruturas que criaram e fortalecem estas clivagens. Mas não nos iludamos, não há como lutar pela justiça social sem que tenhamos que demarcar a luta pela igualdade de gênero e a equidade na representação política. Isto significa dizer que as lutas identitárias devem fazer parte da luta de classe, não podem ser excludentes.

Esta não é uma tarefa fácil, pois da herança escravocrata e patriarcal que demarca nossa sociedade, nos acostumamos à normalizar a morte do outro. Insurgir contra esta situação demanda uma mudança de postura egocêntrica típica do capitalismo, para uma referência de coletividades, de comunidades. Dentro desta perspectiva se insere a luta das mulheres para a garantia da equidade na representação política. De minha parte reafirmo a minha disposição de participar deste movimento, como candidata que fui e poderei ser, porque entendo que a destruição da necropolítica passa, necessariamente, pelo empoderamento das mulheres.

Desse modo, é preciso seguir em frente, conforme nos ensinou Lélia Gonzales  ao afirmar que é necessário ir à luta e garantir os nossos espaços que, evidentemente nunca nos foram concedidos.

Concluo, afirmando que sigo na luta, sob a inspiração de mulheres como Dona Elza, Lélia Gonzales, Marielle Franco, Margarida Alves, Hanna Arendt, Maria Clara, Rosa Luxemburgo, Dona Antônia, Agnes Heller, Maria da Penha, Marilena Chauí, Dilma Roussef, Judith Butler, Auta Trindade, Nicole Conn, Raquel Passos, Elza Soares,  Márcia Tiburi, Elisa Lucinda, Cora Coralina, Iriny Lopes, Viviane Mosé e tantas outras que, em suas diferentes áreas de formação e atuação, nos mostram que o caminho a ser percorrido é plural e multifacetado, porém com dois compromissos básicos para quem nele quer trilhar: respeito à diversidade e compromisso com a derrubada das  estruturas do mundo da subalternidade. Eis o caminho. Vamos em frente? Convite feito. Quem vem?

(*) Célia Maria Vilela Tavares foi secretária de Educação de Cariacica (ES) de 2005 a 2012.

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