Além de golpista, Moro já era ministro de Bolsonaro

Por  Antônio Augusto (*)

Na sessão de 12 de junho de 2019, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou a concessão da Medalha Tiradentes, maior homenagem do legislativo fluminense, por 26 votos a favor, 6 contrários, e 5 abstenções a Sérgio Moro.

Entre os que votaram a favor, a deputada estadual Martha Rocha, do PDT.

Reproduzo trechos do artigo do companheiro Olavo Brandão – dirigente estadual do PT-RJ, militante da “Articulação de Esquerda”, tendência socialista do PT -, publicado no “Página 13”, em 13 de junho de 2019.

O resultado dessa votação em si não surpreende, a maioria conservadora e de direita da ALERJ foi eleita na onda bolsonarista de 2018, com muitas ‘fake news’ no zap via caixa 2, e muito apoio de milicianos. Também não surpreende deputados petistas Waldeck Carneiro e Zeidan e a bancada do PSOL votarem contra.

O que espanta são deputados e deputada de partidos de esquerda votarem sim ou abstenção.

Martha Rocha do PDT e pré-candidata a prefeita votou a favor de Moro.

Carlos Minc e Renan Ferreirinha, do PSB, do pré-candidato a prefeito Alessandro Molon, se abstiveram flertando com o reacionarismo e negando história de luta por justiça e minorias.

Porém, a maior estranheza, sem dúvida, é um deputado do PT, não só se abster, como garantir a votação na condição de presidente da Casa.

Alguns dirão que a abstenção do presidente faz parte do ritual do cargo, e é verdade. Mas nesta conjuntura e em se tratando do indivíduo que tornou Lula um preso político cabe um absenteísmo?

Estamos falando de Sérgio Moro e de um período de anormalidade institucional no Brasil. Não é época para republicanismos e cretinismo parlamentar.

Uma votação que diga respeito à Sergio Moro é um ato político e delimita campos político-ideológicos na sociedade brasileira.

Mais uma vez, André Ceciliano vota na contramão da esquerda, assim como o fez na privatização do Cedae e no pacote de maldades de Pezão“.

O  direitismo de Martha Rocha não é de hoje

É interessante Martha Rocha se dizer “progressista”, enquanto na campanha se repetem “slogans” de “chame a delegada”.

Sua primeira eleição como deputada estadual, em 2014, se deu numa sigla de aluguel da direita golpista, o PSD, hoje sigla de aluguel da base bolsonarista. Só em 2016 ela mudou de sigla, e se filiou ao PDT.

Martha Rocha concorrendo à deputada pelo PSD em 2014

A homenagem a um golpista como Moro, íntimo do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, é de 2019!, com Martha Rocha no PDT, e Moro já ministro da Justiça de Bolsonaro.

Na foto, ela aparece na campanha de 2014, pedindo inclusive votos para o golpista César Maia, do DEM, candidato que não conseguiu se eleger para o Senado. Todo este pessoal promovia então a campanha sujíssima do bandido Aécio Neves (PSDB) à presidência, que serviu de alavancagem para impedir a todo custo que Dilma, presidenta eleita, pudesse normalmente governar.

A conspiração golpista culminaria no golpe de Estado de 2016, na deposição ilegítima e sem motivo da presidenta Dilma, o que abriu caminho para o desastroso governo golpista de Temer, e a ascensão do extremista de direita Bolsonaro, com o mais selvagem programa neoliberal de destruição de direitos trabalhistas e da soberania nacional.

É portanto estranho que parcela minoritária de setores progressistas estejam a apoiar Martha Rocha para a prefeitura do Rio. Posição politicamente desorientada que se explica em boa parte pela desinformação sobre a trajetória de Martha Rocha.

(*) Antônio Augusto é jornalista


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

 

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