Por Valter Pomar (*)

Gilberto Maringoni

O companheiro Maringoni postou em seu perfil do face uma mensagem com o seguinte título: “COMETI UM ERRO DE AVALIAÇÃO”.

As maiúsculas são dele e a postagem está aqui:

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Erros de avaliação todo mundo comete.

Reconhecer publicamente, pouca gente.

Isto posto, vamos ao grão.

Maringoni constata que os atos organizados pelo MBL foram 1/fracos e 2/contaminados pela palavra de ordem “Nem Lula e nem Bolsonaro”.

Segundo Maringoni, esta atitude comprometeria “a formação da mais que necessária frente ampla para se derrotar o governo”.

E acrescenta: “Kim Katiguiri, que prometera um comportamento equilibrado, se desmoraliza”.

Cabe perguntar: por qual motivo Maringoni acreditava no contrário?

Por qual motivo ele acreditava que os atos do MBL seriam fortes?

Por qual motivo ele achava que tais atos não seriam contaminados pelo nem-nem?

Por qual motivo Maringoni confiava que Kim teria um “comportamento equilibrado”?

Resposta de Maringoni: “eu imaginava que a manifestação de São Paulo, por contar com apoio dos governos estadual e municipal fosse bem maior. Acima de tudo, julguei que, após a micareta golpista patrocinada por Bolsonaro no dia da Pátria, novos setores da burguesia se descolariam do governo, arrastando a direita liberal no caminho”.

Em resumo: Maringoni “confiou” demais, “julgou” indevidamente o compromisso da direita gourmet e da classe dominante com a democracia e com as chamadas instituições.

E por isso mesmo não percebeu o que estava por detrás da “operação mordomo”: preservar as políticas neoliberais, mesmo que às custas de manter um golpista assumido na presidência.

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Mas que consequências Maringoni tira desta sua autocrítica pública?

Não sei ao certo.

Mas a julgar por como termina a já citada postagem, “confio” que Maringoni vai cometer novos erros de avaliação.

Digo isto porque Maringoni termina seu texto enfatizando que “sem a ampliação consistente dessa frente, não haverá mudança da conjuntura”, apontando dois caminhos que podem levar a isso mas sem perceber o que decorre de um “problema de três corpos”: a esquerda, o bolsonarismo e a direita gourmet.

O caminho sonhado por Maringoni não aconteceu porque os neoliberais colocam em primeiro lugar a liberdade dos mercados e em último lugar as liberdades democráticas.

Já a mobilização do povão só vai acontecer se – entre outras coisas – a esquerda vincular a defesa das liberdades democráticas com a defesa da “pauta do povo”.

E isto será muito difícil de fazer, se insistirmos numa “frente ampla” com aqueles que são cúmplices de Bolsonaro no ataque aos direitos do povo.

“Ampliação” que pode acontecer e “dar liga” na luta contra Bolsonaro é aquela produto do engajamento e radicalização popular.

Claro que a radicalização dos de baixo geralmente provoca cisões no andar de cima.

Ou seja: se formos pela esquerda, podemos até atrair aliados que hoje estão à nossa direita.

Mas neste caso as bandeiras seriam vermelhas, não brancas.

E sem fascistinhas ao nosso lado.

(*) Valter Pomar é professor e membro do Diretório Nacional do PT

 

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