Por João de Deus Castro (*)

Indo direto ao ponto, o governador Flávio Dino (PCdoB) e a esquerda sofrem uma séria derrota nas eleições 2020 no Maranhão. Não há que “tapar o sol com a peneira”. O segundo turno em São Luís entre Braide (Podemos) e Duarte (Republicanos), com a vitória do primeiro, apenas consuma isso, fechando o cerco da direita (da oposição e da base “aliada”) ao Palácio dos Leões. Sim, setores da base aliada também representam este cerco. Voltaremos a isto.

Antes, porém, examinemos o quadro político pré-eleitoral. Reeleito em 2018 em primeiro turno, liderando um arco amplo de alianças, Dino monta um governo cuja base de apoio representa 2/3 da Assembleia Legislativa, com partidos que vão da esquerda (PT e PCdoB) à direita (DEM, PP, PTB, PL, PRTB, PSL, Republicanos, etc), passando pelo centro (PDT, PSB). Chega em 2020 como figura pública nacional proeminente, expressando sempre posições firmes dentro da esquerda como a liberdade de Lula, contra o golpe de 2016 e de oposição ao bolsonarismo; e com o governo bem avaliado pela população maranhense.

Deixando de lado as nuances ideológicas de cada partido e considerando primeiramente o recorte esquerda versus direita, visando estabelecer uma perspectiva de esquerda, não resumindo tudo à figura do governador: assim, logo no primeiro turno, tivemos um resultado bem abaixo das expectativas. O partido do governador conquistou 22 prefeituras (frente a 46 em 2016). O PT apenas uma (7, em 2016). PDT e PSB (partidos que aqui generosamente colocaremos na centro-esquerda) conquistaram respectivamente 42 e 6 prefeituras (28 e 13, em 2016). Todos os demais 135 municípios (62,5%) optaram por candidaturas à direita do centro do espectro político.

Por outro lado, se considerarmos o quadro pelo viés situação versus oposição, Dino comemora, já que “partidos aliados ao nosso governo elegeram aproximadamente 180 prefeituras, do total de 216 com resultado definido [no primeiro turno]”. Porém, não é tão simples assim. A tal base aliada, conduzida até aqui sem grandes fissuras, mostrou sua cara (ou suas garras) no segundo turno da capital, São Luís. Com o candidato do PCdoB (Rubens Jr.) fora, sobraram duas candidaturas à direita, sendo uma da base aliada, a de Duarte Jr., apoiada enfaticamente pelo governador. Acontece que Braide, eleito com o natural apoio do grupo Sarney e da oposição de direita, contou também com parte da base aliada, a saber: o terceiro colocado, Neto Evangelista (deputado estadual do DEM), os deputados estaduais Glaubert Cutrim (PDT) e Carlinhos Florêncio (PCdoB), o deputado estadual Zé Inácio (PT), bem como sua corrente petista, a CNB, e, finalmente a Executiva Municipal do PDT, do senador Weverton Rocha, que se disse neutro e foi pra Barreirinhas (a Paris do Maranhão).

Essa debandada tem um claro sentido de enfraquecer o governador Flávio Dino visando sua sucessão em 2022. Até o momento, há dois postulantes pela base aliada: o vice, Carlos Brandão (ex-PFL, ex-PSDB, atual Republicanos), e o senador Weverton Rocha, cujo partido ora migra para a direita no âmbito nacional, movimento liderado por Ciro Gomes e de que Dino começa a tomar distância. Do outro lado, a oposição saneysta.

Acendeu-se, assim, para Flávio Dino e para a esquerda, o sinal amarelo da restauração do status quo anterior, seja pela oposição de direita, seja pela direita aliada. Principalmente se não dermos atenção, com urgência, ao tremendo déficit organizativo da classe trabalhadora e dos movimentos sociais progressistas no estado e no país afora. E no meio disso tudo, surge um sinal de esperança digno não só de nota, mas de forte aplauso e todo apoio da esquerda e dos movimentos sociais. A eleição para a Câmara Municipal de São Luís do Coletivo Nós (PT) – as companheiras e companheiros Delmar, Enilson, Eunice, Flávia, Jhonatan e Raimunda – empunhando as bandeiras de luta da periferia e da zona rural, sintonizados com as lutas do movimento negro, do feminismo, da diversidade e da economia solidária, por justiça, igualdade e bem viver.

Parabéns! #OPovoéNós

(*) João de Deus Castro é servidor público e militante do PT de São Luís-MA.


(**) Textos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da tendência Articulação de Esquerda ou do Página 13.

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