Líder camponês histórico, preso, mutilado, torturado e exilado pela ditadura, fundador do PT e da CUT, ele faleceu nesta quarta-feira (18), no Maranhão. A seguir, a nota de pesar do Partido dos Trabalhadores.

Publicado no site do PT

A classe trabalhadora do campo e da cidade perdeu um de seus maiores heróis: Manoel da Conceição, líder camponês histórico, preso, mutilado, torturado e exilado pela ditadura, fundador do PT e da CUT, faleceu hoje aos 86 anos de idade, no Maranhão, onde iniciou sua luta nos anos 1960.

Nascido em 1935 na região de Coroatá, Manoel da Conceição e sua família sofreram na pele a exploração e a injustiça do latifúndio, que os expulsou mais de uma vez das terras que cultivavam. Em 1960, depois de frequentar um curso do Movimento de Educação de Base, o MEB do educador Paulo Freire, organizou com outros companheiros dezenas de escolas para alfabetizar camponeses na região de Pindaré-Mirim.

Em 1963, fundou e foi eleito presidente do primeiro sindicato de Trabalhadores Rurais do Maranhão, invadido pelos militares no golpe do 1964, quando foram presos cerca de 200 filiados. Apesar da repressão, Manoel manteve o sindicato atuante até que, em 1968, num dia em que um médico da capital atendia pessoas na sede, a Polícia Militar invadiu o sindicato e Manoel da Conceição foi baleado no pé.

Preso sem qualquer tratamento por uma semana, Manoel perdeu a perna direita gangrenada. Levado por companheiros para São Paulo, implantou uma prótese mecânica e participou da organização de comitês de fábrica e da oposição sindical. Visitou a China e voltou a Pindaré em 1970. Foi preso novamente, em 1972, e transferido para o Rio, onde foi torturado no quartel da Polícia do Exército na Tijuca e no Centro de Informações da Marinha, sofrendo graves sequelas.

Acolhido pelo então presidente da CNBB, dom Aloisio Lorscheider, retornou a São Paulo, sob a proteção de dom Paulo Arns e do pastor James Wright, mas foi novamente preso e torturado no DOI-Codi de São Paulo em 1975. Foi necessária a intervenção direta do papa Paulo VI junto a Ernesto Geisel para que Manoel da Conceição fosse exilado em Genebra, na Suíça, onde participou da resistência à ditadura brasileira.

Manoel foi um dos primeiros exilados a retornar com a Anistia em 1979. Participou da criação e da primeira direção nacional do Partido dos Trabalhadores em 1980 – quando foi o primeiro secretário nacional agrário do partido – e, também, da criação da CUT em 1983. Foi o primeiro presidente do PT em Pernambuco e, depois de retornar ao Maranhão, teve 111 mil votos na disputa pelo Senado em 1986.

Manoel da Conceição nunca deixou de lutar pela democracia e pelos direitos dos trabalhadores no Maranhão e no Brasil. Nos últimos anos, lutou pela criação da Reserva Extrativista do Ciríaco e da Rede Frutos do Cerrado. Estimulou a organização dos pequenos produtores e de cooperativas de agricultura saudável, sendo um dos criadores da União Nacional de Cooperativas da Agricultura Familiar de Economia Solidária.

O Partido dos Trabalhadores presta sua homenagem a um companheiro que foi líder e testemunha, sempre no campo da luta, do processo histórico de resistência e transformação política e social do Brasil. Sua vida e seu exemplo nos dão força para seguir em frente, sem perder jamais a esperança num tempo de justiça, quando todos poderão colher os frutos do que Manoel plantou ao longo da vida.

Manoel da Conceição, presente no coração dos trabalhadores do campo e da cidade!

Gleisi Hoffmann
Presidenta Nacional do Partido dos Trabalhadores

Elisângela Araujo
Secretária Agrária Nacional do PT

Lucinha Barbosa
Secretária Nacional de Movimentos Populares e Políticas Setoriais do PT

18 de agosto de 2021

 

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