Página 13 divulga o manifesto da juventude da tendência petista Articulação de Esquerda, intitulado “JPT para tempos de guerra!”, endereçado ao Congresso Extraordinário da Juventude do Partido dos Trabalhadores, que será realizado nos dias 1º a 3 de junho de 2018, em Curitiba.

 

É com Lula que eu vou!

Vivemos momentos decisivos para a história do Brasil e das lutas da classe trabalhadora. O grande capital internacional, o grande empresariado brasileiro, o agronegócio, o conservadorismo no Congresso Nacional, o Judiciário e a grande mídia unificaram-se para atacar os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores, desmontar a soberania nacional e as liberdades democráticas. Para isto, buscam aniquilar a esquerda e as organizações populares. O golpe de 2016 ocorreu orientado por estes objetivos, tendo continuidade nos retrocessos do governo golpista de Temer e nos ataques contra o povo e a juventude.

Dentre os graves retrocessos implementados pelo governo golpista no País, podemos citar o congelamento dos investimentos em educação, saúde e demais áreas sociais por 20 anos; a entrega do pré-sal ao capital estrangeiro e o desmonte da Petrobras; o desmantelo da legislação trabalhista; dentre outros. O eixo principal de todas estas políticas é ampliar a exploração da classe trabalhadora e a mais-valia. O desemprego nunca foi tão alto, chegando ao patamar de 30% entre os jovens. A fome e a miséria voltam a assolar o país com força. As condições de vida da maioria da população estão piorando continuamente, especialmente da juventude trabalhadora que é uma das mais atingidas pela retirada de direitos, pelo desemprego e pelos retrocessos golpistas.

Diante desse cenário, a classe trabalhadora, os movimentos populares e a juventude se mantiveram de pé, firmes na luta e na resistência. A greve geral em 2017, as ocupações de escolas e universidades, as grandes mobilizações pela democracia e os comitês em defesa de Lula são alguns dos exemplos da disposição de enfrentamento e luta por parte da militância. Mas ainda é preciso muito mais: é preciso massificar a luta em defesa de Lula, da democracia e dos direitos sociais, dialogando com a classe trabalhadora e mobilizando milhares, milhões de pessoas em todo o País!

Em 2018, o golpismo deu mais um passo: a ilegal prisão do companheiro Lula visa interditar a única candidatura da esquerda com possibilidade de vitória na eleição presidencial de 2018. Lula lidera todas as pesquisas com folga, sendo, assim, o candidato favorito da maioria da classe trabalhadora brasileira. A interdição da candidatura Lula, caso se consolide, retira toda a legitimidade da eleição presidencial, pois afasta da disputa, através de um julgamento político e repleto de ilegalidades, o candidato com maior chance de vitória. Os golpistas tentam através de um julgamento parcial e injusto impedir a candidatura de Lula, por também compreenderem que apenas ele é capaz de implementar um programa democrático, popular e favorável a classe trabalhadora. Eleição Sem Lula é Fraude!

Por isto, é preciso que a JPT dedique intensamente os seus esforços para a defesa da liberdade e da candidatura de Lula, associado com a defesa dos direitos e garantias da classe trabalhadora. Dizemos em alto e bom som: não tem plano B, nem agora e nem depois! Não reconheceremos a legitimidade de uma eleição presidencial fraudada. A JPT deve tomar as ruas do País com a campanha pelo voto Lula 13 para Presidente desde já e em qualquer cenário! Uma eleição em que o candidato favorito é afastado do pleito de forma ilegítima é fraude!

Lula Livre! Lula Inocente! Lula Presidente!

 

Defender o PT é mudar a estratégia

Desde 2008, o capitalismo segue em uma das maiores crises de sua história. A hegemonia do capital financeiro causou a crise e vem buscando botar a conta nas costas das trabalhadoras e dos trabalhadores em todo o mundo, a partir do modelo neoliberal. É nesse contexto que se enquadra o crescimento de tensões na geopolítica mundial, com uma crescente militarização e risco de conflitos em maior escala. Do mesmo modo, a ofensiva na América Latina contra as experiências de governos progressistas e de esquerda também expressam a tentativa do capital e do imperialismo dos EUA recuperarem o controle sobre as diversas regiões do mundo e explorar ainda mais a classe trabalhadora.

Para derrotar esta ofensiva das classes dominantes no Brasil, materializada no golpe de 2016, o PT e a esquerda precisam mudar de estratégia. A ideia de que seria possível melhorar a vida da maioria do povo sem fazer rupturas, contando com o respeito às regras democráticas e até mesmo com o apoio de parte das classes dominantes, mostrou-se uma grande ilusão. Para melhorar a vida do povo de modo acelerado e sustentável e para sermos capazes de impor derrotas aos inimigos da classe trabalhadora, é preciso uma estratégia que vise mudar profundamente a estrutura social, econômica e política do País. Para ampliar o poder político da classe trabalhadora e impor derrotas às classes dominantes e seu projeto são necessários enfrentamentos e severas rupturas, pois a política de conciliação de classes se mostrou equivocada e perigosa.

Portanto, para enfrentar a ofensiva golpista e fascista, é necessário superar a estratégia de conciliação de classes que visava melhorar a vida da classe trabalhadora sem enfrentar os pilares do poder dos capitalistas. As ilusões de que seria possível conciliar com aqueles que pretendem destruir o PT e a esquerda têm desarmado nosso partido para enfrentar o golpismo. O apego estrito à institucionalidade tem limitado nossa capacidade de diálogo e mobilização da classe trabalhadora. O PT e a JPT devem combinar a luta social, a luta institucional, a organização partidária e a luta ideológica visando implementar um programa de reformas estruturais democráticas e populares no País, como a constituição de um sistema financeiro 100% público, a democratização das comunicações, a reforma tributária progressiva, a reforma agrária popular, a reforma urbana, a reforma política, a desmilitarização das polícias, dentre outras. Todas estas reformas devem estar articuladas com o socialismo, pois confrontam o poder da classe dos capitalistas e só poderão ser realizadas se impulsionadas pela classe trabalhadora.

Nesse sentido, o PT deve priorizar as alianças com a esquerda, movimentos sociais e setores que se posicionaram contra o golpe. A JPT deve colocar-se na linha de frente no debate partidário em todas as instâncias contrária às alianças com golpistas! Petista não se alia com golpista!

É tempo de manter no alto nossas bandeiras vermelhas e a estrela no peito! É tempo de coragem, pois a covardia e a vacilação serão atropeladas pela história. É tempo de denunciar a barbárie para a qual o capitalismo conduz a humanidade! É tempo de cerrar fileiras e reafirmar nosso compromisso revolucionário por uma sociedade socialista!

 

Por um Brasil democrático, popular e socialista

A mobilização da classe trabalhadora combinada com a defesa da candidatura Lula à Presidência da República são as únicas ferramentas capazes de impor derrotas ao golpismo no curto prazo. Esse movimento deve ser impulsionado a partir de um programa político capaz de dialogar com as demandas concretas da classe trabalhadora e apresentar uma alternativa popular e democrática ao golpismo. O PT tem um papel chave na construção desse programa e, do mesmo modo, é tarefa da JPT contribuir na formulação desse programa visando dialogar amplamente com a juventude da classe trabalhadora.

Desse modo, a JPT deve impulsionar a luta pela convocação de um plebiscito para a revogação de todas as medidas golpistas; a defesa de um plano econômico de emergência para retomar o crescimento, o emprego e os direitos da classe trabalhadora utilizando parte das reservas internacionais; a realização de uma Assembleia Constituinte e das reformas democráticas e populares.

O programa do PT para a juventude deve combinar a luta por reformas estruturais com políticas públicas de juventude, tais como:

(a) Forte investimento nas áreas sociais, como educação pública e saúde pública;

(b) Políticas de incentivo ao trabalho decente;

(c) Democratização do acesso à educação e políticas de assistência estudantil;

(d) Fortalecimento dos órgãos de participação política da juventude;

(e) Combate ao genocídio da juventude negra, pela desmilitarização das polícias estaduais e pelo fim dos autos de resistência;

(f) Uma nova política de drogas orientada pela redução de danos;

(g) Meia entrada para toda a juventude e efetivação do Estatuto da Juventude;

(h) Direito a vivência com qualidade de vida nos territórios rurais para a juventude do campo.

(i) Fortalecimento da rede de combate a violência contra a mulher;

(j) Tarifa-zero no transporte coletivo;

(k) Política pública de moradias populares para a juventude;

(l) Construção e manutenção de espaços públicos de lazer e produções culturais.

 

Por uma JPT de massas, militante e socialista!

O PT foi construído pela experiência histórica de luta de diversas gerações da classe trabalhadora. É o partido de esquerda com maior base militante e social na classe trabalhadora e também na juventude trabalhadora. Contudo, é inegável que ano após ano o PT tem perdido expressão na juventude, seja em militantes, seja em apoio social. O PT está envelhecendo aceleradamente, colocando em risco seu potencial como principal instrumento de luta da classe trabalhadora no Brasil. Assim, é urgente uma política voltada à organização e formação da juventude petista, combinada com mudanças na estratégia e no padrão de funcionamento do partido, de forma a reatar laços com parcela da juventude que se afastou do petismo.

De 2005 a 2008, culminando com a realização do I Congresso da JPT, a militância da juventude petista realizou um amplo processo de debate e organização que formulou a necessidade de construir uma JPT de massas, superando o modelo setorial que vigorava até então. Porém, ao menos desde 2011, o avanço na organização da juventude petista refluiu significativamente. Parte expressiva da militância da juventude petista da geração atual sequer teve contato com aquele acúmulo político, fazendo com que prevaleça o internismo, a dispersão e a fragmentação da juventude do PT.

A principal causa deste desacumulo político da JPT decorre da política e da estratégia de conciliação de classes que orientaram a maioria da direção do PT e da JPT no período. Esta política não colocou como uma tarefa prioritária do partido a construção de uma JPT de massas, sendo levada inclusive a terceirizar a política de juventude para outras organizações.

O III ConJPT, em 2015, não elegeu uma direção nacional legítima da JPT. Com o agravamento da conjuntura e a luta contra o golpismo, a JPT não contou com uma direção política nacional, levando a juventude a um desacumulo político e organizativo ainda maior. Este cenário fragilizou ainda a organização da JPT nos municípios e estados, apesar dos esforços da militância e experiências exitosas em âmbito local. Para rearmar a JPT, defender Lula e os direitos da classe trabalhadora, é um imperativo a realização do IV Congresso da JPT o quanto antes. Defendemos que a realização do IV ConJPT ocorresse no primeiro semestre de 2018, mas fomos derrotados nessa posição. Prevaleceu a proposta de um “Congresso Extraordinário” da JPT, sem possibilidade de eleição na etapa nacional e em que a/o secretária/o nacional da JPT será indicado pela tendência do atual secretário. Um processo antidemocrático, esvaziado de debate político, que retrocede a uma concepção internista e aquém dos desafios políticos colocados para a JPT.

Assim, a principal tarefa da militância da JPT no próximo período é ampliar a mobilização em defesa de Lula Livre, dos direitos da classe trabalhadora e fortalecer o diálogo com a juventude trabalhadora nos seus locais de trabalho, estudo e moradia. É preciso dedicar esforços em panfletagens e ações de amplo diálogo com a classe trabalhadora na defesa da liberdade e da candidatura do companheiro Lula, ou seja, é preciso reinventar e intensificar nosso trabalho base. Nesse sentido, devemos dedicar esforços para mobilizar e organizar os congressos municipais e estaduais da JPT, orientados por este fio condutor. A tarefa prioritária para a construção da JPT é dialogar e organizar massivamente a juventude trabalhadora em defesa de Lula, dos direitos, das reformas democráticas e populares e do socialismo!

É preciso lutar até ganhar na defesa de Lula, do PT e da classe trabalhadora. É preciso resistir com o mesmo espírito da militância que resistiu fisicamente em São Bernardo do Campo à ilegal prisão de Lula.  É preciso uma JPT que rompa qualquer ilusão em alianças com setores do golpismo e na classe dos capitalistas. É preciso uma JPT socialista, democrática e revolucionária. É preciso uma JPT para tempos de guerra!

 

13 pontos para uma JPT Para Tempos de Guerra!

1. Por uma JPT de massas:organizar e mobilizar milhares de jovens trabalhadores em todo o Brasil;

2. Por uma JPT militante e democrática: presente na vida cotidiana da juventude trabalhadora, com instâncias democráticas e aberta a ampla participação da juventude;

3. Por uma JPT autônoma: priorizar uma política de auto finaciamento e em defesa de 5% do Fundo Partidário para a JPT;

4. Por uma JPT socialista;

5. Por uma JPT organizada e unificada nos movimentos sociais;

6. Construção de núcleos da JPT nos locais de estudo, trabalho e moradia: realizar uma ampla campanha de nucleação em todo o país;

7. Petista não se alia com golpista: defender a unidade da esquerda e a não aliança com golpistas;

8. Por Lula Presidente! Não tem plano B!;

9. Por uma JPT Feminista, anti-racista e anti-LGBTfóbica;

10. Por uma JPT organizada nos municípios;

11. Fortalecer a formação política, a comunicação e a disputa ideológica: realizar jornadas de formação política, massificar a comunicação da JPT articulando redes sociais e jornal impresso petista;

12. Em defesa do IV Congresso da JPT;

13. Em defesa do PT: por uma estratégia democrática, popular e socialista!

 

 

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