Por Valter Pomar (*)

Breno Altman considera “apressada” e “retórica” minha opinião, segundo a qual sua “hipótese de apoio à fórmula Boulos-Erundina estaria apresentada com tanto otimismo que tornaria desnecessária a pressão pela candidatura de Fernando Haddad”.

Sua posição – encabeçada pelo simpático título “Resposta a um malabarismo retórico” — está aqui:

https://www.facebook.com/1019106646/posts/10221104712580321/?d=n

Pode ser que ele tenha razão.

Mas minha impressão de “tanto otimismo” resulta de frases do próprio Breno, tais como: “eleger uma forte bancada de vereadores”; “um passo decisivo para a formação da frente popular”; “importante repercussão nacional”; “a intervenção de Lula no processo eleitoral paulistano ganharia outra dimensão, transformando a competição local em uma grande batalha contra o bolsonarismo e os demais partidos neoliberais”.

Eu, pelo menos, achei estas frases bem otimistas.

Seja como for, sigo achando que falar na hipótese de apoiar Boulos introduz um diversionismo na discussão.

Diversionismo útil tanto para os que defendem que Haddad não seja candidato (existiria, supostamente, uma alternativa “otimista” à catástrofe), quanto útil para os que insistem que Tatto seria uma boa opção (supostamente, os que defendem o contrário estariam querendo, na verdade, abrir mão da candidatura petista em favor de apoiar outro partido).

Por falar nisso, Breno escreveu que deveríamos unificar as esquerdas “ao redor de Boulos-Erundina, caso as pesquisas dos próximos sessenta dias, antes da inscrição oficial das candidaturas, confirmem seu maior potencial eleitoral”.

Posso não ter lido com atenção, mas fiquei com a impressão de que Breno transitou de uma posição (se não Haddad, Boulos) para uma hipótese (se não Haddad, quem estiver na frente).

Não faço ideia se alguém do PSOL já foi consultado a respeito desta hipótese. Duvido que aceitem. Aliás, duvido que apoiem Haddad, caso ele entre na disputa neste momento. E lembro que, na maioria das cidades onde o PSOL tem candidaturas majoritárias e o PT também, o que prevalece não é a posição da frente de esquerda.

Sem falar que é, digamos, para lá de polêmico introduzir este tipo de critério (pesquisas) para decidir candidaturas, tanto dentro de um partido, quanto entre partidos.

Claro, esta eleição tem muitas novidades. Mas propor esperar até o dia 26 de setembro para ter uma “definitiva orientação eleitoral” supera qualquer coisa que eu já tenha visto ou ouvido.

Aliás, reitero: quem pode o mais, pode o menos.

Se é possível ao Partido abrir mão da candidatura própria em São Paulo capital, também é possível substituir Jilmar Tatto por Fernando Haddad.

Com a vantagem, neste segundo caso, de não ter efeitos colaterais.

Por falar em efeitos colaterais, registro que Breno não disse nada a respeito dos vários problemas que eu apontei.

Salvo, é claro, que seu comentário a respeito seja o simpático título a que me referi antes.

(*) Valter Pomar é professor da UFABC  membro do Diretório Nacional do PT

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