Por Amanda Oliveira (*)

A União Nacional dos Estudantes tem em si a responsabilidade de organizar toda a estudantada brasileira e travar um debate sério e firme no que diz respeito ao enfrentamento contra o governo de morte de Bolsonaro e todos os seus aliados em cada estado, em cada município do país, e incluo aqui principalmente os oportunistas que tentam fingir que não são a outra face da mesma moeda.

O retorno das aulas presenciais, o viver estudantil em meio a uma pandemia global e a crise que assola o país causada pela política sistemática de destruição promovida por Bolsonaro, precisam ser pontos fundamentais para a organização das bases nas universidades e em todo o campo de luta pela educação.

A conjuntura cruel reflete o projeto político econômico de um governo que quer ver o brasileiro morto, seja por vírus ou por fome, e na maioria das vezes pela bala de fuzil. O Movimento Estudantil teve que se organizar na contenção de danos no desmonte na educação que se alastrou e continua em curso em todo o país: além da pandemia que agravou a desigualdade social, o Teto de Gastos (hoje Emenda Constitucional 95) implementado pelo governo ilegítimo de Temer, conduziu a educação brasileira ao sucateamento completo e descarado e o atual governo de Bolsonaro comprova na prática ser uma extensão do governo anterior, apenas com mais possibilidades de vitórias na destruição.

No Estado do Rio de Janeiro temos alguns exemplos diretos desses ataques como a UFRJ sobrevivendo a base de arrecadação coletiva entre estudantes, corpo docente e apoiadores enquanto seu orçamento se equivale ao valor recebido em 2008; O corte de 19% no orçamento destinado à UFF em 2021 além do desvio de 64% das verbas do Fundeb destinadas à rede pública de ensino, e por aí vai. O neoliberalismo selvagem não tem limites.

Em contrapartida, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) mostra como o movimento estudantil – quando organizado e combativo – deixa sua marca na luta por condições dignas de estudo, entrada, permanência e vivência, com a noção de que estes não contemplam apenas o espaço da Universidade, mas tudo o que diz respeito à infraestrutura necessária para o acesso ao ensino público de qualidade e a saída dele com o diploma na mão.

Mesmo com o violento sucateamento, os estudantes nas organizações de base em DCE’s e Centros Acadêmicos, insurgem como parte ativa das conquistas que melhoram as vidas dos mais pobres na faculdade. As políticas de Assistência Estudantil apresentadas pela UERJ durante o período pandêmico como o auxílio creche, alimentação, transporte para além da bolsa emergencial são apenas exemplos de lutas de décadas do movimento estudantil da Universidade e são marcos que defenderemos serem sancionados como permanentes e também expandir para outras universidades do Rio de Janeiro e nos demais estados país a fora.  Os direitos dos estudantes devem ser estruturais, pois nossas desigualdades também são.

E quando se trata de organização massiva da juventude e a responsabilidade com isso precisamos falar sobre a Juventude do PT, essa que é a juventude do maior partido popular da América Latina, e quando se fala em JPT a responsabilidade é em dobro.

A JPT deve ser protagonista na luta estudantil, atraindo cada vez mais os jovens não só para avançarmos sobre aquilo que queremos e na derrota de nossos inimigos, mas na permanência do que lutamos para conquistar e que segue sob constante e gravíssima ameaça.

Os últimos atos contra Bolsonaro nos mostram que a juventude deseja se organizar urgentemente e está começando a compreender que nenhuma saída será fora da coletividade.

Uma JPT unificada, democrática, que jamais tire o socialismo de sua estratégia e que dialogue com a realidade sociocultural de cada jovem, estudante ou não, é uma juventude atenta aos desafios em meio a barbárie instaurada pelo neoliberalismo. E mais do que isso, é uma juventude preparada para a luta constante que é sobreviver no Brasil de Bolsonaro.

A JPT, quando consciente de seu papel na guerra contra Bolsonaro, não poderá se omitir em finalmente reconstruir uma UNE que consiga ser identificada por cada jovem estudante, defendida como uma forte ferramenta para os avanços e vitórias da classe estudantil brasileira. Tomar a direção da UNE se faz urgente e precisamos falar sobre isso.

O discurso cortês e moderado com os mesmos neoliberais que sustentam o governo fascista de Jair Bolsonaro já é uma marca dessa atual gestão (mas nem um pouco nova) que tem como presidenta Bruna Brelaz da UJS (PCdoB), que insiste em dizer que não há problemas em construir uma grande e ampla aliança “contra” Bolsonaro. Essas ações deslegitimam a UNE e distorce todo seu histórico papel na luta pela democracia brasileira e dificultam cada vez mais no combate a devastação em nossas vidas.

É obrigação da Juventude do PT em não se submeter a falsas alianças que colocam em risco nossa juventude e toda a possibilidade de sonharmos novamente e fazê-los virar realidade. Sejamos subversivos ao neoliberalismo assassino, à fome, à miséria, à tristeza.  Povo organizado para os tempos de guerra que estamos vivendo é um povo atento em defender o que é seu.

(*) Amanda Oliveira é diretora de Assistência Estudantil da UNE e DCE UERJ

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